AGENDA DAS ARTES

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Imagens do Aleijadinho

Artistas: Antônio Francisco Lisboa

Curadoria: Rodrigo Moura

De 10/3 a 10/5

MASP - Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand Ver mapa

Endereço: Avenida Paulista, 1578

Telefone: 11 3251-5644

MASP apresenta, entre os dias 10 de março e 10 de junho de 2018, a exposição "Imagens do Aleijadinho", com cerca de 50 obras de Antônio Francisco Lisboa (1738-1814), importante figura e referência da arte sacra, do barroco e do rococó no Brasil. A mostra reúne, além de esculturas devocionais de Aleijadinho, mapas, gravuras, fotografias, pinturas e esculturas de viajantes e outros artistas, que contribuem para a compreensão do contexto e da influência do artífice mineiro na história da arte brasileira. Com curadoria de Rodrigo Moura, a mostra inaugura no dia 9 de março, às 20h, junto à exposição "Maria Auxiliadora: vida cotidiana pintura e resistência". As mostras, que permanecem em cartaz simultaneamente, dão início ao ciclo de exposições de 2018, dedicado às histórias afro-atlânticas. A entrada é gratuita às terças-feiras e livre para todos os públicos.

Aleijadinho, Altar da Igreja Nossa Senhora do Carmo, Sabará. (Foto: Daniel Mansur)

Tendo seu nome associado à arte produzida durante o Ciclo do Ouro em Minas Gerais, Aleijadinho atuou de meados do século 18 até o início do século 19. Com a proibição da Coroa portuguesa contra o estabelecimento de ordens religiosas na Capitania, coube ao mecenato da época encomendar o que seria hoje boa parte da produção do artista. Suas obras são um importante testemunho dos hábitos religiosos e culturais da sociedade mineira durante o período colonial, incluindo a religiosidade popular e as separações raciais em torno das diferentes irmandades e ordens terceiras.

Dessa forma, a mostra tem seu foco no acervo de esculturas devocionais produzido por Aleijadinho e sua oficina e reúne imagens atribuídas ao artífice mineiro e executadas em diferentes etapas de sua produção, incluindo obras pertencentes a museus públicos brasileiros, igrejas barrocas mineiras e coleções particulares. Tais imagens devocionais foram criadas para ocuparem altares de igreja, oratórios privados e para o uso processional, o que proporcionava relativa autonomia funcional às obras que, ao longo dos anos, foram sendo incorporadas a acervos públicos e privados. Essa condição é o que permite reunir numa exposição uma parcela significativa das esculturas produzidas por Aleijadinho.

Aleijadinho, São Joaquim. Madeira policromada, 60 x 38 x 20 cm. Matriz de Nossa Senhora da Conceição, Raposos, MG. (Foto: Daniel Mansur)

Além do conjunto de esculturas atribuídas ao artista, uma seção iconográfica foi incorporada à exposição; é onde pode-se atestar a centralidade do artista na construção de uma história da arte brasileira. Na seção estão reunidos trabalhos de artistas visuais que fazem referência à arte de Aleijadinho e seus contextos de produção e recepção, como Alberto da Veiga Guignard, Henrique Bernardelli, Tarsila do Amaral, Aloísio Magalhães e Juan Araujo, entre outros. Mapas da capitania de Minas Gerais e suas comarcas; gravuras de viajantes do início do século 19, que retratam o modo de vida e a paisagem nas Minas de Ouro; e imagens de fotógrafos que documentaram sua obra ao longo do século 20, como Horacio Coppola e Marcel Gautherot também integram a seção.

Também foi ao longo do século 20 que iniciaram os trabalhos de atribuição autoral e de levantamento das obras de Aleijadinho, merecendo estudos de especialistas como Germain Bazin, Lucio Costa e Mario de Andrade, que resultaram em um modelo original para pensar a arte produzida no Brasil e sua relação com os modelos europeus, indígenas e africanos.

Aleijadinho, São Simão Stock. Madeira dourada, prateada e policromada, 161 x 82 x 57 cm. Igreja Nossa Senhora do Carmo, Sabará, MG. (Foto: Daniel Mansur)

Catálogo
Junto à exposição, o MASP montou um catálogo com reprodução das obras expostas, imagens de obras arquitetônicas monumentais de Aleijadinho e textos de Carlos Eduardo Riccioppo, Angelo Oswaldo de Araujo Santos, Fabio Magalhães, Ricardo Giannetti e Rodrigo Moura, que analisam diferentes aspectos da produção do artista. Além dos estudos inéditos, serão republicados textos de Mariano Carneiro da Cunha, sobre a presença africana na obra do artista, Myriam Andrade Ribeiro de Oliveira, sobre o conjunto das esculturas dos Passos de Congonhas, e o clássico ensaio de Mário de Andrade de 1928, em que o poeta e crítico paulista aponta para o caráter mestiço e singular de sua obra. O catálogo têm organização de Rodrigo Moura, curador-adjunto de arte brasileira do museu.

Sobre o artista
Antônio Francisco Lisboa (1738-1814) nasceu na freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Antonio Dias, em Ouro Preto (então Vila Rica), filho do arquiteto português Manoel Francisco Lisboa e de uma de suas escravas, Isabel. Iniciou-se na arquitetura e na escultura com seu pai e outros artífices atuantes em Minas Gerais, como Francisco Xavier de Brito e José Coelho de Noronha. Trabalhou em diversas localidades da região mineradora, como Caeté, Sabará e São João del Rei, além de Congonhas, onde deixou sua obra máxima no Santuário do Bom Jesus do Matosinhos – doze profetas esculpidos em pedra sabão no adro da igreja e os Passos da Paixão, 64 esculturas em madeira, distribuídas em seis pequenas capelas. Em Ouro Preto, tem sua obra mais completa na igreja de São Francisco de Assis, onde assina o risco e a decoração do interior e da fachada do templo. Ganhou a alcunha de Aleijadinho devido às deformidades físicas que lhe acometeram e obrigavam que trabalhasse, segundo a tradição, com as ferramentas amarradas às mãos. A maior parte das informações sobre sua vida foi publicada em 1858, em um estudo biográfico de Rodrigo José Ferreira Bretas, que ainda hoje serve como importante fonte de estudo sobre o artista.

Euclásio Pena Ventura, Retrato de Aleijadinho. Pergaminho e tinta óleo. Museu Mineiro, Minas Gerais. (Divulgação)

Serviço
Exposição: "Imagens do Aleijadinho", com curadoria de Rodrigo Moura.
Datas e horários: Abertura dia 9 de março, às 20h. Em cartaz de 10 de março a 10 de junho de 2018. De terça a domingo, das 10h às 18h (bilheteria aberta até as 17h30); quinta-feira, das 10h às 20h (bilheteria até 19h30).
Local: MASP (primeiro andar) | Avenida Paulista, 1578 - São Paulo.
Ingressos: R$35,00 (entrada); R$17,00 (meia-entrada). O MASP tem entrada gratuita às terças-feiras, durante o dia todo. AMIGO MASP tem acesso ilimitado e sem filas todos os dias em que o museu está aberto. O ingresso dá direito a visitar todas as exposições em cartaz no dia da visita. Estudantes, professores e maiores de 60 anos pagam R$17,00 (meia-entrada). Menores de 10 anos de idade não pagam ingresso. O MASP aceita todos os cartões de crédito.