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Mesmo sem debate, IMS Paulista recebe performance

Marcada para o dia 26 de outubro (sexta-feira) às 21h30, a apresentação aconteceria simultaneamente ao último debate presidencial - cancelado pela emissora recentemente. Apesar das mudanças, a performance, que encerra um ciclo de três apresentações, acontece com adaptações no roteiro.

Cena de Terra em Transe, de Glauber Rocha. Foto: Divulgação.

O IMS Paulista apresenta o espetáculo "Aos vivos – debate n.3 (Terra em transe)", concebido por Nuno Ramos. Durante a performance, atores reproduzirão, em tempo real, a programação da Rede Globo exibida no lugar do debate presidencial, que foi cancelado. Com um fone de ouvido, eles receberão os áudios do canal televisivo, repetindo-os para a plateia. Ao longo do espetáculo, as falas serão invadidas por menções às principais hashtags envolvendo os presidenciáveis e o Ministério Público. Simultaneamente, outros intérpretes declamarão diálogos do filme Terra em transe (1967), de Glauber Rocha, acompanhados de parte da trilha sonora e da sonoplastia do longa-metragem. Dirigido Rocha às vésperas do AI-5, o filme instaura não apenas uma distância definitiva com as formas políticas da época, e com o populismo em particular, mas também uma verdadeira crise da representação, em que o Brasil ainda hoje está mergulhado.

Confira a seguir a análise da primeira apresentação, "Aos Vivos (Dervixe) - Debate nº 1", realizada no início do mês:

Na noite de 4 de outubro de 2018 começava o último debate eleitoral antes do primeiro turno da mais conturbada eleição do século XXI no país. Muitos acompanhavam, em suas casas e bares, por onde se espalharam telões e pequenas televisões, um espetáculo armado. Ao menos essa é a impressão para quem acompanhou a performance "Aos Vivos (Dervixe)", dirigida por Nuno Ramos, que aconteceu no Galpão do Folias, em São Paulo.

Na obra, nove atores se revezaram para reproduzir, em tempo real, o debate presidencial transmitido pela TV Globo. Equipados com audiofones, os atores se dividiram em microfones, distribuídos em um círculo no palco, que correspondiam ao mediador e a cada um dos candidatos a presidência que participaram do debate na emissora. Em meio à este cenário, no centro do palco, uma dançarina rodopiava incessantemente, tentando não perder o eixo, conforme o dervixe - ritual de origem muçulmana que busca a elevação espiritual -, ao som de flauta e percussão que entoavam melodias sacras sufis, uma corrente mística do Islã.

Estava preparado todo o distanciamento necessário para gerar uma outra percepção sobre o que se tornou o debate político no Brasil. Tendo como filtro os atores, o discurso político perpetrado pelos candidatos mostrou sua face de "interpretação" - fora algumas raras exceções que, mesmo assim, não deixaram de mostrar seu lado palanquista. Ao toque de uma sirene os atores trocavam de posições e personagens, mas o discurso parecia se repetir, mesmo que em diferentes vozes, rostos e candidatos; fazendo com que suas "propostas" se confundissem nesse vertiginoso debate.

Fica claro como o debate político nos dias de hoje beira o ridículo, mas, felizmente, segue um fluxo giratório, tornando possível novas críticas e questionamentos políticos, como o que se pergunta: o que realmente diz meu candidato?

Texto: Tauã Miranda

Serviço
Espetáculo: "Aos vivos – debate n.3 (Terra em transe)", concebido e dirigido por Nuno Ramos.
Data:  dia 26 de outubro (sexta), às 21h30.
Local: IMS Paulista (Cineteatro) | Av. Paulista, 2424 - São Paulo.
Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). Vendas antecipadas pelo link  ou, no dia do evento, na bilheteria do IMS Paulista, a partir das 10h. Uma transmissão ao vivo pelo canal do espetáculo no Youtube faz parte do evento.