AGENDA DAS ARTES

Voltar

Jamaica, Jamaica!

Artistas: Vários

Curadoria: Sébastien Carayol

De 14/3 a 26/8

Sesc 24 de Maio Ver mapa

Endereço: Rua 24 de Maio, 109, Centro, São Paulo- SP

Telefone: (11) 3350-6300

A partir de 14 de março, o Sesc 24 de Maio apresenta a exposição "Jamaica, Jamaica!", concebida pela Cité de la Musique - Philharmonie de Paris e produzida e realizada pelo Sesc São Paulo. A mostra chega ao país vinda da instituição francesa, onde ficou em cartaz no ano passado, e apresenta um panorama cronológico e histórico sobre a música jamaicana. Com curadoria do jornalista e diretor cinematográfico francês, Sébastien Carayol, a mostra permanece em cartaz até 26 de agosto de 2018, com entrada livre e gratuita.

Nitty Gritty, Jammy Studio, 1985. (Foto: Beth Lesser)

Através de oito núcleos que possuem a música da ilha caribenha como fio condutor, é possível traçar um olhar político, social e cultural da comunidade jamaicana. A exposição pretende assim mostrar que o país caribenho, berço de uma das principais correntes musicais da segunda metade do século XX, tem mais do que reggae e seu ícone universal, Bob Marley.

Nesse contexto, "Jamaica, Jamaica!" busca reconhecer parte da história por meio do olhar para os conflitos e encontros pós-coloniais que levaram a um movimento musical único e universal. Para ilustrar a diversidade e patrimônio, a mostra reúne fotografias, capas de álbuns, instrumentos musicais - como a guitarra que ficou conhecida nas mãos de Peter Tosh e o console do produtor King Tubby, criador do remix e pioneiro da reinterpretação musical -, folhetos, materiais gráficos das festas de rua, documentos, áudios e imagens de coleções particulares e instituições. 

Times Store Callypsos, 10 inch silk screen (Divulgação)

Além dos acervos reunidos por Carayol, oriundos de acervos e coleções da Jamaica, Grã-Bretanha e França, a exposição em São Paulo conta com conteúdo especialmente pesquisado para esta montagem, reunido a partir da pesquisa de um grupo curatorial convidado, que apresenta desdobramentos e impactos da cultura jamaicana no território brasileiro.

Objetos, documentos e imagens vindos do Maranhão, Bahia e São Paulo fazem parte do histórico brasileiro: São Luís, conhecida como a “A Jamaica Brasileira”; a região do Recôncavo baiano, onde se mantiveram as raízes jamaicanas tradicionais do rastafári, e em Salvador, onde houve grande influência do reggae na música local - particularmente no samba reggae e nos blocos afro; e São Paulo, com os bailes de Dancehall e Reggae da periferia ao centro da cidade, fortalecendo a cultura soundsystem local.

A exposição apresenta ainda uma vasta programação integrada, com cursos, palestras, encontros e oficinas, além de um projeto educativo que proporcionará visitas orientadas e ateliês no espaço da exposição.

Gregory Isaacs (Divulgação)

A música jamaicana e seu histórico
A música da Jamaica pode ir além do que popularmente se conhece - como o reggae, o dub, o dancehall. A identidade musical desse país está intimamente ligada a fatos sociais e políticos. Suas ramificações são tão amplas quanto as do jazz ou do blues, e suas influências remetem aos dias de escravização, como as formas tradicionais de canções e danças do período de colonização entre os séculos XVIII e XIX.

Já em 1950, as invenções sonoras, advindas dos guetos de Kingston, serviram de modo influente para uma série de questões desse universo, como as bases para parte dos gêneros musicais urbanos modernos e origem a termos da atualidade - como “DJ”, “sistema de som” ou “soundsystem”, “remix” e “dub”, por exemplo.

A exposição "Jamaica, Jamaica!" procura reconhecer essa história pelo prisma dos encontros e conflitos pós-coloniais que permitiram o protagonismo de Bob Marley, Peter Tosh, Lee Perry, King Tubby, Studio One, Alpha Boys School, Marcus Garvey etc., por meio de estilos musicais como burru, revival, mento, ska, rocksteady, reggae, dub e dancehall.

Satan voicing in the back room at Sugar Minott’s S&M outlet. (Foto: Beth Lesser)

Rádio Jamaica
Tornando a experiência sonora ainda mais completa, uma estação de rádio foi pensada para integrar a exposição e apresentar uma série de músicas, sons e playlists, que é possível ouvir através do próprio fone ou de diversos dispositivos eletrônicos.

Em 1959, a primeira estação de rádio local que se tem conhecimento, a JBC - Jamaica Broadcasting Corporation -, fundada por um dos arquitetos da independência jamaicana, Norman Manley, tornou-se a primeira estação nas ondas da ilha a concentrar-se mais na música jamaicana do que no jazz americano e no rhythm and blues.

O rádio, então, se apresenta como uma fonte de orgulho para os jamaicanos, por ser o primeiro elo na cadeia de produção da indústria fonográfica: os shows de talentos ao vivo em rádio possibilitaram a criação do cenário e estabelecimento de uma indústria musical jamaicana.

Yuyu Madoo, Skateland, 1987. (Foto: Beth Lesser)

Os núcleos
Para demonstrar a complexidade que envolve a construção político-social e cultural da ilha caribenha, oito núcleos temáticos reúnem objetos icônicos, como pôster, instrumentos, vinis, livros, pinturas e fotografias, expandindo os ecos da influência jamaicana em regiões brasileiras e as ressignificações criadas a partir dessa mistura.

Os núcleos são: "Quatrocentos Anos - Música Rebelde: A Herança Múltipla da Escravidão"; "Ska Da Independência! - A Trilha Sonora da Independência"; "Hey Mr. Music! - Studio One, The Black Ark e o Estúdio de King Tubby: Um Circuito de Produção Como Nenhum Outro No Mundo"; "Sound The System! - O Verdadeiro Instrumento Musical da Jamaica"; "Black Man Time - Os Destinos Entrelaçados de “Jah, Rastafari” e Marcus Garvey"; "Viemos de Trenchtown - Bob Marley, The Wailers e as Violências Políticas Na Jamaica"; "Estilo Dancehall - A Música Jamaicana Depois de Bob Marley" e "Mistério Sempre Há De Pintar Por Aí: Um olhar sobre a trajetória do reggae no Brasil".

Alpha Boys Band (Divulgação)

Serviço
Exposição:"Jamaica, Jamaica!”, com curadoria de Sébastien Carayol e núcleo de conteúdos brasileiros formado por Caio Csermak, Camila Miranda, Dj Magrão, Lys Ventura, Rodrigo Brandão e Stranjah.
Datas e horários: Abertura dia 14 de março, quarta-feira, às 20h. De 15 de março a 26 de agosto de 2018. De terça a sábado, das 9h às 21h; domingos e feriados, das 9h às 18h.
Local: Sesc 24 de Maio (Espaço Expositivo - 5º andar) | R. 24 de Maio, 109 - Centro, São Paulo.
Entrada gratuita.
Classificação indicativa: 12 anos.