AGENDA CULTURAL

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Individual - Nino

Artistas: João Cosmo Felix

Curadoria: André Parente

De 15/3 a 30/4

Galeria Estação Ver mapa

Endereço: Rua Ferreira de Araujo,625 Pinheiros

Telefone: (11) 3813 7253

A Galeria Estação abre 2016 com a individual do cearense João Cosmo Felix (1920-2002), o Nino. Durante a abertura da mostra acontece também o lançamento do documentário “Nino”, dirigido por André Parente – que também assina a curadoria da individual. A exposição reúne 20 trabalhos produzidos entre 1980 e 1990, deste artista que viveu de forma muito precária, mas cujos trabalhos, hoje, são reconhecidos mesmo fora do País. "Nino" permanece em cartaz até 30 de abril de 2016, com entrada franca.

Nino, Sem título, sem data - escultura em maderia, 110 x 43 x 23 cm (®João Liberato)

 

Nino, que antes de se tornar escultor fora ferreiro e cortador de cana, e, para garantir melhor o seu sustento, trabalhava como artesão, fazendo peças sob encomenda. Nos anos 70 seu estilo já era inconfundível e Nino conquistou o status de mestre quando seu trabalho começou a figurar entre as galerias e os colecionadores de arte popular. Utilizando poucas ferramentas (facão, machadinha e, por vezes, um formão e uma goiva para finalização) as formas esculpidas são simples. Há peças que ganham a forma de uma figura única - homem ou animal - e outras que trazem uma narrativa, sempre com o uso de cores vibrantes e pouca intervenção no entalhe.

Segundo o curador, as peças se apresentam como uma rede de elementos heterogêneos que se misturam para formar objetos que variam de acordo com a perspectiva do espectador sem que se possa definir qual o tema predominante. “São figuras pintadas, em baixo-relevo ou tridimensionais nas quais o tronco original pode se revelar ou estar escondido e ser visto apenas na parte de baixo da madeira esculpida”.

Nino, Sem título, sem data - escultura em maderia, 47 x 19 x 23 cm (®João Liberato)

Parente destaca ainda que o uso da cor, tanto primárias como secundárias, a mistura entre figuras tridimensionais e figuras em baixo-relevo ou mesmo desenhadas, além da relação que se tece entre as figuras são aspectos que demandam ao espectador circundar as obras para captá-las integralmente.

Nino sempre dizia que o tronco de madeira carregava em si as figuras que o artista pode extrair dele. Para o curador, a obra de Nino se diferencia facilmente pelo material empregado, madeira – geralmente da região – e tinta, bem como pelo estilo do escultor, ou seja, pelas formas e cores. “Geralmente seu universo não tem nada a ver com o universo religioso e mítico, trata-se, no mais das vezes, de homens e animais, que, à exceção do elefante, são parte do universo nordestino”, completa.

Sobre o artista
João Cosmo Felix, o "Nino" (1920-2002, Juazeiro do Norte), integra a coleção de grandes colecionadores de arte popular, galerias e museus ao redor do mundo. O Museu Afro (São Paulo), o Museu da Casa do Pontal (Rio de Janeiro), o Centro Cultural Dragão do Mar (Fortaleza) e a Fondation Cartier Pour l’Art Contemporain (Paris) são algumas destas instituições. A primeira exposição individual de Nino se deu na Galeria Pé de Boi, no Rio de Janeiro, em 1989. A presença e a participação de Nino nessa exposição contribuiu enormemente para seu sucesso. Na "Mostra do Descobrimento" (São Paulo, Parque do Ibirapuera, 2000) foram exibidas várias peças de Nino. Em 2001, a Pinacoteca de São Paulo realizou a exposição "O essencial em estado bruto", reunindo, sob a curadoria de Dodora Guimarães, grande especialista da arte popular do Cariri, com mais de sessenta peças. Em 2003, foi realizada uma imensa exposição póstuma em homenagem a Nino no Centro Cultural Dragão do Mar, na entrada do Memorial da Cultura Cearense, curada por Germana Coelho Vitoriano. Nino participou ainda de uma grande exposição realizada na Fondation Cartier, "Histoires de voir" (2012), que reuniu peças de artistas populares de Ásia, África, Europa e América.

Nino, Sem título, sem data - escultura em maderia (®Joao Liberato)

serviço
Exposição: "Nino", de João Cosmo Felix com curadoria de André Parente.
Datas e horários: Abertura dia 15 de março, às 19h. Em cartaz até 30 de abril de 2016. De segunda a sexta, das 11h às 19h; sábado, das 11h às 15h.
Local: Galeria Estação | R. Ferreira de Araújo, 625 - Pinheiros.
Entrada franca.