AGENDA DAS ARTES

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SITU #7 - Errata

Artistas: Ana Dias Batista

Curadoria: Bruno de Almeida

De 7/11 a 20/1

Galeria Leme Ver mapa

Endereço: Avenida Valdemar Ferreira, 130 - Butantã

Telefone: (11) 3814-8184

A Galeria Leme apresenta "SITU #7 - Errata", sétima edição do projeto da galeria, dando continuidade a uma pesquisa sobre o diálogo entre arte, arquitetura e cidade como ferramenta para a análise e problematização das dinâmicas urbanas. Para esta edição, que fica em cartaz entre 7 de novembro e 20 de janeiro de 2018, a artista brasileira Ana Dias Batista cria uma obra inédita e site-specific que sublinha as tensões e contradições da relação entre o edifício da galeria e a cidade, intervindo diretamente na fronteira entre o espaço público e o privado, nomeadamente nas fachadas principais do edifício e no pátio que se abre entre elas. A entrada é livre e gratuita.

Ana Dias Batista (Divulgação)

Sobre o conjunto de pichações, desenhos e escritos que foram sendo acumulados ao longo do tempo nas fachadas cegas da galeria, a artista acrescenta uma outra pintura comumente encontrada pela cidade. A linguagem é o grafite e o motivo é o de um muro de pedras, um tipo de desenho normalmente encomendado por indivíduos que desejam refrear pinturas indesejadas sobre as paredes de suas propriedades. Ao contrário da pichação, tais grafites são legalmente permitidos e socialmente aceitos. Assim, usam estrategicamente um tipo de linguagem para evitar uma outra congênere, jogando com um código de conduta que existe entre aqueles que pintam (legal ou ilegalmente) as paredes da cidade. Mas, apesar de suas semelhanças formais com os demais, o muro encomendado por Ana Dias Batista parece operar segundo uma outra lógica. Ele chega tarde para evitar qualquer tipo de desenho ilícito e parece conviver de igual para igual com estes. Ao ser interrompido pelo pátio da galeria, o muro bidimensional transforma-se, fragmentando-se em inúmeros obstáculos viários de concreto distribuídos pelo chão desse espaço, que apesar de ser aberto à cidade é normalmente usado como estacionamento privado. Mas tais obstáculos também não parecem cumprir a sua função original de ordenar e limitar o trânsito automóvel. A sua quantidade é excessiva, o seu posicionamento é ilógico e redundante e tampouco impede a circulação de veículos naquele lugar.

Ao perturbar a normalidade de elementos cuja função é regrar determinadas ações do cidadão no seu trato com a cidade, a artista evidencia o caráter paliativo e contraditório de tais estratégias. Ao baralhar quais territórios devem ser protegidos e quais os atores devem ser coibidos, a artista vai na contramão de um determinismo característico da atual política de higienização sócio-espacial consumada através da atuação direta na cidade seja através de seu suposto embelezamento ou da obliteração de espaços e discursos que escapam à norma oficial. Dentro desta forma de se entender o espaço urbano, o grafite de muro de pedras, popularizado pelo gosto popular, parece ganhar ainda mais sentido, já que esse muro é o elemento arquétipo da separação territorial, a base para a definição do limite entre o público e o privado, entre uns e outros, entre o que pode ser visto e o que se pretende ocultar, sendo assim causa e consequência de uma sociedade “murada”.

Confira também a mostra "Assentamento", de Jaime Lauriano, que a galeria exibe simultaneamente em seu espaço.

Serviço
Exposição: "Projeto SITU #7 - Errata", de Ana Dias Batista
Datas e horários: Abertura dia 07 de novembro, das 19h às 22h. Em cartaz até 20 de janeiro de 2018. De terça a sexta, das 10h às 19h; sábados, das 10h às 17h.
Local: Galeria Leme | Av. Valdemar Ferreira, 130 - Butantã, São Paulo.
Entrada livre e gratuita.
Agradecimentos à Galeria Marilia Razuk.