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Individual - Edgard de Souza

Artistas: Edgard de Souza

Curadoria: -

De 9/10 a 10/11

Galeria Vermelho Ver mapa

Endereço: Rua Minas Gerais, 350 - Higienópolis

Telefone: (11) 3138-1520

A Vermelho abriga, a partir de 9 de outubro, novos trabalhos de Edgard de Souza que conjugam sua pesquisa em torno do ambiente doméstico e dos movimentos do corpo inserido nessa esfera. O doméstico, inclusive, sempre esteve presente na obra de Edgard de Souza, seja com bancos, vasos, mesas, cadeiras ou almofadas que carregam traços antropomórficos, ou que, de alguma maneira, preveem o corpo humano em relação a si. Além disso, as formas de Edgard são ambíguas e fragmentadas, com vestígios de corporeidade, desejo e erotismo. É a fricção entre a reclusão de um espaço privado e o impulso de uma produção voltada ao publico que poderá ser visto na mostra individual de de Souza, também conhecido por sua instalação permanente no Instituto Inhotim e por participar de exposições de destaque no Brasil e no mundo. A individual do artita fica em cartaz na galeria até 10 de novembro de 2018, com entrada gratuita.

Edgar de Souza, Sem Título, 2018. Foto: Divulgação

Do espaço privado do artista vêm as obras Cama (2018) e Encosto (2018), ambas originadas pelo quarto que ocupava na casa de seus pais, em São Paulo, durante sua juventude. O mobiliário do quarto era composto por peças da Hobjeto, empresa de móveis fundada em 1964 pelo artista e designer Geraldo de Barros (1923-1998). A empresa carregava em seus desenhos a marca construtiva da obra de Barros e seus móveis modulares eram produzidos usando as mesmas técnicas de suas pinturas feitas em Formica. As obras de Barros eram construídas a partir da desconstrução e do fragmento, tanto de imagens quanto de ações. Esses procedimentos são espelhados por Edgard, que desdobra as peças de seu antigo quarto em frações abstratas e rearticuladas, mas que carregam em si seu entorno formador, tanto no apreço pela forma quanto pelos métodos de construção. Tanto Encosto quanto Cama saem da figuração objetal de suas composições originais para voltarem a abstração concretista de Barros.

Edgard estende a articulação modular à sua própria obra com seu novo bronze Sem título (2018). As peças, produzidas dentro da lógica da reprodutibilidade técnica, assumem um novo caráter auto ativado, podendo existir individualmente enquanto edição de um mesmo trabalho, ou como novos trabalhos únicos, que se compõe do acumulo de edições da mesma matriz. A peça também se espalha por mesas, parede e chão, sem ter uma posição final correta de contemplação.

Os movimentos do corpo também podem ser vistos em sua nova série de bordados denominados R (2017-2018). Edgard leva os rabiscos imprecisos vistos em sua última individual para uma construção planejada, usando linha de algodão sobre superfícies de linho. O mesmo tipo de “desenho de ação” é visível, mas agora eles são criados de maneira diametralmente oposta, trazendo o atrito entre as construções espontâneas e planejadas para as obras. Os bordados podem ser erráticos como rabiscos, ou pontuais, como se formassem infecções sobre o tecido. Em comum, eles carregam o volume construído a partir do acumulo de material, chegando a formar protuberâncias que parecem escorrer do plano, rompendo o bidimensional.

Edgar de Souza, Cadeira, 2018. Foto: Divulgação.

Uma cadeira de pés palito, típica de meados do século XX, aparece arruinada em Cadeira (2018). O móvel de estilo caracteristicamente moderno parece estar em plena detonação, rompendo-se para todos os lados. A erupção da peça assemelha-se ao movimento de alguns dos bordados, relaciona-se com a não centralidade do bronze Sem título e com a característica modular de Cama.

Essa pulsão de vida inserida em objetos do cotidiano também aparece na série de colheres de pau que Edgard apresenta dentro de vasos de cristal. Os objetos triviais foram esculpidos rigorosamente por Edgard a partir de toras de madeiras nobres e raras como mogno e jacarandá da Bahia e foram dotadas de impulsos e desejos. Em Colher lambe colher (2017) a madeira ganha vida e feições humanas e, em dupla, parecem servir uma à outra voluptuosamente. Em Colher de pau - cara de pau (pinoquio) (2018) o utensílio ganha malícia, como o personagem de Carlo Collodi. A colher, mentirosa, tem seu nariz alongado. Colher de pau - cara de pau (2018) é travessa e mostra a língua ao observador.

Outro objeto trivial que aparece cheio de furor é Torneira (2018). A peça integra uma série de torneiras de proporções agigantadas que de Souza vem produzindo desde os anos 1990. Da torneira em bronze de pátina dourada flui uma grande gota de sua boca, lembrando uma secreção humana.

Edgar de Souza, Torneira, 2018. Foto: Divulgação

Serviço
Exposição: Individual de Edgar de Souza.
Datas e horários: Abertura dia 9 de outubro de 2018, das 20h às 23h. Em cartaz até 10 de novembro de 2018. De terça a sexta, das 10h às 19h; sábados, das 11h às 17h.
Local: Vermelho | Rua Minas Gerais, 350 - Higienópolis, São Paulo.
Entrada livre e gratuita.