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TOMIE OHTAKE: NAS PONTAS DOS DEDOS

Artistas: TOMIE OHTAKE

Curadoria: Paulo Miyada

De 12/8 a 23/9

Galeria Nara Roesler Ver mapa

Endereço: Avenida Europa, 655 - Jardins

Telefone: (11) 3063-2344

Nesta exposição de Tomie Ohtake na Galeria Nara Roesler, que acontece simultaneamente à de Dan Graham, o curador Paulo Miyada traz mais uma chave para alcançar o pensamento plástico da consagrada artista brasileira. Focada em pinturas da década de 70, acrescida de algumas gravuras, a mostra inclui parte dos cadernos da pintora – muito pouco conhecidos, mesmo no circuito das artes –, nos quais pequenas colagens revelam como se iniciava a experimentação pictórica de Tomie. Em cartaz até 23 de setembro de 2017, com entrada gratuita.


Tomie Ohtake, Sem Nome, Divulgação.

Os delicados estudos eram feitos a partir de um procedimento singular: rasgar, cortar e colar recortes de papéis comuns do dia-a- dia, como revistas, convites, jornais, folhetos etc. “Prestar atenção nessa processualidade de Tomie Ohtake é ganhar acesso aos vínculos de sua pintura com o acaso, a gestualidade e a ousadia cromática”, assinala o curador. 


Tomie Ohtake, Sem Nome, 1976. Divulgação.

Miyada aponta que os diminutos estudos são um recurso consistente e recorrente na obra da artista até meados da década de 1980. “As composições encontradas serviam de roteiro para pinturas e gravuras que experimentavam diferentes escalas e combinações cromáticas. É como se a prancheta com papéis recortados fosse uma zona de mineração de formas e encontros de cores”, observa o curador.


Tomie Ohtake, Sem Nome, 1979. Divulgação.

Em suas composições da década de 60, Tomie rasgava os pedaços de papel para criar a gênese de suas pinturas. “As figuras, no caso, assemelham-se a formas geométricas simples, porém de contornos tremeluzentes; guardam a memória de terem sido rasgadas com a ponta dos dedos”, ressalta o curador. Já na década de 1970, quando as pinturas começaram a lidar com formas de contornos mais nítidos, os estudos também se transformaram, pois a artista passou a utilizar a tesoura – e nunca régua e estilete – para cortar os papéis. “Era uma forma de lidar com a instantaneidade do gesto e impregnar todo o processo de pintura com seu equilíbrio entre acaso e controle”. 


Tomie Ohtake, Sem Nome, 1980. Divulgação.

Miyada destaca ainda que essas composições dos anos 1970 ficaram mais densas, o branco (a folha em branco) foi tomado por áreas de cor, às vezes sugerindo paisagens. “As texturas da pintura, surpreendentemente, muitas vezes nascem na própria colagem, apropriadas de materiais fotográficos diversos. A paleta cromática também se expande, num corpo a corpo com o cromatismo de uma época que flertava com a psicodelia”, completa.

Serviço
Exposição: "Tomie Ohtake: nas pontas dos dedos", com curadoria de Paulo Miyada.
Datas e horários: Abertura dia 12 de agosto, sábado, das 11h às 15h. Em cartaz até 23 de setembro de 2017. De terça a sexta-feira, das 10h às 19h; sábados, das 11h às 18h.
Local: Galeria Nara Roesler | Av. Europa, 655 - Jardins, São Paulo
Entrada livre e gratuita.