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Véio – a Imaginação da Madeira

Artistas: Cícero

Curadoria: Agnaldo Farias e Carlos Augusto Calil

De 14/3 a 13/5

Itaú Cultural Ver mapa

Endereço: Avenida Paulista, 149 - Cerqueira César

Telefone: (11) 2168-1777

No dia 14 de março, às 20h, o Itaú Cultural inaugura mostra que revela o fabuloso mundo criado pelo escultor sergipano Véio. Em cartaz até 13 de maio de 2018, "Véio – a Imaginação da Madeira", apresenta cerca de 270 peças que ocupam os três andares do espaço expositivo do espaço cultural, localizado na Av. Paulista. Com curadoria de Agnaldo Farias e Carlos Augusto Calil, a mostra tem entrada livre e gratuita.

O artista segura uma de suas peças (Foto: André Seiti / Itaú Cultural)

As obras do artista sergipano são todas realizadas com madeira morta, restos de árvore que ele recolhe nos arredores do sítio onde vive, próximo ao município de Nossa Senhora da Glória, em Sergipe. São criações abstratas, inesperadas, bestiário - cachorros, cobras, pássaros -, gente... Algumas sugerem monstros imaginários, outras aludem a criaturas cujas formas evocam seres familiares; outras, ainda, remetem a figuras endiabradas ou personagens do sertão nordestino em seus afazeres do dia-a-dia. As dimensões variam, podendo não ultrapassar alguns milímetros ou chegar a mais de 2 metros de altura.

Autodidata, Cícero Alves dos Santos começou a esculpir na infância, usando cera de abelha. Foi ainda na infância que Cícero ganhou o apelido com o qual é conhecido e assina a suas obras, que já estiveram em mostras realizadas no Brasil e no exterior. O motivo? Quando criança gostava de andar com as pessoas mais velhas para escutar suas histórias.

Véio, Sem título, s/d - Coleção Diógenes Paixão. 68,3 x 89 x 42 cm (Foto: André Seiti / Itaú Cultural)

"Véio – a Imaginação da Madeira" acolhe o acervo muito particular, ao mesmo tempo sertanejo e transcendental, que o artista acumulou em seus 70 anos, vazada em sua obra notável, que o consagrou como um dos mais importantes brasileiros da arte contemporânea. No Piso 1, que leva o título "Assombro", o público será apresentado a cerca de 50 dessas peças, muitas delas com títulos sugestivos como Os Gêmeos, Adeus, Curvado, Carceiragem, Elefante branco, Araponga O Primata. O acabamento dado por ele a pedaços secos de árvores, troncos, galhos, ramos pode ser visto neste andar em peças grandiosas e coloridas, que vão da combinação imprevista de fragmentos a formas que aludem a bois, cachorros, cobras, pássaros, um bestiário fabuloso, ao qual a mão do artista concede a vida. Nesse mesmo piso, exibe-se um curta-documentário sobre Véio, realizado pela equipe do Instituto em visitas ao seu sítio Soarte, na entrada do sertão de Sergipe.

Descendo para o Piso -1, "Nação Lascada", o público encontra o espaço dividido em três núcleos. O primeiro apresenta mais agrupamentos das figuras grandiosas que povoam o 1º piso, entre elas, Brasileirinho, A amputada, A virgem, Pisou na bola, Cachorrinho. O segundo traz peças que remontam à infância do artista, quando modelava cera de abelha para fazer microesculturas, que destruía quando dele se aproximava algum adulto. Crescido, ele passou a usar madeira para esculpir pequenos personagens, às vezes milimétricos. Aqui, algumas das mais de 140 obras são figurativas, apesar de seu frequente estranhamento, fruto do julgamento moral do escultor. Ora representam momentos do cotidiano, ora, fantasias do universo sertanejo. Ainda neste andar, um terceiro núcleo apresenta obras que compõem a série Os cão do meu inferno, uma coleção impressionante de demônios descarregada nas cores preta e vermelha, em formas intrigantes e perturbadoras.

Véio, Curvado, s/d - Coleção do artista, 120 x 64 x 20 cm (Foto: André Seiti / Itaú Cultural)

Mais um andar abaixo, o Piso -2 abriga e reproduz o "Museu do Sertão". Além de ser o detentor de grande parte do próprio acervo, com mais de 17 mil obras, Véio criou um museu que fica no seu sítio. Assim, o artista tornou-se também um guardião das histórias, dos costumes e das tradições dessa região. O museu contém máquinas primitivas, métodos obsoletos, carro de bois, casa de farinha, ferramentas do ferreiro, sapateiro, objetos das casas sertanejas, como a “chuculatêra” e um caco de torrar café, que, pela primeira vez, saem de Sergipe para compor um recorte do mundo íntimo de Véio, mostrado nesta exposição. Neste piso, ainda, o visitante pode vivenciar uma instalação audiovisual com múltiplas telas e paisagem sonora, que oferece um mergulho no ambiente onde vive o artista.

Véio, detalhe da obra Sem Título, da série Os cão do Meu Inferno, sem data - Coleção Diógenes Paixão. 15 x 11 x 5 cm (Foto: André Seiti / Itaú Cultural)

Obra reconhecida em Sergipe, São Paulo e no mundo
Em texto sobre o artista e sua obra, Agnaldo Farias e Carlos Augusto Calil observam: “Há algo dos escravos de Michelângelo, as placas de mármore das quais brotavam torsos, braços, fragmentos de corpos para sempre aprisionados. A estilização, a feroz alegria, a gratuidade, a invenção o aproximam de Alexander Calder, membro ilustre da sua família artística.”

A Galeria Estação, em São Paulo, dedicou-lhe exposições individuais em 2009, 2015 e 2017. Em 2014, o sergipano cruzou fronteiras quando sua obra foi apresentada em exposição coletiva em Paris, em comemoração aos 30 anos da Fundação Cartier.

Véio, O Primata, 2009 - Coleção Eugênia Gorini Esmeraldo e Francisco de Assis Esmeraldo. 127 x 100 x 93 cm (Foto: João Liberato)

Um ano depois, teve sua obra exposta na Abadia de São Gregório, em mostra paralela à Bienal de Veneza. Em 2017, foi um dos dez ganhadores – na categoria Criar, ao lado da coreógrafa Lia Rodrigues – do Prêmio Itaú Cultural 30 Anos, realizado pelo instituto para destacar personalidades com ação relevante nas artes e na cultura nas últimas três décadas.

Em sua terra natal, além do museu que o próprio artista abriga e de seu acervo pessoal, o Memorial de Sergipe conta com 4 mil peças dele e outras 60 estão no Museu da Gente Sergipana, que ilustram histórias das lendas e tradições da região.

Véio, em seu quintal, entre obras em construção (Foto: André Seiti / Itaú Cultural)

Serviço
Exposição: "Véio - A Imaginação da Madeira", de Cícero Alves dos Santos com curadoria de Agnaldo Farias e Carlos Augusto Calil.
Datas e horários: Abertura dia 14 de março, quarta-feira, às 20h. Em cartaz até 13 de maio de 2018. De terça a sexta-feira, das 9h às 20h; sábados, domingos e feriados, das 11h às 20h.
Local: Itaú Cultural | Avenida Paulista, 149 - Cerqueira César, São Paulo (estação Brigadeiro do Metrô).
Entrada livre e gratuita.