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Tarsila do Amaral, Lina Bo Bardi e muitas outras mulheres integram a programação 2019 do MASP

Ao longo do próximo ano, o eixo temático "Histórias das mulheres, histórias feministas" vai embasar exposições monográficas de Djanira da Motta e Silva, Tarsila do Amaral, Lina Bo Bardi, Anna Bella Geiger, Leonor Antunes, Gego e uma mostra coletiva internacional.

Djanira da Motta e Silva, Vendedora de flores, 1947. Óleo sobre tela, 100,5 x 65 cm. Doação Orandi Momesso, 2015 - Acervo MASP. Foto: Eduardo Ortega.

Após se dedicar às "Histórias afro-atlânticas" em 2018, o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) traz o tema “Histórias das mulheres, histórias feministas” como pauta do seu programa de exposições em 2019. Já estão confirmadas seis monográficas de artistas mulheres, além de uma grande mostra coletiva que levará o título do eixo temático. A exposição se integra à série de mostras e seminários elaborados, nos últimos anos, em torno da noção de histórias, que abarcam narrativas reais, fictícias, relatos pessoais e históricos, apresentadas de maneira mais aberta e plural. Nos três anos anteriores, o MASP apresentou exposições coletivas de destaque dentro de um eixo temático anual, Histórias da infância (2016), Histórias da sexualidade (2017) e Histórias afro-atlânticas (2018), recorde de visitação da atual gestão, com 180.000 visitantes, e com a coletiva principal tendo recebido atenção internacional.

As mulheres sempre experimentaram uma realidade distinta da vivida pelos homens no que tange a direitos civis e papéis sociais. Ao longo da história, a diferença de gênero teve momentos dramáticos, como no século 19, em que teorias de suposta base científica foram forjadas para explicar e justificar a dominação masculina. O sociólogo positivista francês Auguste Comte, por exemplo, procurou naturalizar a desigualdade em sua teoria da ordem espontânea da sociedade humana, de 1839. Já que as mulheres eram vistas como naturalmente incapazes de entender e raciocinar, não seriam, portanto, capazes de produzir algo tão complexo como a arte.

Muitos esforços têm sido empreendidos desde o final do século 19 para afirmar a importância das mulheres artistas e de suas obras, como a fundação, em Paris, da Union des femmes peintres et sculpteurs [União das mulheres pintoras e escultoras] em 1881 e, mais recentemente, o surgimento do movimento #MeToo, contra o assédio sexual, em Hollywood. A programação do MASP em 2019 se une a essa rede de esforços que questionam os valores de gênero dentro da história da arte e celebram as histórias e os trabalhos de mulheres que, de modo deliberado ou não, foram ignoradas ao longo dos séculos.

Para aprofundar as pesquisas que embasam o programa de 2019, o museu organizou dois seminários neste ano: “Histórias das mulheres, histórias feministas”, em fevereiro, e “Histórias feministas, mulheres radicais”, em novembro, numa parceria com a Pinacoteca do Estado de São Paulo. Dos seminários, sairá parte do conteúdo do catálogo e da antologia que serão lançados com a exposição coletiva.

As monográficas de Djanira da Motta e SilvaTarsila do AmaralLina Bo Bardi estão previstas para o primeiro semestre, e a coletiva "Histórias das mulheres, histórias feministas", e as mostras de GegoLeonor Antunes e Anna Bella Geiger, para o segundo. O ciclo em torno das histórias das mulheres e histórias feministas terá, além das exposições, palestras, oficinas, filmes, seminários e outras atividades. A programação pode ser acompanhada no site do MASP.

Em paralelo ao eixo temático, e na sequência das importantes parcerias que tem estabelecido, em junho o museu promove a mostra "Comodato MASP Landmann: têxteis pré-colombianos". Com curadoria de Marcia Arcuri, será a primeira exposição dedicada à importante coleção arqueológica, que abarca diferentes tipologias, períodos e territórios, cedida ao museu em comodato por um período de 10 anos. A mostra terá têxteis produzidos no atual Peru entre 800 a.C. e o século 16.

Também em paralelo ao eixo temático de 2019, o MASP exibe o "Acervo em transformação", exposição da coleção do museu nos cavaletes de cristal de Lina Bo Bardi. Estão ali nomes como Rafael, Gauguin, Renoir, Van Gogh, Toulouse-Lautrec, Bosch, Teresinha Soares, Claudio Tozzi, Anna Maria MaiolinoAnita Malfatti e Sonia Gomes. A seleção das obras, que podem ser localizadas por mapas impressos, passa por alterações periódicas, que permitem identificar características comuns aos trabalhos e propiciam diálogos entre os diversos artistas, assim como propor novos percursos para o visitante redescobrir a arte.

Lina Bo Bardi, Estudo preliminar – esculturas praticáveis do belvedere Museu de Arte Trianon, 1968. Nanquim e aquarela sobre papel, 56,3 x 76,5 cm. Acervo MASP, doação Instituto Lina Bo e P. M. Bardi. Foto: Divulgação.

 

Serviço
Programação 2019 do MASP: "Histórias das mulheres, histórias feministas".
Local: MASP | Avenida Paulista, 1578 - São Paulo.
Horários: De quarta a domingo, das 10h às 18h (bilheteria aberta até as 17h30); terça-feira, das 10h às 20h (bilheteria até 19h30).
Ingressos: R$35 (entrada); R$17 (meia-entrada). O MASP tem entrada gratuita às terças-feiras, durante o dia todo. O ingresso dá direito a visitar todas as exposições em cartaz no dia da visita. Estudantes, professores e maiores de 60 anos pagam R$17 (meia-entrada). Menores de 11 anos de idade não pagam ingresso. AMIGO MASP tem acesso ilimitado e sem filas t-odos os dias em que o museu está aberto. Acessível a deficientes físicos, ar condicionado, classificação livre.