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Ocupação Inezita Barroso

Artistas: Inezita Barroso

Curadoria: Paulo Freire

De 27/9 a 5/11

Itaú Cultural Ver mapa

Endereço: Avenida Paulista, 149 - Cerqueira César

Telefone: (11) 2168-1777

Neste ano em que todas as Ocupações do Itaú Cultural são voltadas para as mulheres, a artista da vez é Inezita Barroso. A exposição abre no dia 27 de setembro e segue até 5 de novembro. A curadoria é do violeiro e compositor Paulo Freire com os Núcleos de Música e de Enciclopédia do Itaú Cultural.  No mesmo dia e espaço, é lançado o site No Gravador de Inezita (www.inezita.com.br), resultado de projeto coordenado pelo jornalista e produtor musical Aloisio Milani, com consultoria de Marta Barroso, filha da cantora. Contemplado pela edição de 2015-2016 do edital Rumos, garantiu a digitalização de registros feitos na casa da cantora, entrevistas, recitais e muitas raridades. 


Cine Brasil- Inezita Barroso, 1985. Foto: Cedoc FPA/TV Cultura/Danilo Pavani.

Integra-se a esta exposição um site, que pode ser acessado em www.itaucultural.org.br/ocupacao, e uma publicação impressa, ambos produzidos pelo instituto. Tem, ainda, programação pensada em sinergia com a mostra. Uma é Navegando pela Enciclopédia, um encontro, no dia 11 de outubro, às 20h, na sala Vermelha, conduzido pelos núcleos de Enciclopédia e de Música, com os convidados Paulo Freire, Aloisio Milani e Alexandre Pavan. A atividade consiste em trafegar pelos verbetes da Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras relacionados a Inezita Barroso. Além disso, estão programados dois shows em homenagem a ela: no dia 28 de setembro, às 20h, na Sala Itaú Cultural, tem apresentação de Ceumar, com sua convidada Renata Mattar e, no dia seguinte, 29, de Roberto Correa. Toda esta programação tem interpretação em Libras, a Língua Brasileira dos Sinais.

Ignez Magdalena Aranha de Lima, a Inezita, nasceu no dia 4 de março de 1925 em São Paulo. Morreu em 8 de março de 2015. Nestes 90 anos foi cantora, atriz de teatro e de cinema, instrumentista, bibliotecária, folclorista, professora e apresentadora de rádio e televisão. Por cerca de 30 anos, apresentou o Viola, minha viola. É reconhecida como a mais antiga e mais importante expressão artística da música caipira no Brasil. Ganhou o título de Doutora Honoris Causa pela Unicapital, em 2005, umas das Universidades em que ministrou aulas de folclore brasileiro. Também foi eleita para ocupar uma das cadeiras na Academia Paulista de Letras. 


Os Sons da Memória - Inezita Barroso, 1980. Fotos: Cedoc FPA/TV Cultura/ Danilo Pavani.

Inezita teve uma filha, Marta Barroso, três netas e cinco bisnetos. Em casa, vivia com passarinhos e com Corisco, o pinscher que, como os outros cães já criados por ela, ganhou nome de cangaceiro. Ali guardava boa parte da sua própria história: mais de 80 discos que gravou, em um total de mais de 900 músicas, bilhetes e presentes de fãs, inúmeros prêmios que recebeu. A preciosidade deste acervo é formada por 26 álbuns – quatro deles estão na exposição –, que somam um milhar de páginas preenchidas por fotos pessoais e recortes de jornais e revistas que contam a sua história e trajetória dos seis até perto dos 90 anos. Tudo organizado, como aprendeu ao se formar e trabalhar em biblioteconomia.

Espaço expositivo
Assim, não é exagero afirmar que, na Ocupação Inezita Barroso, a própria homenageada conta ao visitante a sua vida pessoal e profissional. São encontradas ali raridades como o que ela chamava de Currículo, apesar da própria autora comentar no início do texto que não gostava dessa palavra pois seria o mesmo que dizer "para ninguém ler". Trata-se de 17 páginas sobre a sua carreira até 1954, quando entrou na TV Record. Outro manuscrito, esse dos anos 40, traz anotações a respeito do seu dia-a- dia, poesias, redações e está exposto aberto no texto em que ela escreve sobre o caipira.

Some-se a isso um grande número de músicas interpretadas pela cantora, gravações de programas de televisão, fotos pessoais, de shows e de viagens, recortes de jornais, bilhetes, presentes, prêmios, e conversas caseiras registradas em seu gravador – fitas de rolo do arquivo pessoal da cantora, contendo bate-papos e gravações feitas nas décadas de 1950 e de 1960. 


Papau Informal - Inezita Barroso, 1990. Fotos: Cedoc FPA/TV Cultura/ Jair Bertolucci.

Quatro eixos norteiam esta Ocupação. Eles recebem o nome de discos gravados por Inezita e concentram alguns dos principais aspectos de sua vida e obra. O primeiro, Eu me Agarro na Viola, trata do período da sua infância e adolescência e de sua relação com a família. Este tempo, anterior ao da fama conquistada por Inezita, marca quando ela descobriu o seu amor pela viola, aprendendo a tocá-lo, sozinha, e desafiando as convenções da época.

O segundo, Inezita em Todos os Cantos, percorre o período em que a artista esteve em evidência na mídia por sua atuação na música, no cinema, na rádio e também por suas viagens em que recolhia material de pesquisa sobre a cultura brasileira. Gravou seus primeiros discos em 1951, com músicas como Funeral de um Rei Nagô, de Hekel Tavares e Murilo Araújo, além das gravações, em 1953, de Moda da Pinga, de Ochelcis Laureano, e Ronda, de Paulo Vanzolini, e, em 1958, de Lampião de gás, de Zica Bergami. Foi neste período que ela estreou como atriz no filme Angela, de Tom Payne e Abílio Pereira de Almeida, seguido, entre outros, de Destino em apuros, primeiro longa-metragem do Brasil a ter cenas em cores, dirigido por de Ernesto Remani, e de Mulher de verdade, de Alberto Cavalcanti, com o qual foi premiada como melhor atriz.


Os Sons da Memória Inezita Barroso, 1980. Fotos: Cedoc FPA/TV Cultura/ Danilo Pavani.

Tanto este eixo, quanto o terceiro, chamado O Brasil de Inezita Barroso, apresentam músicas gravadas por ela durante a década de 1960 e audiovisuais com depoimentos da própria artista sobre a música e sua vida. É possível ouvir os registros recuperados pelo projeto No gravador de Inezita e ver alguns dos seus trabalhos como pesquisadora de gêneros musicais tradicionais do Brasil, somados aos traços marcantes de sua formação como biblioteconomista.

Foi nesse momento que Inezita se retirou da mídia e dedicou-se à pesquisa, um período de bastante atividade, porém pouco conhecido do público. Há também uma área de destaque, nomeada Vamos falar de Brasil, que conta algumas viagens feitas pela artista. Em uma delas, por exemplo, Inezita saiu pelo Brasil afora dirigindo um Jeep, acompanhada do seu cunhado Maurício Barroso, ator do Teatro Brasileiro de Comédia, e de um amigo. A ideia de ir até Belém foi interrompida na Paraíba porque ela teve de voltar para receber o prêmio Roquete Pinto, como melhor cantora de rádio.

No quarto e último eixo, chamado Inezita Apresenta, por meio de vídeos, fotos e depoimentos, o visitante tem contato com a Inezita do programa Viola, Minha Viola, que apresentou por décadas na TV Cultura. 


Recital Inezita Barroso, 1969 - Fotos: Arquivo Cedoc FPA/ TVCultura.

As Ocupações anteriores, em 2017, foram em homenagem à atriz Laura Cardoso, a escritora Conceição Evaristo e a curadora, professora e jornalista de artes visuais, Aracy Amaral. Depois de Inezita, a homenageada será a terapeuta Nise da Silveira.

Serviço:
Exposição: Ocupação Inezita Barroso
Data e Horário: 27 de setembro a partir das 20h
Em cartaz: até 5 de novembro
Horário de funcionamento: Terças-feiras a sextas-feiras, das 9h às 20h, com permanência até as 20h30 ; Sábados, domingos e feriados, das 11h às 20h 
Local: Itaú Cultural (Piso térreo)- Avenida Paulista, 149, Estação Brigadeiro do Metrô
Entrada livre e gratuita.