AGENDA DAS ARTES

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São Paulo não é uma cidade - invenções do centro

Artistas: Vários

Curadoria: Paulo Herkenhoff e Leno Veras

De 19/8 a 28/1/18

Sesc 24 de Maio Ver mapa

Endereço: Rua 24 de Maio, 109, Centro, São Paulo- SP

Telefone: (11) 3350-6300

Em 19 de agosto, a mais nova unidade do Sesc São Paulo abre suas portas no coração da capital paulista apresentando ao público a mostra “São Paulo não é uma cidade - invenções do centro”. Com curadoria de Paulo Herkenhoff e Leno Veras, especialmente proposta pelo Sesc SP para a inauguração do Sesc 24 de Maio, a exposição vai além das artes visuais ao trazer uma temática, peças e suportes que provocam o debate sobre a constituição do centro da cidade a partir da análise dos conceitos de Centro e de Cidade. A msotra segue em cartaz até 28 de janeiro de 2018, com entrada livre e gratuita.


Catedral (2009-2011)- Vanderlei Lopes. Bronze patinado, água do mar, tamanho 99 x 100 x 51 cm.

“São Paulo não é uma cidade - invenções do centro” ocupa todo o 5º andar do Sesc 24 de Maio, com seus 1.300 m² de área. A mostra apresenta uma possibilidade de leitura do centro de São Paulo, a partir dos conceitos de cidade, centro e os contextos da história, da arte, da arquitetura, do urbanismo, da indústria, do comércio e dos lugares emblemáticos, assim como sobre as pessoas, ofícios, saberes e cotidianos dessa composição urbana complexa e diversa.

O recorte é similar a um almanaque e busca apresentar dados fundamentais e de destaque desta região, assim como curiosidade e leituras críticas sobre o centro. São aproximadamente 30 núcleos (Ciclos Econômicos; Políticas e Oligarquias; Especulação e Desabrigo; Apagamento Cultural, entre outros) que abrigam diferentes técnicas como gravura, fotografia, pintura, indumentária, escultura, cerâmica, lambe-lambe, além de mapas, maquetes, documentos, entre outros. De modo não linear ou cronológico os curadores propõem uma experiência múltipla e diversa para os visitantes, abordando o assunto sobre diversas camadas de aprofundamento. 


Claudia Andujar.

Resultado de um processo que os curadores iniciaram há quase um ano, envolveu pesquisas em acervos, arquivos e bibliotecas, coleções públicas e privadas de distintos estados do país, exibindo ao público cerca de 400 peças - entre obras de arte, documentos e objetos - de mais de 150 autores, numa tentativa de abranger ao máximo as representações da cidade e sua polifonia.

Lá estão Debret e Claudia Andujar, Flávio de Carvalho e Márcia Xavier, Rochelle Costi e Brecheret, expoentes da Semana de 1922 e artistas engajados como Igor Vidor e Jaime Lauriano, que produziram obras especialmente para a mostra.


Felisberto Ranzini, Panorama. Coleção Particular Ruy Souza e Silva.

Para o diretor regional do Sesc, Danilo Santos de Miranda, "o centro das cidades reúne e concentra importantes questões e perspectivas para o debate das potencialidades e contradições possíveis em uma megalópole. Paulo Herkenhoff e Leno Veras responderam com acuidade ao convite do Sesc, ao apresentar o centro da cidade de diversas épocas e sob diferentes reflexões. Esse retrato, que tão bem conhecemos, traz a ênfase destes diversos cruzamentos e leituras artísticas contemporâneas."

Conceito e Espaço expositivo
O nome da exposição foi inspirado numa provocação de Vilém Flusser, filósofo nascido e falecido em Praga (1920-1991) que viveu por 32 anos em São Paulo. Ele defendia a tese que São Paulo-capital não pode ser considerada uma verdadeira cidade, uma vez que o termo implicaria uma vida urbana “civilizada”. Para Flusser, São Paulo não apresenta essa forma de vida urbana, razão pela qual deveria apenas ser chamada de “conglomerado urbano” ou assentamento.

Em “São Paulo não é uma cidade - invenções do centro”, Paulo Herkenhoff e Leno Veras trazem à tona indagações a respeito das lógicas de constituição de centralidades, questões políticas e de poder. “A mostra também põe foco no questionamento sobre a cidadania como uma condição ameaçada pela dinâmica social da urbanidade contemporânea, distanciada de uma ética do comum e impregnada pela desigualdade”, diz Herkenhoff.

A proposta das paredes translúcidas da arquitetura de Paulo Mendes da Rocha proposta para o edifício, fazendo com que o visitante relacione dinamicamente com sua vizinhança do edifício, será explorada pela curadoria e equipe de arquitetura da exposição. Uma das características do projeto expográfico da mostra foi propor um diálogo entre determinadas obras com o entorno da cidade que poderá ser visto do 5º andar do prédio.

“A decisão de refletir sobre a natureza deste espaço expositivo é a tônica desta ocupação, em uma aproximação que discute a hipótese de centralidade que a história oficial atribui ao território em que a exposição se insere, tendo em vista a multiplicidade e diversidade de fluxos que entrecruzam esta geografia”, resume Leno Veras.

Projetos em processo
Entre os artistas contemporâneos que desenvolveram obras especialmente para a exposição estão Jaime Lauriano e Igor Vidor. Lauriano desenvolve um trabalho cujo foco é o resgate da história afro-brasileira em São Paulo, apagada pela urbanização gentrificadora (modificação do espaço urbano, em que áreas são remodeladas e transformadas em espaços nobres ou comerciais), enquanto Vidor realiza obra a partir de pesquisa sobre a Operação Camanducaia, ocorrida durante o regime militar, que levou à força crianças e adolescentes em situação de rua do centro da capital para fora do estado de São Paulo.

Releituras e adaptações de obras também foram realizadas especialmente para a mostra por artistas de reconhecida relevância na produção contemporânea brasileira. As criações de Raphael Escobar e Giselle Beiguelman dialogam com a atual situação dos usuários de drogas no centro da cidade, especialmente sob a ótica das recentes intervenções policiais ocorridas na região denominada “cracolândia”. A curadoria destaca ainda Rosana Palazyan e sua obra “Realejo”, de 2003, que ganha adaptação agora. A artista coletou depoimentos nas ruas, transformando-os em fichas de sorte de um realejo. Articuladas a outros materiais relativos à pesquisa que embasa a obra, essas vozes serão levadas ao público por meio de um dos últimos operadores desse mecanismo que fazia parte da cultura popular até o século XX e que atuará para os visitantes da exposição durante os finais de semana. Rosana Paulino, Rochelle Costi, Márcia Xavier e Daniel Lannes também integram o grupo de artistas que adaptaram uma obra já existente para o contexto da exposição.

Serviço
Exposição: "São Paulo não é uma cidade - invenções do centro", coletiva com curadoria de Paulo Herkenhoff e Leno Veras.
Datas e horários: Em cartaz entre os dias 19 de agosto de 2017 e 28 de janeiro de 2018. De terça a sábado, das 9h às 21h; domingos e feriados, das 9h às 18h. 
Local: Sesc 24 de Maio | Rua 24 de Maio, 109 - Centro, São Paulo.
Entrada livre e gratuita.