AGENDA CULTURAL

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QAP: Tá na escuta?

Artistas: Varios

Curadoria: Paulo Miyada

De 5/5 A 21/5

Instituto Tomie Ohtake Ver mapa

Endereço: Avenida Brigadeiro Faria Lima, 201 - Pinheiros - São Paulo - SP CEP 01451-001

Telefone: (11) 2245-1900

O Arte AtualFestival 2017,que marca a participação do Instituto Tomie Ohtake no Festival Path, terá um formato inusitado, reforçando o caráter experimental de seu partido curatorial e a abertura a jovens artistas. O projeto desta edição, concebido pelo curador Paulo Miyada e sua equipe do Núcleo de Pesquisa e Curadoria da instituição, coloca o artista em particular contato com o público para refletir sobre os recursos disponíveis de comunicação e experimentar possibilidades de modos de escuta.

Os artistas - Aleta Valente, Daniel Jablonski, Henrique Cesar, Ícaro Lira/Júlia Coelho, Raquel Nava/Cila MacDowelle Renata Cruz – foram convidados, mas não para exibir suas obras. Em QAP: Tá na escuta?,título alusivo à sigla usada por operadores de rádio, a ideia é que as salas de exposição fiquem vazias de trabalhos, mas ocupadas por convites para entrar em contato direto com os artistas, por meio de canais telefônicos, postais ou virtuais.

Miyada aponta que, talvez, a escuta seja o bem imaterial mais escasso na corrente era de hipercomunicação, apesar das muitas possibilidades de se estar em contato. “São tantos recursos para estar perto de quem se está longe, quanto para, ao contrário, estar longe de quem está diante de nós. A comunicação nas mais diversas mídias é uma obsessão do tempo presente: nunca tanta gente falou tanto, mas será que tem alguém ouvindo? E, se está ouvindo, alguém realmente está escutando o que os outros têm a dizer?”, indaga o curador.

A exposição propõe que nesse contato os projetos artísticos efetivamente aconteçam, transmitidos e processados em canais de comunicação direta entre artista e público. Trata-se de uma proposta em aberto cujo resultado, portanto, será uma incógnita. “Haverá espaço para respostas? Se sim, haverá respostas? E, depois, alguma conversa é plausível?”Segundo a curadoria, essas são perguntas que precisam esperar pelo imprevisível da comunicação, amplificado nesse caso pelo caráter íntimo ou privado do que se anuncia no espaço expositivo.

Sobre os trabalhos:
Aleta Valente (Vive e trabalha no Rio de janeiro) problematiza a questão do aborto por meio de um canal aberto à discussão sobre o tema. Sua produção traz à tona muitos dos temas latentes em redes sociais, meios pelos quais Aleta desenvolve parte importante de seu trabalho. Na sala, ela convida ao público, a partir de um banner com o seu número de telefone, a entrar em contato caso desejem falar sobre aborto. A linha, como espécie de S.O.S., funcionará 24 horas.

Em “Fwd: Desculpe pela demora”, Daniel Jablonski(Vive e trabalha em São Paulo) coloca como eixo central a correspondência via e-mail, ferramenta fundamental na comunicação contemporânea. Partindo de uma citação de Ricardo Piglia sobre o caráter de “dívida” que toda a correspondência carrega, a proposta do artista é de que o público lhe encaminhe via e-mail todas as conversas “perdidas” ou interrompidas, por qualquer motivo que seja, para que ele as encaminhe, dando alguma continuidade a estas. Tais conversas ficariam expostas na sala através de papéis, indicando o remetente original, o artista e o destinatário.

Intitulado "Audioguia da QAP" o trabalho de Ícaro Lira e Julia Coelho (Vivem e trabalham em São Paulo) - com a colaboração deLuisa Puterman, consiste em uma pesquisa sobre o Instituto Tomie Ohtake, o que inclui não somente os seus programas públicos, como exposições, mas o seu impacto na vida pessoas que o visitam e das que vivem nas proximidades. O produto final da pesquisa realizada é um áudio que contém trechos de depoimentos, sonoridades diversas e outros documentos que fazem referência ao que acontece no próprio espaço que aloca a exposição. Esse áudio estará presente como uma peça para ser ouvida na instituição, mas também se infiltrará como audioguia oficial da mostra. Trechos transcritos e pistas estarão presentes também em alguns estabelecimentos e locais do entorno, de forma a acentuar essa relação explorada no trabalho.

Um website interativo no qual o público pode contribuir enviando documentos, como textos, imagens e vídeos é a proposta de “O informante”, de Henrique Cesar (Vive e trabalha em São Paulo). Essa plataforma é uma espécie de arquivo que contém tanto as referências do artista quanto daqueles que desejam participar. A partir dos documentos, Henrique Cesar formula relações que não são necessariamente lineares ou que possuam sentido explícito.

Já Renata Cruz (Vive e trabalha em São Paulo) investiga as dimensões da escuta e da troca, utilizando o desenho como meio. Em uma mesa, a artista deixará papéis e lápis sempre dispostos para que o público possa fazer desenhos a partir do seu convite de observação da cidade. Cruz estará presente em diversos dias da exposição para realizar trocas sobre essas visões do espaço urbano com os visitantes. Ao longo da mostra, será construído um mural contendo os desenhos desse diálogo.

Por sua vez, Raquel Nava, em parceria com Cila MacDowell (Vivem e trabalham em Brasília e Rio de Janeiro), busca propor ao público exercícios telepáticos, nos quais duas pessoas deverão estar diretamente envolvidas: uma como emissora, a outra como receptora. São três exercícios diferentes, que se valem de instruções presentes em uma mesa, disposta no espaço expositivo. O objetivo final é experimentar e tentar perceber limites dessa possibilidade de comunicação, comparando imagens recebidas e enviadas pelos participantes.

Serviço: 
Exposição:  QAP: Tá na escuta? –Arte AtualFestival
Abertura: 05 de maio, às 20h
Até 21 de maio de 2017
Entrada franca
Instituto Tomie Ohtake