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Tom Zé 80 Anos

Artistas: Tom Zé

Curadoria: André Vallias

De 13/3 a 20/5

Caixa Cultural Ver mapa

Endereço: Praça da Sé, 111 - Centro

Telefone: (11) 3321-4400

A CAIXA Cultural São Paulo apresenta, entre os dias 13 de março e 20 de maio de 2018, mostra que celebra oito décadas de vida do cantor e compositor tropicalista, Tom Zé. A exposição "Tom Zé 80 Anos" reúne obras gráficas, digitais e interativas que perpassam por toda a trajetória do baiano, natural de Irará. Com curadoria de André Vallias, a mostra, assim como o artista, se utiliza da multiplicidade de meios e linguagens para apresentar músicas, fotos, textos e depoimentos - traduzidos em instalações concebidas especialmente para a exposição. A entrada é livre e gratuita durante todo o período de exibição.

A mostra fica em cartaz até maio de 2018. (Foto: André Conti)

Entre as obras, uma linha do tempo detalhada esmiúça os anos de vida de Tom Zé. Fotos de acervo, textos com inclusões em braile e vídeos extraídos de diversos documentários também ajudam a contar a história do artista: desde a vida no interior da Bahia, o começo de carreira e a Tropicália, até o reconhecimento internacional, os prêmios e as homenagens recebidas ao longo dos anos.

A efervescência musical do baiano, obviamente, também ganha destaque. De Tom Zé - Grande Liquidação, primeiro disco autoral lançado em 1968, até Canções Eróticas de Ninar, lançado no ano passado, a discografia completa de Tom Zé, reunindo 28 trabalhos completos, estará disponível na exposição. “É uma celebração dos 80 anos de Tom Zé, focando bastante em sua obra e em seu pensamento musical. Trabalhamos muito em cima das letras mais emblemáticas dele”, explica o curador, que possui no currículo, entre outros trabalhos, a consagrada exposição “Gil 70 anos”, que passou por Salvador em 2013.

Antes de chegar à CAIXA Cultural São Paulo, a exposição estava em exibição na CAIXA Cultural Salvador (Foto: Ulisses Dumas)

A exposição, idealizada pela cantora, produtora cultural e amiga pessoal de Tom Zé, Bete Calligaris, traz ainda a contribuição textual do escritor Antônio Risério, além de uma pequena mostra de um acervo pessoal com mais de 10 instrumentos inventados pelo artista, a partir de objetos e materiais inusitados, e utilizados em muitas de suas gravações e shows. “Além de um tropicalista sem igual, sempre original, e um dos artistas mais vanguardistas que temos, Tom Zé é também um amigo há mais de 25 anos. Depois de ter dedicado homenagens a grandes nomes da MPB, me senti na necessidade de também prestar essa reverência a ele, que celebrou recentemente 80 anos de vida. Iniciamos essa exposição na Caixa Cultural Bahia, onde Tom Zé nasceu, e conseguimos trazê-la para São Paulo, cidade que ele escolheu para viver”, resume Bete Calligaris sobre a idealização da exposição.

“O fato dessa exposição começar na Bahia e depois vir a São Paulo é muito significativo para mim, e muito acertado por conta dos dois laços fortes que mantenho. Tenho muitas amizades profundas aqui em São Paulo que espero rever nesse grande encontro que será essa exposição”, comemora Tom Zé ao falar sobre a homenagem.

Buzinório, instrumento criado por Tom Zé (Divulgação)

Sobre o artista
Antonio José Santana Martins, mais conhecido como Tom Zé, é compositor, cantor, performer, arranjador e escritor. Nascido em 1936, em Irará, na Bahia, começou a se interessar por música ainda quando estudante secundarista, em Salvador, onde cursou por seis anos a Universidade de Música da Bahia, depois de ter passado em primeiro lugar no vestibular. Ainda em Salvador, participou do espetáculo Nós, Por Exemplo, no Teatro Vila Velha e, já em São Paulo, participou da gravação do disco definidor do Tropicalismo, Tropicália ou Panis et Circensis, em 1968, mesmo ano em que grava seu primeiro disco, Tom Zé – Grande Liquidação, que tematiza a vida urbana brasileira em música e texto renovadores.

Em 1973 lançou Todos os Olhos, cuja ousadia, só assimilada por crítica e público muito tempo depois, o afastou dos meios de comunicação, “mas me fez escutado pelos melhores ouvidos do país” – diz o artista. Casualmente no final dos anos 80, o disco Estudando o Samba foi ouvido pelo multiartista David Byrne, ex-Talking Heads, que perguntou por telefone a Arto Lindsay: “Que país é esse, que tem um artista assim e que tão poucos conhecem?”. Em seguida lançou sua obra nos Estados Unidos, com total sucesso de crítica e público. A compilação "The Best of Tom Zé", da gravadora de Byrne, foi o único álbum brasileiro a figurar entre os dez discos mais importantes da década nos EUA.

Enceroscópio, outro instrumento criado por Tom Zé (Divulgação)

Tom Zé passou a ser mais ouvido no Brasil e seu extraordinário desempenho no palco repercutiu no País e nas turnês europeias e americanas. Recebeu o Prêmio de Criatividade, concedido pelos compositores do festival Composer to Composer, em Telluride, EUA, 1990. Em 1998 lançou Com Defeito de Fabricação, disco que fala sobre o homem do Terceiro Mundo, listado entre os dez mais importantes do ano pelo The New York Times. No mesmo ano ganhou o prêmio da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte). Entre 2000 e 2010, foi tema de três documentários, premiados: Tom Zé, ou Quem Irá Colocar Uma Dinamite na Cabeça do Século?, por Carla Gallo (2000); Fabricando Tom Zé, por Décio Matos Júnior (2006); e Tom Zé – Astronauta Libertado, por Igor Iglesias, cineasta espanhol (2009).

Foi ainda vencedor do Prêmio Shell, pelo conjunto da obra, em 2003 e Artista do Ano pela Revista Bravo, em 2006. Em 2010, recebeu do Governo do Estado de São Paulo o Prêmio Governador do Estado – Destaque em Música no ano de 2010. Nos anos seguintes, lançou Tropicália Lixo Lógico (2012), Tribunal do Feicebuqui (2013), Vira Lata na Via Láctea (2014) e, o mais recente, Canções Eróticas de Ninar (2016).

"Tom Zé 80 Anos" possui instalações concebidas especialmente para a mostra. (Foto: André Conti)

Serviço
Exposição: "Tom Zé 80 anos", com curadoria de André Vallias.
Datas e horários: De 13 de março a 20 de maio de 2018. De terça a domingo, das 9h às 19h.
Local: CAIXA Cultural São Paulo | Praça da Sé, 111 – Centro, São Paulo.
Entrada livre e gratuita.