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Mostra Santos-Dumont – Coleção Brasiliana

Artistas: Santos-Dumont

Curadoria: Luciana Garbin

De 26/11 a 29/1

Itaú Cultural Ver mapa

Endereço: Avenida Paulista, 149 - Cerqueira César

Telefone: (11) 2168-1777

Esportista, designer, empreendedor, personagem de referência em seu tempo, leitor voraz, inventor diversificado, de caráter tenaz e conturbado: a Mostra Santos-Dumont – Coleção Brasiliana, com cerca de 600 peças extraídas desse acervo, revela detalhes não somente das excepcionais invenções do criador do avião no início do século XX, como também de sua personalidade; a exposição apresenta, ainda, ferramentas de acessibilidade

De 26 de novembro a 29 de janeiro de 2017, um espaço no Piso 2 do Itaú Cultural, abriga uma réplica da aeronave Demoiselle, considerada a obra-prima de Alberto Santos-Dumont, o conhecido “pai da aviação”. Esse, no entanto, é apenas um detalhe da exposição que fica em cartaz, no mesmo período e andar, na Sala Multiuso do instituto. Com cerca de 600 peças da Coleção Brasiliana Itaú e curadoria da jornalista Luciana Garbin e do Itaú Cultural, a mostra revela a personalidade de Dumont encoberta pela repercussão de sua mais famosa criação, o aeroplano 14 Bis, cujo primeiro voo completa agora 110 anos. A linha curatorial se sustenta em pilares que marcam a sua trajetória tratados hoje em dia como inovação, ciência e empreendedorismo.


Santos Dumont voando no Demoiselle. Foto MBranger Photo Presse

Santos-Dumont foi esportista, designer, grande inventor brasileiro e uma personalidade referência, a ponto de criar tendências no modo de vestir e usar o chapéu, uma de suas marcas registradas. Teve criações até hoje pouco conhecidas do público, como o Conversor (ou transformador) Marciano, que servia para ajudar esquiadores a subir. O nome vem de sua ideia de reproduzir a gravidade de Marte e reduzir o peso.  


Santos Dumont no aeroplano Demoiselle. Autor Desconhecido, 1910. Reprodução Iara Venanz

São de sua invenção, ainda, um dispositivo para corrida de galgos, ou o Canhão Paradoxal, uma espécie de catapulta para lançar boias salva-vidas para banhistas que estivessem em perigo no mar. Entre as dezenas de fotos exibidas na exposição, duas são do criador testando o Canhão em uma praia. Essas imagens, como outras com sua aeronave, também haviam sido transformadas em cartões postais, um dos modismos daquela época, ao qual o próprio Dumont aderiu com fervor e cuja coleção é ali apresentada.

Em Santos-Dumont – Coleção Brasiliana Itaú há muito mais a descobrir sobre esse notável brasileiro nascido em 20 de julho de 1873 no Sítio Cabangu, localizado em Palmira (MG), na Serra da Mantiqueira. Em 1879, foi viver com a família em Ribeirão Preto (SP), onde o pai tornou-se “rei do café” e ele mesmo começou a descobrir a mecânica nas máquinas rurais. Adulto, foi uma celebridade na França em uma época em que o país ditava a moda mundial e a Belle Époque imprimia novos modos de viver e pensar baseada no otimismo e progresso científico. Em 1932, ele morreu, triste, deprimido e sozinho, em um hotel no Guarujá. 

Exposição e acessibilidade
Ao entrar na mostra, o visitante encontra uma porta de hangar, onde faz o check in, responde a três perguntas sobre seus conhecimentos a respeito de Santos-Dumont e recebe uma espécie de cartão de embarque, com uma gravura extraída de um antigo jornal com o retrato dele. O “viajante” pode levar o bilhete para casa, que também tem impressão em braile.

Entrando no espaço expositivo, o público encontra documentos, objetos e imagens conservadas por ele próprio e herdadas por membros de sua família, todos de valor inestimável, organizados na curadoria compartilhada de Luciana, em parceria com os núcleos Itaú Cultural de Inovação, Acervo e Enciclopédia, Artes Visuais, Produção e Centro de Memória, Documentação e Referência (CMDR).


Santos Dumont no 14 Bis, s.d.Cred. Horst Merkel

Além de peças originais e pessoais de Santos-Dumont, a exposição resgata fotografias históricas de época. São registros de voos dos balões e aeroplanos, retratos pessoais dele tirados pelos maiores fotógrafos em várias partes do mundo e nas tiragens originais guardadas no arquivo pessoal do homenageado.

Há também um grande número de cartas, documentos pessoais – desde certidões de batismo e de óbito, testamento, até declarações de renda – correspondências, patentes originais de alguns inventos, publicações da época exaltando seus feitos, livros de sua biblioteca pessoal, ou de sua autoria, oferecidos com dedicatória.

Até mesmo a vida financeira de seu pai está revelada na mostra. O público tem contato com plantas e documentos que relatam a doação de suas duas casas favoritas: a fazenda de Cabangú e a Villa Encantada em Petrópolis, no Rio de Janeiro. Alguns objetos pessoais completam o acervo, como um binóculo, uma luneta e outros instrumentos científicos usados por Santos-Dumont.

Em um ambiente em que são projetados vídeos históricos de seus voos e fones de ouvido que tocam músicas que falam do inventor, a linha curatorial apresenta espaços definidos como Da fazenda para o mundo, que trata de sua origem e ambienta como viveu em família, na infância, na adolescência no interior do Brasil, como se formou, os livros que leu e o inspiraram, como A volta ao mundo em 80 dias, de Julio Verne, e anotações de sua irmã sobre ele. O Rei de Paris fala de seu trabalho e experimentos, do auge da sua produção, do sucesso e prestígio mundial, entre balões, aviões e dirigíveis. Em Outros inventos, o público fica conhecendo as criações de Dumont além da aviação. Volta ao Brasil, o mostra recebido por multidões, e como seguiu a sua vida como fazendeiro e escritor em propriedades da família, seu cotidiano, a morte e as homenagens que recebeu.

Entre os documentos, encontram-se telegramas da princesa Isabel felicitando a mãe de Santos-Dumont pelos feitos do filho, uma carta escrita por ele a um parente sobre um telegrama que recebeu de Alberto, rei da Bélgica. Tablets, adaptados tanto para videntes quanto para cegos, disponibilizam capas de jornais e reportagens nacionais e estrangeiras, da própria coleção de Dumont, guardadas na coleção Brasiliana Itaú, para que o visitante possa folheá-los. Esta exposição, vale salientar, apresenta ferramentas específicas que a tornam acessível a cadeirantes, surdos e cegos. São, por exemplo, modelos e piso táteis, sistemas de áudio-descrição, explicações em braile.

As publicações exibidas falam sobre Santos-Dumont antes e depois de sua morte, veiculados em diferentes épocas, do começo do século aos anos 1980. Temas vão de efemérides relacionadas ao inventor a notícias de lançamentos de livros e filmes sobre ele. Há reportagens dos jornais O Estado de S. Paulo, Folha de São Paulo, Diário de São Paulo, A Gazeta e Revista da Semana.

A mostra apresenta, ainda, um desenho feito pelo inventor um mês e cinco dias antes de seu suicídio. O sobrinho Jorge escreveu que foi o último e anotou a data de 18 de junho de 1932. É importante porque mostra que ele seguia preocupado com a mecânica poucas semanas antes de sua morte, em um hotel no Guarujá.

Serviço:
Mostra Santos-Dumont – Coleção Brasiliana Itaú
Com exibição em tamanho natural da aeronave Demoiselle
De 26 de novembro de 2016 a 29 de janeiro de 2017
Piso 2
Indicada para todas as idades