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Sonia Gomes: Ainda assim me levanto

Artistas: Sonia Gomes

Curadoria: Amanda Carneiro

De 14/11 a 10/3

MASP - Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand Ver mapa

Endereço: Avenida Paulista, 1578

Telefone: 11 3251-5644

No ano em que completa 70 anos, Sonia Gomes (Caetanópolis, MG) ganha sua primeira monográfica em um museu paulistano. Em cartaz entre os dias 14 de novembro e 10 de março de 2019, a mostra no MASP se realiza em parceria com o Instituto Bardi e os trabalhos da artista mineira serão exibidos tanto no espaço do museu como na Casa de Vidro, icônicas construções que desafiam a obra de Sonia a dialogar com a arquitetura modernista de Lina Bo Bardi. Única brasileira convidada para a 56a Bienal de Veneza de 2015, curada por Okwui Enwezor, Sonia Gomes iniciou sua carreira aos 45 anos e aos 60 encontrou reconhecimento, estando hoje em plena atividade. "Sonia Gomes: Ainda assim me levanto", com curadoria de Amanda Carneiro, e "Rubem Valentim: Construções afro-atlânticas", integram o ciclo de histórias afro-atlânticas, eixo curatorial ao qual o museu se dedica em 2018. O MASP é gratuito às terças-feiras, e a entrada na exposição é livre para todas as idades.

Sonia Gomes, Correnteza, da série Raiz, 2018. Costuras, amarrações, diversos tecidos e rendas sobre madeira, 90 x 260 x 80 cm. Foto: Divulgação.

"Ainda assim me levanto" é o título escolhido pela própria artista para a exposição, em referência ao poema Still I Rise, de Maya Angelou, escritora e ativista estadunidense reconhecida por sua luta em favor dos direitos civis, sobretudo para os negros e as mulheres. O processo de realização das obras que integram a mostra ocorreu ao longo deste ano, de modo comissionado. E o caráter inédito não reside apenas na exibição de novos trabalhos, mas também na escolha de um dos materiais com o qual ela decidiu trabalhar: a madeira.

Suas esculturas e instalações – comumente executadas em tecido e com peças de mobiliário ofertados à artista ou encontrados ao acaso – são bordadas com minúcia. “Retalhos e também objetos, outrora úteis e depois fadados ao descarte, manipulados manualmente, constituem matéria de poesia nos trabalhos de Sonia Gomes”, afirma Amanda Carneiro, curadora desta exposição e supervisora de mediação e programas públicos do MASP.

“Ao utilizar materiais ligados ao universo doméstico, a artista lhes confere novos significados; eles passam a questionar e, ao mesmo tempo, reafirmar o que se atribui a uma produção feminina, mais ainda, os limites nem sempre explícitos entre arte e artesanato, sublinhando as falsas premissas que distinguem esses campos –dissolução também proposta pela própria Lina Bo Bardi”, completa Amanda. Vale lembrar a exposição A Mão do Povo Brasileiro, 1969/2016 (concebida pela arquiteta junto com Pietro Maria Bardi, Glauber Rocha e Martim Gonçalves) apresentada em 1969 e reencenada em 2016 e que contrastava com o acervo de arte europeia do MASP.

Seu fazer elabora-se em diferentes camadas, cores e texturas e cria uma densidade delicada e, simultaneamente, vigorosa. Com os novos trabalhos, sua produção encontra a rigidez e o caráter sólido do tempo impregnado nos troncos e galhos, em uma referência à ideia de raiz. Segundo Amanda, se até então sua obra lidava com os vestígios da presença afetiva de vida nos tecidos e nos objetos, ao manipular lembranças e recordações, Gomes agora mergulha na longa duração da natureza.

A exposição permitirá ao público uma aproximação com as obras da artista a partir da concepção articulada de uma arte que, como prática, é capaz de semear e apontar questões ligadas a tridimensionalidade, ao volume, ao equilibrio e a materialidade do têxtil e da madeira, bem como sobre repetição, duplicação, sobreposição e alternância das formas – todos parâmetros importantes nos trabalhos da artista.

Sonia Gomes, Memórias. Foto: Divulgação.

Sonia Gomes nasceu em Caetanópolis, cidade mineira que foi importante polo de produção têxtil no Brasil e que a conectou, desde muito cedo, a diferentes tipos de tecido com os quais gostava de brincar.

A artista, embora muito habilidosa em tecer, nunca chegou a aprender técnicas formais de costura. Por outro lado, sempre interferiu em suas próprias roupas e objetos pessoais a partir do trabalho com os tecidos. Formou-se em Direito e advogou até quitar a compra do apartamento onde morava em Belo Horizonte, quando passou a dedicar-se exclusivamente ao que chamava de “suas coisas”: bijuterias, desenhos e trabalhos em tecido.

Ao voltar para o Brasil, depois de uma estadia nos Estados Unidos nos anos 1990, Gomes matriculou-se em um curso de pintura. Na Escola Guignard frequentou uma série de cursos livres no decorrer da mesma década, tendo aulas com nomes como Pedro Augusto e Sara Ávila. Foi a partir daí que começou a se entender e reconhecer como artista.

Sua primeira exposição "Pinturas", em 1994, foi realizada na Casa de Cultura Sete Lagoas, em Minas Gerais. Dez anos depois, expôs suas obras em um antiquário e galeria de Belo Horizonte – à época, já se dedicava às obras em tecido. Em 2008 passou a ser representada por uma galeria e, desde então, a produção de Sonia começou a circular em exposições pelo Brasil e no circuito internacional. Participou, em 2013, da mostra "A nova mão afro- brasileira", com curadoria de Emanoel Araujo, no Museu Afro Brasil e, em 2015, do "19o Festival de arte contemporânea Sesc_VideoBrasil: Panoramas do Sul" e da "56a Bienal de Veneza, All the World’s Futures".

Catálogo
Uma publicação será lançada, no dia da abertura, e resulta de uma parceria com o Museu de Arte Contemporânea de Niterói, que recebe uma exposição monográfica da artista entre os meses de agosto a novembro deste ano, chamada "A Vida Renasce, Sempre". O catálogo, com versões em português e inglês, inclui textos de Amanda Carneiro, Raphael Fonseca (curador da exposição carioca ao lado de Pablo León de la Barra), Cecilia Fajardo-Hill, Júlia Rebouças e Rodrigo Moura.

Histórias afro-atlânticas
A exposição ocorre em um ano inteiro dedicado às trocas culturais em torno do Atlântico, envolvendo África, Europa e Américas ---que inclui mostras individuais de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, Maria Auxiliadora e Emanoel Araujo, que ocorreram no primeiro semestre, a coletiva Histórias Afro-atlânticas, realizada no segundo semestre, e as exposições de Lucia Laguna e Pedro Figari, programadas para dezembro. O encerramento da mostra de Sonia, em 2019, se dará no ano das histórias feministas e das histórias das mulheres.

Na sala de vídeo também serão apresentados, ao longo de 2018, autores de diferentes nacionalidades, gerações e origens capazes de contar outras histórias da diáspora negra. Os artistas que participam do programa são: Ayrson Heráclito (19/4 a 17/6), John Akomfrah (28/6 a 12/8), Kahlil Joseph (23/8 a 30/9), Kader Attia, (11/10 a 25/11), Catarina Simão (13/12 a 27/01/19), Jenn Nkiru (08/02 a 24/03/19) e Akosua Adoma (14/6 a 18/7/2019).

Sonia Gomes. Foto: DIvulgação.

Serviço
Exposição: "Sonia Gomes: Ainda assim me levanto", com curadoria de Amanda Carneiro.
Datas e horários: De 14 de novembro de 2018 a 10 de março de 2019. De quarta a domingo, das 10h às 18h (bilheteria aberta até as 17h30); terça-feira, das 10h às 20h (bilheteria até 19h30).
Local: MASP (Primeiro subsolo) | Avenida Paulista, 1578 - São Paulo.
Ingressos: R$35 (entrada); R$17 (meia-entrada). O MASP tem entrada gratuita às terças-feiras, durante o dia todo.