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Fique por dentro da Documenta 14

Texto por Giovanna Fava Mitrani.

Acontece, entre 6 de Abril e 17 de Setembro, a Documenta 14, uma exposição decentralizada que se espalha por mais de 30 locais públicos nas cidades de Kassel na Alemanha e de Atenas na Grécia. A edição de 2017 é a primeira a acontecer em dois países, e não é a toa que Atenas foi escolhida; com questões econômicas e de imigração a tona neste momento, a cidade agrega ao tema sócio-econômico e político das obras e do evento.

Criada pelo pintor Arnold Bode em 1955, o intuito da exposição era de renovar a imagem da Alemanha após o fim da Segunda Guerra Mundial. A primeira Documenta tinha como objetivo celebrar a arte moderna e contemporânea, já que durante o governo Nazista muitas obras do Fauvismo, Expressionismo, Cubismo e Futurismo foram classificadas como degeneradas e destruídas. Com mais de 130,000 visitantes na sua primeira edição, a Documenta acontece a cada cinco anos, sempre com o intuito de desafiar e discutir as expectativas e questões da sociedade em relação à arte.

Hoje, em sua 14ª edição, a Documenta discute de que maneira nos sujeitamos ao poder e a necessidade de enfrentarmos sistemas opressores, independente de nosso contexto social e etnográfico. A luta por diretos humanos, pela convivência pacífica e pela recuperação econômica permeiam as obras divididas em duas cidades extremamente simbólicas desses conflitos. O curador Paul B. Preciodo comenta que a “Documenta 14 é um processo de transformar os temas políticos da história” para que assim possamos compreender questões atuais por meio da arte contemporânea. 


“Partenon de Livros” de Marta Minuyín, Buenos Aires, 1983. Crédito: Divulgação

Uma das obras que tem ganhado maior destaque na edição deste ano é a instalação da obra “Partenon de Livros” de Marta Minuyín. Em 1983 a artista Argentina construiu uma estrutura que replicava o Pantheon de Atenas, composta por mais de 100,000 livros proibidos pela ditadura encerrada poucos anos antes. Como símbolo de rebelião e de luta contra governos opressores, em 1983, após cinco dias de exposição, a estrutura gigante foi inclinada fazendo com que a população pudesse pegar qualquer um daqueles livros proibidos.  Em 2017, a obra foi reconstruída em Fridrichsplatz em Kassel, no mesmo local onde foram queimados cerca de 2000 livros em 1933 pelo governo nazista. A artista também planeja uma ação devolutiva, que ainda não foi divulgada, mas doações de livros ainda podem ser feitas para esta edição da obra. Para conferir a lista de livros proibidos e fazer sua doação acesse este link.


“Partenon de Livros” de Marta Minuyín, Kassel, 2017. Crédito: Divulgação

Acima de tudo, vale ressaltar que a divisão da Documenta em dois países indica não só a união de duas histórias por meio da arte contemporânea, mas também a importância de apoio e renovação nos relacionamentos internacionais, unidos pela cultura. No momento pós Segunda Guerra Mundial a Alemanha sofreu uma crise de migração em massa, similar ao que ocorre na Grécia, principalmente em Atenas. De tal forma, a Documenta 14 vai além de uma exposição com cerne político, mas se torna uma ação que verdadeiramente age nos princípios de união e comunicação construtiva por meio da arte.