VISUAL ARTS AGENDA

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Pulse

Artists: Lia Chaia

Curator: -

from 25/7 to 26/8

Galeria Vermelho Ver mapa

Address: Rua Minas Gerais, 350 - Higienópolis

Telephone: (11) 3138-1520

Em Pulso, sua sétima individual na Vermelho, Lia Chaia ressalta sua reflexão sobre o corpo humano, em especial, sob duas óticas: a situação do corpo frente às pressões originadas pela sociedade e o afastamento gradativo da relação homem- natureza. Embora tais tensões perpassem todos os trabalhos, a artista detém-se agora nas especificidades que compõem o organismo humano como sinal da vitalidade, enfatizando o aspecto pulsante do corpo.

Assim, em Pôster (2017), Lia Chaia parte de mapas de anatomia humana típicas de livros de medicina, nos quais o corpo é padronizado e estruturado dentro de uma fisiologia esquemática, e interfere sobre eles com elementos que lembram células sanguíneas ou órgãos humanos. As “células” escapam o traçado dos mapas, refletindo o imponderável da compreensão da morfologia humana.

Poster (detalhe)

Em Articulações (2017), as mesmas partículas sanguíneas surgem por cima de telas de nylon cinza, delimitando perímetros que evocam corpos humanos. Há aí um jogo de inversões; os glóbulos e plaquetas que se mantém no interior do corpo, percorrendo seu perímetro e estrutura se tornam superfície, e as telas de nylon (conhecidas como fachadeiras), comumente usadas para proteger edificações em construção - como peles - se tornam estrutura. A série faz referência ao corpo humano fragilizado e mutável da contemporaneidade.

Articulações 2

Cabeças (2017) são cubos sobrepostos a bases que simulam o porte de Chaia. Os cubos, com seus emaranhados de cabos e fios elétricos, rompem com a perfeição esperada da forma geométrica. Os cabos pendentes sugerem veias expostas que escorrem até o chão.

O vídeo Faces (2016) enquadra um humano multifacetado. O recurso das máscaras que se sucedem aponta para o estado que é ao mesmo tempo alheado e atento na sociedade atual. Com Faces Lia Chaia volta a colocar o próprio corpo em performance para a câmera de vídeo e, junto a Mostra Lia Chaia 2000-2016, na Sala Antonio, a Vermelho exibe 19 vídeos de Chaiadurante Pulso.

Still de Faces

Pele (2017) é uma ação registrada em fotografia que situa o corpo no cenário da metrópole. No embate entre o urbano e o natural, a sobrevivência depende da permanência e proteção da pele feita do natural. Ou da capacidade e insistência em trocar a própria pele para suportar tal embate.

Pele

Em Camuflagem (2017), duas fotografias apresentam corpos fundidos com a paisagem natural. As imagens combinam o humano com o ambiente natural em uma unidade orgânica.

Camuflagem

Ainda compõem a exposição as obras Tiras (2017) e Setas trançadas (2017), que tratam da circulação em um ambiente hibrido, natural e urbano ao mesmo tempo, assim como na instalação sonora Assobio (2017). No áudio, um som corriqueiro de rua marca um caminhar despretensioso. Trata-se de instalação que se esparrama pelo espaço da galeria.

Mostra Lia Chaia

Um.bigo - 2001

A produção em vídeo de Lia Chaia inicia-se durante seus anos como estudante de artes plásticas na Fundação Armando Alvares Penteado, FAAP, (São Paulo, Brasil) e segue até hoje como uma constante em sua produção. Do robusto corpo de trabalhos da artista nessa mídia, a Vermelho apresenta aqui um recorte de 18 obras em sequência cronológica.

Desenho-corpo - 2001

O uso da mídia por Chaia remonta ao inicio da videoarte no Brasil entre fins de 1960 e inicio dos anos 1970, quando o acesso a câmeras portáteis se iniciou no país com câmeras Portapak que eram trazidas do exterior. Essas câmeras eram alimentadas por baterias e podiam ser carregadas por apenas uma pessoa, ao contrário dos equipamentos então utilizados pela televisão, que eram grandes e, portanto, tinham sua mobilidade reduzida. A portabilidade introduzida pela Portapak permitia gravações externas a estúdios e, assim, permitiam menos planejamentos e mais experimentações. As câmeras também permitiam registro de performances contestadoras em situações privadas em um contexto aonde a ditadura militar e a censura predominavam.

Glam - 2010

A câmera de Lia Chaia é também testemunha das experiências com o (próprio) corpo realizadas pela artista. Seus planos são predominantemente estáticos e, ou, sequenciais, e reforçam a experiência vivida na situação registrada como dado principal dos trabalhos, tendo como antagonistas constantes sua própria constituição e o entorno. Corpo e entorno se traduzem em natureza e construção, primitivo e engenharia; uma oposição que está presente no próprio fazer, em um confronto entre Lia Chaia e o aparelho de gravar.

Ao confrontar os trabalhos cronologicamente, podemos perceber as influencias do rápido avanço tecnológico das filmadoras na produção de Chaia. Com o desenvolvimento dos equipamentos, a artista introduz preocupações formais na elaboração de seus planos, como podemos observar em 2010, com Glam, e em 2013 com Piscina e com Aleph. Em Aleph, temos a primeira ação não realizada pela própria artista registrada em um de seus vídeos. Dessa vez Chaiapermanece por trás da câmera, gravando a ação executada por Fabíola Salles sob sua direção.

Para GB - 2015

Lia Chaia em 2015 produz o vídeo Para GB, uma homenagem a Geraldo de Barros. Ali, Chaia retoma seu corpo como instrumento em uma ação registrada em contexto privado, aproximando-se da poética do homenageado e reaproximando-se de um dado primitivo de sua produção.

Bolas – 2016

Bolas, de 2016, retoma outra característica da obra de Lia, registrando seu percurso pela cidade durante uma performance, como notou Priscyla Gomes em seu texto sobre a exposição É como dançar sobre a artquitetura, realizada por Chaia no Instituto Tomie Ohtake em 2016: “O vídeo Bolas (2016), registra o percurso do corpo da artista agigantado pelo acúmulo de bolas, remetendo a ações cômicas de um clown e devolvendo ao corpo-pedestre certa espontaneidade, humor e proteção.”

Serviço:
Exposição: Lia Chaia – Pulso (salas 1 e 2)
Lia Chaia – Mostra Lia Chaia 2000-2016 (Sala Antonio)
Programa:
Big Bang – 2000 / 2’45’’
Um.bigo – 2001 / 59’47’’
Ressonâncias – 2001 / 10’19’’
Desenho-corpo – 2001 / 49’51’’
Com a sorte dos que gozam – 2001 / 2’18’’
Circulando pinheiros – 2002 / 2’13’’
Cidade pictórica – 2003 / 33’52’’
Comendo paisagens – 2005 / 29’26’’
Minhocão – 2006 / 18’07’’
Ascensão – 2008 / 2’59’’
Argola – 2008 / 3’10’’
Rodopio – 2009 / 5’03’’
Skeleton Dance – 2010 / 5’23’’
Glam – 2010 / 10’14’’
Piscina – 2013 / 6’50’’
Aleph – 2013 / 2’53’’
Para GB – 2015 / 8’55’’
Bolas – 2016 / 4’14’’
Classificação: Livre
Capacidade: 30 Lugares
Abertura: 25 de julho às 20h
Período: 25 de julho a 26 de agosto de 2017
Local: Vermelho