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Os americanos e Os livros e os filmes

Artistas: Robert Frank

Curadoria: Samuel Titan Jr., Sergio Burgi e Gerhard Steidl

De 20/9 a 30/12

Instituto Moreira Salles Paulista Ver mapa

Endereço: Avenida Paulista, 2424 - São Paulo, SP

Telefone: (11) 2842-9120

O IMS Paulista apresenta, pela primeira vez no Brasil, a famosa série "Os americanos", de Robert Frank (1924), um dos nomes mais importantes da história da fotografia. A coleção, com 83 fotografias em cópias da década de 1980, pertence à coleção da Maison Européenne de la Photographie, de Paris, e é uma das poucas séries completas da obra de Frank. A exposição apresenta também o projeto "Os livros e os filmes", desenvolvido por Robert Frank em parceria com o renomado editor e impressor Gerhard Steidl. 


Robert Frank.

"Os americanos" é o resultado da jornada de Frank pelos Estados Unidos, em que percorreu quase todos os estados. Fruto de uma bolsa da Guggenheim Fellowship, a viagem de Frank em um velho carro usado durou cerca de nove meses, entre 1955 e 1957, e originou mais de 28 mil fotografias, que se tornaram verdadeiros retratos de uma América multifacetada. No projeto, concebido e construído em intensa interação com o fotógrafo Walker Evans, seu amigo e mentor, o registro dos personagens do país em recortes sociais, econômicos, culturais e políticos distintos deram origem a um livro homônimo, cuja versão brasileira será publicada pelo IMS – em parceria com a célebre editora alemã Steidl. 


Robert Frank.

Em "Os americanos", Frank revela plena maturidade artística, desenvolvendo uma síntese de suas inquietações em relação à fotografia e aos limites dela como linguagem. Apesar de ter construído uma representação do país e de seus habitantes na década de 1950, de forte caráter autoral, o projeto teve lenta aceitação nos EUA. Mas, por romper definitivamente com o predomínio da técnica sobre a intuição e a expressão pessoal, aos poucos se tornou um marco divisor da fotografia no século XX. A obra de Frank privilegia experimentação e busca, numa poética própria de engajamento com seus temas, embate profundo com seus próprios sentimentos e permanente questionamento da realidade que o cerca. Em imagens de aparente imperfeição, sombras e áreas com pouca definição favorecem abstração e iconicidade. Com "Os americanos", Frank inaugurou a fotografia de rua (street photography) e de estrada, livre de retórica e narrativas estruturadas. Uma ode poética que se tornou modelo e referência para artistas posteriores. 


Robert Frank.

Já "Os livros e os filmes" é uma montagem itinerante que une duas facetas de Frank, a de fotógrafo e a de cineasta. Concebida e com curadoria de Gerhard Steidl, em parceria com Frank, a mostra já foi apresentada em diversos países, mas esta será a primeira vez em que poderá ser vista ao lado de uma tiragem original de "Os americanos".

Trabalhando com o fotógrafo desde 1989, Steidl, que já publicou 31 títulos de Frank, entre livros e caixas com sua filmografia completa, criou uma série extensa de banners de até três metros de comprimento, impressos a cada edição da mostra em alta qualidade sobre papel de imprensa. Na exposição, as fotografias de 24 livros de Frank foram impressas em sequências de quatro a cinco e instaladas diretamente na parede, sem molduras. Funcionam como efêmeros e impactantes outdoors, emulando livros abertos e expandidos que recobrem as paredes da galeria. Lado a lado com trechos de sua produção em filmes e vídeos, páginas e frames, revelam a intensidade de sua produção, um verdadeiro espaço de imersão que é, a pedido de Frank, destruído e descartado ao final de cada mostra. Afirma-se, assim, a percepção do artista de que sua obra sobrevive plenamente na forma democrática e acessível dos livros de autor e dos filmes que produziu, num diálogo direto e de igual relevância com sua produção fotográfica original, hoje reunida e preservada em importantes museus internacionais, porém cada vez de circulação mais restrita, por sua raridade e valor. 


Robert Frank.

Desde seus primeiros trabalhos, Frank percebeu que o formato de livro fotográfico de autor poderia ser uma ferramenta estrutural para a criação de suas narrativas poéticas e visuais. Essa mesma percepção foi o que o levou posteriormente ao cinema e ao vídeo. Por reunir dimensões essenciais da obra de Frank, como sua obra fotográfica original e a importância que dava à difusão de sua obra em livros e produções audiovisuais, a mostra do IMS é, de certa forma, inédita, e traz, como tema subjacente, as diferentes formas de circulação e impacto da fotografia na cultura.

Com curadoria de Samuel Titan Jr., Sergio Burgi e Gerhard Steidl, "Os americanos e Os livros e os filmes" formam um belo painel sobre o artista que retratou, compreendeu e expressou em profundidade a América e a geração beat nos anos 1950. Ao mesmo tempo, Robert Frank expandiu as fronteiras da linguagem da fotografia e do cinema na segunda metade do século XX. 


Robert Frank.

Paralelamente, será realizada a mais completa retrospectiva da filmografia de Frank no Brasil. Serão exibidos na própria sala de exposição e no cineteatro do IMS 25 títulos, entre curtas, médias e longas-metragens, a maioria em 35 mm e 16 mm. Entre eles, Pull My Daisy, filme inaugural de Frank, baseado em texto de Jack Kerouac.

Sobre o artista
Robert Frank nasceu em 1924 em Zurique, na Suíça. Em 1946, criou seu primeiro livro de imagens, intitulado 40 fotos. No ano seguinte, emigrou para os Estados Unidos, onde colaborou como fotógrafo em revistas como Harper’s Bazaar, Life, Look e Vogue. Em 1948, viajou pelas Américas Central e do Sul, percorrendo extensivamente o Peru, dos Andes à Amazônia, incluindo uma rápida incursão a Manaus no início de outubro daquele ano. Algumas das imagens dessa sua única visita ao Brasil, todas inéditas, serão apresentadas na exposição. Em 1949, editou e produziu um pequeno livro de autor sobre o Peru, material que seria publicado ao longo da década de 1950 por Robert Delpire, que viria a ser o primeiro editor da série "Os americanos", publicada na França em 1958 sob o título Les Américains, contendo excertos de textos de vários autores sobre os EUA.

Em 1959, o livro foi publicado nos EUA pela Grove Press. A edição americana trazia apenas um texto introdutório de Jack Kerouac, que estabelece plena sinergia com o espírito buscado por Frank em seu projeto original. Dessa primeira edição americana, revisada e reeditada por Frank em 2008 com seu editor, Gerhard Steidl, resulta a edição brasileira do livro "Os americanos", que será lançado pelo IMS conjuntamente com a exposição.

Após a edição americana do livro, Frank passou a produzir e dirigir filmes, como o curta- metragem Pull My Daisy (1959) e Cocksucker Blues (1979), um documentário sobre a turnê mundial de 1972 dos Rolling Stones. Desde o início dos anos 1970, retomou sua produção fotográfica e de livros de autor, dedicando-se prioritariamente a títulos de caráter autobiográfico, que transitam por uma poética que questionam os limites da linguagem fotográfica e sua relação como fonte de inspiração e criação com o texto, a memória e o arquivo, resultando na série Visual Diaries (2008-2017).

O arquivo fotográfico de Frank está alojado na Galeria Nacional de Arte em Washington, DC, seu arquivo em filme está alojado no Museu de Arte Moderna de Nova York e seus filmes são distribuídos pelo Museu de Belas Artes de Houston. Ele é representado pela Pace/MacGill Gallery em Nova York.

Serviço:
Exposição: Robert Frank, Os americanos + Os livros e os filmes
Data: 20 de setembro 
Em cartaz: até 30 de dezembro
Horário de funcionamento: De terça a domingo das 10h às 20h; Quinta, das 10h às 22h
Local: IMS Paulista- Avenida Paulista, 2424 
Mostra de filmes de Robert Frank: a partir de 22 de setembro, no cineteatro.
Entrada livre e gratuita.

Lançamento:
Os americanos
Robert Frank
ISBN: 978-85- 8346-039- 8
Formato: 21 x 18,5 cm
Numero de páginas: 180
Preço: R$ 89,50