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Abertura da Exposição Toulouse-Lautrec em Vermelho.

Por Julia Demeter. 

A exposição Toulouse-Lautrec em Vermelho no MASP é aberta ao público a partir do dia 30 junho e reúne 75 obras do pintor ícone do impressionismo francês, sendo a maior exposição já realizada sobre o artista no Brasil. Patrocinada pelo escritório Pinheiro Neto Advogados, conta com a expografia do escritório METRO Arquitetos Associados e Curadoria de Adriano Pedrosa e Luciano Migliaccio e assistência de Mariana Leme.

O Divã: pintura de Toulouse-Lautrec, de 1893. Imagem: divulgação.

O título em vermelho é significativo, pois a temática de boa parte das pinturas é a vida cotidiana das mulheres que trabalhavam em bordéis, ou maison closes em Paris. Nesse sentido, a exposição dialoga com a programação anual do museu que é dedicada ao tema da sexualidade.

 É importante pontuar que as mulheres  nas pinturas não são objetificadas. Toulouse-Lautrec (1864-1901) pinta sentimentos, expressões e confidências. Mostra a condição das mulheres em contexto mais amplo e indo além do que era considerado de “bom tom” para a época como trabalhar, passar maquiagem, viver relações com outras mulheres e gozar de uma vida boêmia.

“Estas mulheres na sala de jantar” (1893-95): crônica visual de uma época. Imagem: divulgação

Toulouse-Lautrec foi um dos principais artistas em Paris no fim do século XIX, ao capturar a efervescência da noite na capital que despertava para a modernidade com suas ruas foram iluminadas a gás. Burgueses, boêmios, prostitutas, dançarinos e artistas eram seus principais modelos, tendo como cenas apresentações em cabarés, danças em bares, bailes de máscaras, retratos de figuras da sociedade e o bairro Montmartre.

Das onze obras de Toulouse-Lautrec da coleção do MASP, a maior  em um museu da América Latina, nove estão expostas. As demais são empréstimos de alguns dos principais museus e coleções particulares do mundo como: Musée d’Orsay de Paris, Tate de Londres, The Art Institute of Chicago e National Gallery of Art de Washington, Museo Thyssen-Bornemisza de Madrid e Rijksmuseum de Amsterdã.

“Moulin de la Galette”, de 1889. Imagem: divulgação.

Considerado pós Impressionista, sua forma de pintar apresenta linhas sinuosas contornos, muitas vezes em preto, com cobertura leve de cor. Os contornos não rígidos sugerem um estremecimento da imagem,  e proporcionam uma ideia de movimento.

Toulouse-Lautrec também foi pioneiro ao criar pôsteres para divulgar shows e peças teatrais, algo que pode acontecer em função da invenção da gráfica a vapor. Um marco na comunicação em massa, que mudou a estética das ruas de Paris e posteriormente serviu  como referência para o Design Gráfico e a Publicidade.

Cartaz para show da dançarina de can-can Jane Avril: olhar contra-plongée. Imagem: divulgação.

Além das pinturas, a exposição também conta com cerca de 50 documentos da época como cartas, bilhetes, telegramas e fotografias. A coleção, reunida pelo editor Pedro Corrêa do Lago ao longo de mais de 20 anos, cobre a vida de Toulouse-Lautrec. Há desde sua primeira carta, aos 7 anos, à última que escreveu à sua mãe, alguns meses antes de sua morte, em 1901.

Por fim, algumas obras dessa exposição serão incorporadas a mostra coletiva “Histórias da sexualidade”, que também reúne obras de diferentes períodos, nacionalidades e linguagens. Com subtemas como a prostituição, o nu, a homossexualidade, o feminismo e o hibridismo de gênero.

Serviço:
Exposição Toulouse-Lautrec em vermelho
Sexta, 30 de junho às 10:00 – 18:00
MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand
Avenida Paulista, 1578, São Paulo

A colunista:
Júlia Demeter é colaboradora do InfoArt. Atuou profissionalmente na coleção DarosLatinoamerica e nos Institutos Moreira Salles e Tomie Ohtake. É pós-graduada pela FAAP - SP.

Saiba mais sobre a exposição aqui.