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Ocupação Conceição Evaristo

Artistas: Conceição Evaristo

Curadoria: Itaú Cultural – Núcleos de Audiovisual e Literatura e Educação e Relacionamento e Conceição Evaristo

De 3/5 A 18/6

Itaú Cultural Ver mapa

Endereço: Avenida Paulista, 149 - Cerqueira César

Telefone: (11) 2168-1777

A escritora Conceição Evaristo e suas "escrevivências" são tema da nova Ocupação do Itaú Cultural

A partir da quarta-feira, 3 de maio – com visitação aberta ao público de 4 de maio a 18 de junho –, a vida, obra, influências e referências de Conceição Evaristo podem ser conferidas no Piso Paulista, o espaço expositivo do térreo no Itaú Cultural. A 34ª mostra da série Ocupação, realizada pelo instituto desde 2009, transpira as “escrevivências” da escritora, como ela mesma se refere ao seu trabalho – uma escrita que nasce das vivências, vivendo para narrar, narrando o que vive. São dela, obras reconhecidas como Ponciá Vicêncio, seu primeiro romance publicado, em 2003, Becos da Memória, de 2006, Poemas da Recordação e Outros Movimentos, lançado dois anos depois, e os livros de contos Insubmissas Lágrimas de Mulheres, de 2011, Olhos D´Água, de 2014, e Histórias de Leves Enganos e Parecenças, do ano passado. No dia da abertura da mostra, a própria Conceição faz a leitura de Olhos D’Agua.

Com curadoria da própria autora e dos Núcleos de Audiovisual e Literatura e de Educação e Relacionamento, e concepção artística de Aline Motta, a Ocupação Conceição Evaristo revela ao visitante a origem do domínio da escritora sobre as palavras, as ideias e sentimentos desencadeados, primorosamente, por ela e o percurso feito até se tornar escritora reconhecida na atualidade. Ela dá sequência à de Laura Cardoso, que abriu a série de ocupações, neste ano dedicada a mulheres – depois da atriz e da escritora, a próxima será a curadora de artes visuais Aracy Amaral, seguida da psiquiatra Nise da Silveira e da cantora Inezita Barroso.


 Conceição Evaristo, 2017. Foto: Richner Allan

Textos, fotografias, objetos pessoais, obras de referência, audiovisuais, manuscritos de poemas e contos, cartas de familiares e amigos conduzem o visitante por esse caminho iniciado em uma favela mineira, onde Conceição  cresceu cercada por palavras, graças à sua mãe, a lavadeira dona Joana. A velha senhora, mãe de 10 filhos, começou a escrever os seus próprios textos inspirada em Carolina Maria de Jesus (1914-1977), autora de Quarto de Despejo – Diário de uma Favelada (1950), livro autobiográfico que narra a vida na periferia de São Paulo, traduzido para 13 idiomas. Sem dinheiro para comprar cadernos novinhos em folha, resgatava os que encontrava na rua, muitos em branco, e ali depositava os seus pensamentos sobre o dia a dia, as dificuldades da vida na favela, poemas e frases soltas. Formou, assim, uma obra nunca antes publicada, mas que, somada à cultura da oralidade colocada em prática dentro de casa, muito inspirou a filha, que viria a se tornar escritora. 

Nesta Ocupação, a publicação que acompanha todas as mostras da série ganha um caráter inovador ao retomar o projeto Cartas Negras, criado por Conceição e amigas escritoras, como Esmeralda Ribeiro, Geni Guimarães e Miriam Alves, nos anos 1990. Elas trocavam missivas sobre suas vidas, em uma espécie de debate escrito, também sobre outros temas como a solidão, o machismo e o racismo.

Nesta nova versão, as antigas parceiras juntam a sua voz e pensamentos a novas escritoras, como Ana Cruz, Ana Maria Gonçalves, Cristiane Sobral, Débora Garcia, Elizandra Souza, Jenyffer Nascimento, Lívia Natália, Mel Adún e Raquel Almeida. 


Versão manuscrita do poema Ao Escrever. Foto: divulgação

A EXPOSIÇÃO
Nesta reunião de vivências e escritos, entre a obra criada por Conceição, cercada de seus símbolos de afetividade, espiritualidade e ancestralidade, o espaço expositivo ganha ares líricos, poéticos e encarna a força da negritude. Ao entrar, o visitante acessa o universo original da autora, pisando em chão de tijolos e tecidos azuis pendentes do teto. Encontra, ainda, três colchas feitas artesanalmente, com tecido, terra ou crochê, pelas artistas Lidia Lisboa, Janaina Barros, Rita Damasceno. Os seus trabalhos se chamam, respectivamente, Meia Lágrima, Passado-presente-e-o-que-há-de-vir (Ou a herança de Ponciá) e Kohra, inspirados nos contos de Conceição Meia Lágrima, Ponciá Vicêncio e Olhos D'Água.

Na sequência, uma sala na penumbra exibe um audiovisual projetado em trechos em dois suportes e na água contida em uma grande bacia de alumínio. O filme traz imagens de Conceição nas mais diversas situações e recortes, enquanto o visitante a ouve, em áudio, lendo trechos de obras suas e falando sobre a sua vida.

Por fim, entra-se no mundo literário da escritora. Uma espécie de beco da memória, o lugar apresenta os livros publicados por ela - podendo ser manuseados pelo público, que tem uma mesa e cadeiras à disposição para isso - e outros que a inspiraram, pertencentes ao seu acervo pessoal e exibidos em vitrines. Fotos, manuscritos, escritos, rascunhos originais de Conceição forram uma das paredes desse espaço. Uma grande foto da autora, ocupa outra. Não falta, também, a imagem da escrava Anastácia, por quem ela tem devoção. 


Samba-Favela. Cópia em xerox do texto publicado por Conceição no Diário Católico de Belo Horizonte, 1968. Foto: divulgação

SERVIÇO:
Ocupação Conceição Evaristo
Coquetel de abertura: 3 de maio (quarta-feira), às 20h
Visitação: 4 de maio (quinta-feira) a 18 de junho (domingo)
Local: Itaú Cultural
Piso térreo