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Pierre Verger - Arte e Historia

Artistas: Pierre Verger

Curadoria: -

De 24/2 a 4/4

Galeria Marcelo Guarnieri Ver mapa

Endereço: Alameda Lorena, 1835 - Jardim Paulista

Telefone: (11) 3063-5410

A Galeria Marcelo Guarnieri apresenta, entre os dias 24 de fevereiro e 4 de abril de 2018, mostra com material inédito do fotografo, antropólogo e pesquisador Pierre Verger. "Pierre Verger - Arte e Historia" exibe cerca de 120 fotografias realizadas entre as décadas de 1930 e 1960 durante as inúmeras viagens que Verger fez pelos cinco continentes, além de publicações e materiais de arquivo como documentos e provas de contato. A entrada é livre e gratuita.

Pierre Verger, Pesca Itapuã, Salvador, Brasil, 1946-1947. Gelatina e prata. Crédito: Fundação Pierre Verger.

A exposição apresenta aspectos nunca abordados da carreia de Verger através de quatro núcleos que destacam diferentes momentos da produção do fotógrafo: fotografias encomendadas por ou vendidas para agências; livros editados pela Editora Corrupio; fotografias produzidas durante suas viagens de pesquisa pela Costa do Benin e Bahia e uma seleção de cópias assinadas que integraram a exposição "Pierre Verger, Le Messager", organizada pela editora Revue Noire, em 1993, no Musée d’Art d’Afrique et d’Océanie, em Paris (França).

O primeiro núcleo apresenta parte da produção do fotógrafo para importantes agências, jornais e revistas - como Alliance-Photo, Magnum, Life e O Cruzeiro - entre os anos de 1932 e 1950. Entre os destaques da seção estão os registros da II Guerra na China, nos quais figuram o cotidiano dos soldados e destroços silenciosos nas cidades de Xangai e Nanquin. Uma das caixas-arquivo que Verger usava para preservar e organizar pequenos envelopes com provas de contato identificadas e catalogadas, assim como outras placas de contato preparadas pelo fotógrafo também integram este primeiro núcleo.

Pierre Verger, Moorea, Polynésie Française, 1933. Gelatina e prata. Crédito: Fundação Pierre Verger.

O segundo núcleo é composto por livros editados pela Corrupio, editora baiana que foi fundada em 1979 a partir do interesse em divulgar e preservar a obra de Pierre Verger, sendo a primeira a publicá-lo no Brasil. A editora dedicou-se às relações entre África e Bahia e manteve uma relação estreita de colaboração com o fotógrafo até o fim de sua vida. Além de livros como Orixás: os deuses iorubás na África e no Novo Mundo, de 1981, ou até mesmo o boneco original de 50 anos de fotografias, de 1982, poderão ser vistas algumas ampliações das imagens que foram reproduzidas em seus livros.

O terceiro núcleo traz a produção de Verger de meados dos anos 1940 e início dos anos 1950, quando investigou as relações entre Bahia e África, mais especificamente os rituais e costumes das culturas e religiões afro-brasileiras e africanas em Salvador e na Costa do Benin. Foi a partir deste momento que se tornou um estudioso do culto aos orixás, com uma bolsa de estudos que o levou para a África onde renasceu como Fatumbi ("nascido de novo graças ao Ifá") e foi iniciado como babalaô, um adivinho através do jogo do Ifá. Sua pesquisa resultou em livros, escritos, fotografias e exposições, e é tida como referência para os estudos sobre a cultura diaspórica. Integram também a terceira seção algumas ampliações de negativos referentes ao candomblé na Bahia, realiadas pelo fotógrafo Mario Cravo Neto na década de 1990.

Pierre Verger, Pancetti, Salvador, Brasil, 1946-1950. Gelatina e prata. Crédito: Fundação Pierre Verger.

O quarto e último núcleo é formado por uma seleção de cópias assinadas por Verger que fizeram parte da importante exposição "Pierre Verger, Le Messager", organizada pela Revue Noire, em 1993, no Musée d’Art d’Afrique et d’Océanie. A Revue Noire foi uma das primeiras revistas a destacar a arte contemporânea africana no mercado ocidental e a exposição, apresentada na Suíça e na França, teve um importante papel para o retorno de Verger ao cenário da fotografia de seu país de origem. As imagens foram feitas entre os anos de 1930 e 1960 e apresentam cenas de rua, de trabalho, de festa e de descanso em diversos países como Peru, Bolívia, Vietnã, Estados Unidos, Japão, Cuba, Brasil e Nigéria.

As fotografias do franco-brasileiro trazem registros de manifestações espontâneas da vida humana, priorizando minorias culturais e situações de contato deixando de lado as abordagens exotizantes ou pitorescas bastante comuns. Sua câmera Rolleiflex, carregada à altura do peito, permitia ao fotógrafo aproximações menos invasivas e enquadramentos menos calculados por não se posicionar diante dos olhos. Desse modo, a câmera era mais um instrumento de apreensão de momentos de contato com o outro e a imagem gerada, a expressão de um evento ainda pouco elaborado pela consciência. Verger afirmava que a fotografia tinha funções estéticas, documentais, afetivas e políticas, e, além disso, cumpria um importante papel enquanto discurso sobre fotógrafo e fotografado. Em suas palavras: “A fotografia permite ver o que não tivemos tempo de ver, porque ela fixa. E mais, ela memoriza, ela é memória.”

Pierre Verger, Saut d'eau, Haiti, 1948. Gelatina e prata. Crédito: Fundação Pierre Verger.

Serviço
Exposição: "Pierre Verger - Arte e Historia".
Datas e horários: Abertura dia 24 de fevereiro, sábado, das 14h às 18h. Em cartaz até 4 de abril de 2018. De segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 17h.
Local: Galeria Marcelo Guarnieri | Alameda Lorena, 1835 – Jardins, São Paulo.
Entrada gratuita.