AGENDA DAS ARTES

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Última coletiva do Ano

Artistas: Varios

Curadoria: -

De 26/11 a 21/1

Galeria Vermelho Ver mapa

Endereço: Rua Minas Gerais, 350 - Higienópolis

Telefone: (11) 3138-1520

A Galeria Vermelho apresenta exposição coletiva aonde cada região da galeria busca criar diálogos entre obras produzidas em diversos períodos. A Sala Antonio estreia Diário, de Marilá Dardot, filme produzido durante sua residência na Casa Wabi, em Oaxaca, México.

Em sua última exposição de 2016, a Vermelho organiza Coletiva com obras de 24 artistas, buscando relações e convergências entre obras que se baseiam em técnicas próprias do desenho.

Têm obras na exposição Ana Maria Tavares, André Komatsu, Cadu, Carla Zaccagnini, Carmela Gross, Dias & Riedweg, Dora Longo Bahia, Edgard de Souza, Gabriela Albergaria, Gisela Motta e Leandro Lima, Guilherme Peters, Henrique Cesar, Lia Chaia, Marcelo Moscheta, Maurício Ianês, Nicolás Robbio, Nitsche, Odires Mlászho, Rodrigo Braga, Rosângela Rennó

Nitsche - As built, 2016
Na arquitetura, o termo As Built (como construído) refere-se a um estudo de todas as medidas e proporções existentes em edificações, feito após a construção de um projeto. No trabalho da dupla Nitsche, dos irmãos João e Pedro Nitsche, o procedimento realizado na fachada da Vermelho evidencia todo desenho presente na construção do prédio principal da galeria. Além disso, sua intervenção abre a exposição coletiva como um espelhamento do que haverá dentro da galeria: um estudo de relações entre trabalhos de diferentes épocas, feitos por diferentes artistas.

Ana Maria Tavares - Airshaft para Piranesi VI, 2013
Os trabalhos dessa série mostram ambientes 3D onde um espaço ficcional é construído para comentar a vida utópica e mecânica imaginada pelo modernismo, revelando um mundo perdido abissal. No caso de 'Airshaft', a ideia é reproduzir um mundo que respira inquieto e quebra-se constantemente em uma perspectiva espelhada e fragmentada.

Airshaft para Piranesi VI

Rosângela Rennó - Memory Link, 2009-2010
Onze bastiões e três portões, cada um com uma ponte levadiça, pontuam a imponente muralha de pedra, de planta circular, construída pelos venezianos, que governaram a ilha de Chipre entre 1489 e 1571, para abrigar a capital. Depois de onze anos de guerra civil (1963 - 1974), a ilha foi dividida em dois países, mantidos separados, até hoje, pelo que é chamado de 'último muro da Europa'. Os sobreviventes da guerra não cruzam a fronteira; quem não se recorda desse período parece não se dar conta de que a forma circular da muralha só se completa do outro lado da fronteira.

Rosângela Rennó encomendou onze desenhos 'de memória' para habitantes de Nicosia Norte e Sul,e os aplicou a transparências sobre a foto aérea da muralha, hoje engolida pela cidade que cresceu e ultrapassou o desenho original da fortaleza. O desenho 'de memória' do cidadão comum de Nicosia mostra aquilo a que ele atribui mais relevância ou aquilo que ele conhece e reconhece, dentro de sua vivência pessoal e de seu contato com a cidade. Se o indivíduo só vê 5 dos 11 bastiões da muralha, talvez ignore que existem outros 6, do outro lado do muro. Ou talvez saiba de sua existência, mas não lhes dê nenhuma importância.

Carla Zaccgnini - Petrificación, 2011
Este trabalho examina representações de explosões presentes no Memorial Soviético à Guerra localizado no Parque Treptower, em Berlim, onde altos-relevos de concreto narram a história da Segunda Guerra Mundial através de cenas alegóricas como ponto abstrato, descrito por Zaccagnini como "espaços para o vazio de sentido que caracteriza esta e outras Guerras ". Através do processo de frottage (decalque com lápis sobre papel a partir de uma matriz), Zaccagnini reproduz e solidifica essas imagens amorfas de modo icônico e sintético. O trabalho expressa a frustração inerente a qualquer tentativa de traduzir a experiência - uma tarefa que, como diz o influente teórico pós-colonial Gayatri Chakravorty Spivak, é "impossível, mas necessária".

André Komatsu - Volátil 11, 2016
Na série volátil, barras de ferro são apoiadas por pregos que sustentam sua estabilidade e desenhos são gravados na parede com incisões verticais e horizontais formando uma grade. As barras ficam na posição horizontal, diagonal ou em curva e o desenho se coloca no momento em que há uma distorção na barra. O vergalhão de ferro, material comumente utilizado para estruturar edificações, estabelece uma certa rigidez ao trabalho. O trabalho procura estabelecer uma tensão entre uma realidade invisível, o controle e suas possíveis distorções.

André Komatsu - Estudo de campo, 2016
Na série Estudo de campo, Komatsu mistura impressões, recortes de revista e desenhos com nanquim para investigar a relação entre projeto, construção e política.

Gabriela Albergaria - Raizes de Saman, Hacienda La Trinidad, 2013
O trabalho de Gabriela Albergaria usa frequentemente imagens que têm a sua origem no espaço de jardins e parques. Os jardins representam a nossa ficção do mundo natural e são construções muito elaboradas, sistemas de representação e mecanismos descritivos, mas também ambientes votados ao estudo e ao lazer, isto é, a processos culturais e sociais de produção de noções históricas do que é o saber e o prazer.

Edgard de Souza - Sem título, 2016
Em Sem Título, Edgard de Souza desenha com os dedos sobre uma "pele" de veludo. O desenho formado é referencial ao de outro artista, José Leonilson (1957-1993), com quem de Souza tem/ teve convergências poéticas e pessoais. Há um triplo contato na obra: o do dedo sobre o veludo, o do desenho recriado e o da memória.

Edgard de Souza - Rabiscos, 2016
Os Rabiscos de Edgard de Souza registram seus movimentos. São desenhos feitos durante missões simples: dançar, falar ao telefone, usar as duas mão ao mesmo tempo, usar a caneta até o fim, ser simétrico, evitar a simetria. Cada uma dessas incumbências gera um desenho diferente, seja gráfica ou materialmente, que se impõe sobre o suporte de modo diferente. No entanto são embates e análises de seu corpo, que parece presente em cada um deles.

Henrique Cesar - Atlas, 2015
Atlas é na mitologia grega um titã que sustenta os céus ou a esfera celeste.

Na obra de Henrique Cesar, a cúpula de acrílico é a estrutura que segura a estrela solitária, composta de pontas de para-raios, e carrega gravada em si representações de algumas das leis de funcionamento do universo.

Henrique Cesar - Bioma, 2016
Na série de desenhos de Henrique Cesar, refinarias de petróleo ganham aspectos de microbiomas.

Henrique Cesar - Tratado caligráfico, 2013
Em tratado caligráfico, Henrique Cesar traduz leituras mecânicas de eletrocardiogramas para um testemunho pessoal, feito de próprio punho, sobre as atividades de um coração.

Gisela Motta e Leandro Lima - Circuito impresso, 2008-2016 / Circuito condutor, 2015-2016
Em Circuito Impresso e Circuito condutor, Motta e Lima transformaram, respectivamente, mapas aéreos de transito e de águas de grandes cidades do mundo em placas de circuito impresso de equipamentos eletronicos.

Angela Detanico e Rafael Lain - Where Now Goes To (Zulu time), 2008
Zulu time usa um código de navegação estabelecido no século XIX para transformar o sistema de fusos horários em um alfabeto.

Angela Detanico e Rafael Lain usam estes fusos horários como letras. O novo alfabeto é apresentado como uma cartografia e conecta experiências de tempo e espaço.

Guilherme Peters - Tentativa de aspirar ao grande labirinto, 2013
Em Tentativa de aspirar ao grande labirinto, Peters escrutina um dos Metaesquemas de Helio Oiticica por meio de uma simulação criada com ferramentas de edição 3D. Na obra, Peters se apropria ainda do texto Brasil Diarréia, escrito por Oiticica em 1970, que aponta para a diluição dos elementos construtivos brasileiros.

Marcelo Moscheta - Estudios de revoluciones, 2016
Durante sua residência em Honda, em 2016, Moscheta coletou pequenas pedras no vale do rio Magdalena. Tratado como um estudo geológico detalhado, e baseado na estética das placas de ilustração científica do séc. XVIII feitas por José Celestino Mutis no mesmo lugar, o título refere-se tanto ao movimento de rotação das pedras quanto à história da Colômbia - cenário de Muitas guerras e disputas desde sua colonização. As pedras são os testemunhos desta história moldada em si e na paisagem brutal que as rodeia desde tempos imemoriais. 

Marcelo Moscheta - Ambulare, 2016
Os trabalhos dessa série examinam diferentes intervenções feitas pelo homem na Terra e suas escalas. Esses trabalhos foram realizados a partir de uma imersão de Moscheta no deserto do Atacama, aonde o artista se deparou com trilhas feitas por povos ancestrais. São desenho que o artista enxerga nas construções dessas trilhas ou na manipulação de formas de pedras ou ainda na construção de Apachetas - pequenas pilhas de pedras organizadas de forma cônica como oferendas feitas pelos povos indígenas dos Andes da América do Sul à Pachamama ou a outras divindades, que são normalmente posicionadas em partes mais difíceis das trilhas do deserto.

Nicolás Robbio - Peles, 2016
Nicolás Robbio se inspirou na obra do arquiteto e artista austríaco Friedensreich Hundertwasse, e em seus manifestos, que visavam homem e natureza como um corpo só, para construir xxx. Hundertwasse desenvolveu uma teoria, conhecida como Cinco Peles. A primeira pele seria a epiderme; a segunda seria a vestimenta, como passaporte social e como primeiro nível de distinção de homem do mundo; a casa atua como terceira pele; o meio social e cultural atuam como quarta pele; e a quinta e última pele seria a natureza, o planeta Terra. Na obra de Robbio, as peles são sete: corpo, roupa, casa, bairro, cidade, país e atmosfera.

Nicolás Robbio - Cubo - da série Sólidos platônicos, 2016
A obra de Nicolas Robbio busca, através de linhas, recortes e sobreposições, reformular a estrutura de objetos comuns. Tudo é construído sobre o campo bidimensional: diagramas, contornos e vazios formam um interminável repertório de "notas sobre objetos cotidianos".

Cadu - Trópico de capricórnio, 2014
O políptico evidencia o registro da passagem e da mudança da posição do sol no Trópico de Capricórnio, gravando rastros do sol sobre uma caixa de areia negra, com o auxilio de uma lupa, trinta dias antes do início da primavera. 

Trabalho desenvolvido durante a residência Plataforma Atacama, sob curadoria de Alexia Tala.

Maurício Ianês - Quatro palavras, 2013
Em Quatro palavras, as cinco letras da palavra GESTO são repetidas quatro vezes, com pinceladas feitas à mão por Ianês, e combinadas para formar quatro versões diferentes da mesma palavra. Neste trabalho, ação de escrever/ pintar demonstra a corporificação da linguagem pelo corpo do rtista, e traz à tona o aspecto performático tão presente no trabalho de Ianês.

Quatro palavras 

Dias & Riedweg - Tapetão 1 Blocão, 2016
As obras da série Blocão foram inicialmente criadas em 2014 a partir de uma colaboração com a crítica de arte Glória Ferreira e a artista Juliana Franklin. Blocão reúne uma seleção de frases polêmicas proferidas por políticos e personalidades da mídia.

Odires Mlászho - Riverrun, 2013
Riverrun é composta por 14 partes que, em conjunto, forma uma longa frase, a partir dois alfabetos distintos. À tipologia reta e legível empregada em um deles, Mlászho sobrepõe um segundo alfabeto criado com tipos arcaicos e "torturantes", de difícil compreensão e leitura.

Carmela Gross - Escada F, 2012
Autoportantes, fáceis de carregar e armar, escadas são máquinas simples. (De)compõem o esforço do corpo para atingir alturas, desejadas pelo olhar. No ritmo dos degraus, cada passo vira alavanca para mover o corpo inteiro, coordenando no plano inclinado a força combinada de braços e pernas.

Dora Longo Bahia - Água morta, 2016
Nesta série de pinturas sobre papelão, estão representados destroços de navios deixados no território antes ocupado pelo Mar de Aral, que tem encolhido gradualmente desde os anos 1960 após projetos de irrigação soviéticos terem desviado os rios que o alimentam. Acompanham os navios, imagens de peixes extintos ou em processo de extinção.

Marilá Dardot -Diário
Entre 8 e 30 de janeiro de 2015, Marilá Dardot realizou um vídeo por dia, a par­tir de impactantes manchetes de jornais Mexicanos. No vídeo de enquadramento estático, a artista aparece escrevendo com água as manchetes sobre um grande muro de concreto que, aquecido pelo sol, fazia sumir instantaneamente as mensagens ao evaporar a água usada como tinta. Dardot parece tecer um comentário sobre a efemeridade do impacto causado pelas notícias. Quando visto com os 7 canais simultâneos, "Diário" evidencia a tentativa hercúlea de tentar dar atenção a gravidade das informações compar­tilhadas no muro.
Obra criada durante residência na Casa Wabi, em Oaxaca, México.

Jonathas de Andrade - Ressaca Tropical
O mais recente título da Ubu Editora e de Jonathas Andrade será lançado este sábado, dia 26. Em Ressaca tropical, o atuante jovem artista contemporâneo trabalha na fronteira entre ficção e realidade, texto e imagem. Traz um olhar próprio do autor sobre o lado estético, social e erótico de sua terra, Recife, ao tratar de relações íntimas e explorar sua arquitetura. Este livro-obra conta com produção gráfica experimental: suas páginas com formatos diferentes permitem a interação do leitor com a obra, criando múltiplas visões de seu conteúdo.

A instalação homônima que deu origem ao livro foi montada em 2009 na Galeria Vermelho e participou também das mostras 7ª Bienal do Mercosul (2009), 12ª Bienal de Istambul (2011) e 2ª Trienal do New Museum - the Ungovernables (2012), além de ter sido adquirida como parte do acervo permanente da Tate Collection, em Londres.

A obra surge de uma leitura realizada por Jonathas de um diário erótico, encontrado no lixo, escrito na década de 1970. Nela, a narrativa é criada por seus trechos, como por fotos históricas e de seu acervo pessoal do Recife pós anos 1950. Ao olhar imagens de obras arquitetônicas sobrepostas a cenas do cotidiano, o leitor é convidado a mergulhar no contexto do diário encontrado.

Sobre a obra
Num caderno encontrado pelo artista no lixo um narrador anônimo relata amores, conflitos com o trabalho e reflexões íntimas de seu cotidiano durante o final dos anos 1970 em Recife. Jonathas de Andrade editou trechos desse diário com fotografias de Alcir Lacerda, da Fundação Joaquim Nabuco, e de sua autoria, além de fotos caseiras de acervos pessoais. As imagens retratam o desenvolvimentismo ocorrido no Recife nos anos 1960: diferentes ângulos da cidade nas décadas de 50 e 70, edifícios modernistas semiabandonados registrados entre 2008 e 2009, e cenas cotidianas da praia, em que sobressaem a tropicalidade e o desejo. Ao serem apresentados de forma conjunta, e sem uma hierarquia entre passado e presente, os registros ultrapassam seu caráter puramente documental para compor um arquivo fictício da cidade, evocando um tempo indefinido. Para além do teor sexual, um dos objetivos centrais de Ressaca tropical é discutir o legado modernista na América Latina, contrapondo ruína, desejo e natureza a construção, modernismo e progresso.

A instalação homônima que deu origem ao livro, montada em 2009 na Galeria Vermelho, em São Paulo, participou também das mostras 7ª Bienal do Mercosul (2009), 12ª Bienal de Istambul (2011) e 2ª Trienal do New Museum - the Ungovernables (2012), além de ter sido adquirida como parte do acervo permanente da Tate Collection, em Londres.

Sobre o autor
Nascido em 1982 em Maceió, é artista e trabalha com instalações, vídeos e fotopesquisa. Formou-se em Comunicação Social pela UFPE, em 2007, e realizou diversas exposições individuais, entre as quais se destacam Ressaca tropical (Instituto Banco Real, 2009, e Galeria Vermelho, 2010) e Museu do homem do nordeste (Galeria Vermelho, 2013, Museu de Arte do Rio, 2014, e Alexander and Bonin Gallery, 2015). Em relação ao seu processo artístico, Jonathas afirma que a arte "permite experiências que seriam impossíveis enquanto somente pesquisador ou cientista social. [Parte] de urgências e desconfortos cotidianos, de certa forma até pessoais, que ganham dimensão social através da experiência artística".

EXPOSIÇÃO:
Coletiva: (salas 1, 2 e 3)
Marilá Dardot - Diário (sala antonio)
FILME: Diário
ANO: 2015
DURAÇÃO: 118'
CLASSIFICAÇÃO: Livre
CAPACIDADE: 30 Lugares
PERÍODO: 26 de novembro de 2016 a 21 de janeiro 2017