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Fachada da Biblioteca Mário de Andrade recebe série de retratos do artista Alex Flemming

O centro de São Paulo estará de cara nova a partir de 3 de dezembro. Toda a fachada da Biblioteca Mario de Andrade estampará retratos de pessoas anônimas impressas digitalmente em vidros que pesam mais de 80 kg. Montagem das placas já começou na BMA.

Superfície e material escolhidos para receber a nova série de Flemming, feita especialmente para a Biblioteca Mario de Andrade impressionam pelas dimensões. Cada chapa tem cerca de 2,30 x 1,60 m, pesam 80 kg cada uma, num total de 1,6 toneladas de vidro em aproximadamente 150 m2 de instalação final. O material foi obtido graças ao empenho da ABIVIDRO com um pool de empresas do ramo.A Biblioteca Mario de Andrade tem o prazer de anunciar que receberá uma extraordinária obra pública para o seu acervo: serão 16 imensos vidros do artista plástico Alex Flemming, retratando pessoas anônimas que frequentam a Biblioteca. Na arte de Flemming, dotada de muita cor e vibração, esses cidadãos desconhecidos se transformam em representantes da cidade, personagens símbolos do transeunte anônimo e dos usuários da Biblioteca. Com impressão digital aplicada sobre placas de vidro de 80kg,Flemming ,usa uma técnica desenvolvida especialmente para esta nova obra, obtendo efeitos de multiplicidade de visões para retratar a diversidade e a pluralidade étnica  

Diferentemente da icônica série de retratos que o artista realizou para a Estação Sumaré do Metrô, em que excertos literários de grandes escritores brasileiros foram sobrepostos a retratos que remetiam a documentos de identidade de anônimos, desta vez Alex Flemming incorpora uma aura de tridimensionalidade às imagens, utilizando-se de uma técnica especialmente desenvolvida pelo artista para esse projeto.

“Na minha opinião, essas obras demonstram toda a maturidade do artista, pois condensam os aspectos mais significativos do seu trabalho”, explica Luiz Armando Bagolin, diretor da BMA. “Flemming demonstra um domínio técnico primoroso e uma consciência artística insuperável. O deslocamento das três camadas de tinta superpostas promovem uma multiplicidade de visões e imprimem uma dinâmica muito particular aos retratos. Dependendo do modo como a luz incide no objeto ou da posição do observador, tem-se a impressão de se estar diante de uma obra diferente”.

De fato, Flemming conseguiu trabalhar a ideia de diversidade e pluralidade com mestria. "Sempre fui fascinado pela beleza do ser humano, e como acredito que todos nós somos iguais, considero a miscigenação uma das grandes virtudes do Brasil. A pluralidade étnica é o amanhã. A cidade de São Paulo se apresenta como queremos o futuro para o mundo: cosmopolita, multicultural, inesgotável. Viva a miscigenação!"

Para o artista, há uma diferença importante da série de retratos instalados na Estação Sumaré do Metrô. "Não poderia repetir as obras que realizei há 18 anos atrás. O trabalho do artista deve ser dinâmico, refletir o momento em que é realizado. Nessa série para a Biblioteca Mario de Andrade eu me utilizei de inúmeras inovações de ordem técnica e introduzi a cor dentro o conceito da imagem-retrato. A Biblioteca é um organismo vivo, pulsante, multifacetado. Ela vibra por causa das pessoas que circulam aqui diariamente, e eu concretizei plasticamente nos meus retratos a ideia de um conceito de um mundo livre, sem amarras e sem preconceitos."

Paulistano, radicado há muitos anos na Alemanha, Flemming possui relação intensa com São Paulo desde o início de sua carreira, quando mostrou suas gravuras da Série Paulistana no MASP em 1980. Atualmente o artista tem retrospectiva com obras dos últimos 40 anos de sua carreira no Museu de Arte Contemporânea MAC-Ibirapuera. 

“A Biblioteca Mário de Andrade se tornou nos últimos dois anos um lugar de modernidade no centro de São Paulo, aberta a novas experiências e adepta ao cosmopolitismo, tendo recebido inclusive durante a madrugada leitores de outros países que moram na cidade. Nada mais justo que a gente receba essa obra do Flemming, um paulistano autêntico que vive lá fora, mas que não deixa de retratar a alma do brasileiro. Um paulistano cidadão do mundo”, completa Bagolin.