AGENDA CULTURAL

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Performances

Artistas: Paulo Bruscky

Curadoria: -

De 10/6 a 22/7

Galeria Nara Roesler Ver mapa

Endereço: Avenida Europa, 655 - Jardins

Telefone: (11) 3063-2344

Nome icônico da arte conceitual brasileira, Paulo Bruscky (1949, Recife, PE), paralelamente à sua destacada participação na 57ª Bienal de Veneza, traz para a sede paulistana da Galeria Nara Roesler quatro de suas performances que serão apresentadas ao público durante a abertura da exposição (10/06): a inédita Festa, Xeroperformance,

Poema Amassado e Eletrocardiograma ou Poemas feitos com o coração. Os quatro trabalhos serão registrados em vídeos e exibidos no período da exposição.

Em Festa (2017), Bruscky incorpora a energia lúdica inerente às festividades brasileiras ao incluir o díptico Traques I e II (2011) – no qual recorda sua infância e as Festas de São João no Norte do Brasil –; a tela Bom Dia (2017) – produzida com restos de fogos de artifício usados para comemorar o Ano Novo –; e Carnaval (2017) – performance em que o confete simboliza a data. Num artigo intitulado Pernambuformancefolia, o artista discorre sobre o significado do carnaval, e sua definição também se aplica às festividades populares brasileiras em geral. “Tão antiga quanto a história da humanidade, é na carnavalizAÇÃO que a performance assume, de uma forma prática/contínua… Num palco chamado Pernambuco, cada folião é um performático, inventando gestos, quebrando conceitos, criando estéticas, mesclando linguagens, assumindo/teatralizando o seu personagem...”escreve Bruscky. 


Paulo Bruscky, xeroperformance. Foto cortesia do artista.

Em seus primeiros experimentos com a fotocopiadora, Bruscky manipulou a luz para criar distorções e sobreposições, efeitos que só podiam ser obtidos com uma máquina de Xerox. Dessas primeiras investigações surgiu Xeroperformance (1977/1980/1982/2017), série de obras em que Bruscky registrou seus gestos corporais na placa de vidro de uma copiadora, incorporando sua fisicalidade ao trabalho. Durante a performance os convidados terão a oportunidade de juntar-se ao artista e utilizar a máquina para registrar suas expressões. “Eu estudo equipamentos para ver como posso subvertê-los, retirá-los de sua função — quer dizer, torná-los nossos aliados, certo”?, indaga Bruscky.

O interesse de Bruscky por arte e tecnologia foi ainda mais aguçado pelo fato de ter trabalhado a maior parte de sua vida no setor de saúde. Após atuar na administração de hospitais, foi diretor de Recursos Humanos do Ministério da Saúde em Pernambuco. Sua familiaridade com profissionais da saúde e equipamentos médicos permitiu que tornasse o mundo dos raios-X, encefalogramas e ecocardiogramas seu domínio criativo. Eletrocardiograma ou Poemas feitos com o coração (1976/ 2017) é uma reedição, quarenta anos depois, de sua primeira performance com um ECG, realizada quando era funcionário do Hospital Agamenon Magalhães, em 1976. Na performance, o artista registra seus batimentos cardíacos com um eletrocardiógrafo e apresenta os resultados

como uma expressão de suas emoções. A obra é baseada no desejo de não só de investigar os meios de comunicação, mas de desafiar o status quo. Em suas palavras, “na troca de informações entre artista e cientista, um aprende com o outro. Considero essa troca de informações essencial. Cada um em sua área, sem ser absorvido. É mais fácil subverter o cientista do que o contrário. Somos cientistas também”. O artista pioneiro no Brasil da arte postal, que manteve intensa troca de correspondências com Hélio Oiticica e que dialoga com o movimento Fluxus, trilhou sua obra por meio da experimentação e do compartilhamento, ao abordar, como um dos aspectos centrais de sua produção, a circulação do objeto artístico, além do questionamento sobre o estado da arte. Bruscky desenvolve projetos nas mais variadas linguagens que se cruzam e reaparecem reformulados em diferentes meios. 


Paulo Bruscky- Arte. Foto cortesia do artista.

Como aponta Cristina Freire, se meios e técnicas (artista multimídia, inventor, educador, poeta, fotógrafo, arquivista, editor, curador) não definem a prática artística de Paulo Bruscky, a dicotomia centro-periferia tampouco esclarece a vasta e diversificada face de uma obra que, não por acaso, só muito recentemente vem sendo mais conhecida. “Observa-se, em sua trajetória, que sua poética caminha lado a lado com a busca quase quixotesca da ampliação da sensibilidade, sempre incluindo mais interlocutores. À margem do sistema oficial de legitimição, orienta-se para as bordas, na direção de um descentramento total de emissores e receptores de suas mensagens artísticas” destaca a crítica.

Em 2017, além da participação de Bruscky na 57ª Bienal de Veneza e mostras na Galeria Nara Reosler de Nova York e São Paulo, o artista ganha significativa exposição no Centre Pompidou em Paris, no próximo semestre.

O artista participou das 16ª, 20ª, 26ª (sala especial) e 29ª edições da Bienal de São Paulo, 10ª Bienal de Havana (sala especial), 7ª Bienal do Mercosul (sala especial), entre outras bienais, e da Trienal Poli/Gráfica de San Juan em Porto Rico. Suas obras integram acervos como: MoMA, Nova York, EUA; Guggenheim Museum, Nova York, EUA; Tate Gallery, Londres, Inglaterra; Museu de Arte Moderna de São Paulo, São Paulo, Brasil; Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil; Museu d’Art Contemporani de Barcelona, Barcelona, Espanha; Stedelijk Museum, Amsterdã, Holanda; entre outros. Ao longo de sua carreira, foi contemplado com diversos prêmios. Em 2009, foi anistiado e recebeu o título de Cavaleiro da Ordem do Mérito Cultural, maior honraria do governo brasileiro, e, em 2011, foi homenageado com o prêmio hors concours de arte e tecnologia do Instituto Sergio Motta.

Serviço:
Paulo Bruscky - Performances
Abertura: 10 de junho, das 11h às 15h
Exposição até 22 de julho de 2017
Local: Galeria Nara Roesler