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Hugo França - Um tronco para Exu

Artistas: Hugo França

Curadoria: Diógenes Moura e Adriana Rede

De 9/4 a 13/8

MAC - Museu de Arte Contemporânea Ver mapa

Endereço: Avenida Pedro Álvares Cabral, 1301 - Ibirapuera

Telefone: (11) 2648-0254

Força e respeito à natureza. Uma raiz milenar de um pequi-vinagreiro, árvore típica do Sul da Bahia, protagoniza a mostra Hugo França - Um tronco para Exu, que estreia no MAC USP (Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo) no dia 8 de abril, sábado, às 11h.

Neste importante capítulo da sua trajetória, França busca mostrar, por meio da sua arte, a aproximação despida de preconceitos entre o valor arqueológico do pequi e a mitologia afro-baiana na figura do Exu, orixá dinâmico e jovial, que exerce papel intermediário entre os homens e divindades. "A força transformadora desse orixá me inspira e me conecta ao pequi-vinagreiro, matéria-prima que reverencio e respeito”, diz França.


Hugo França. Fotografia: André Godoy 

No vão livre do MAC USP, a madeira de 1.200 anos aparece completamente suspensa. Grandiosa, a escultura que parece flutuar tem, no auge das suas quatro toneladas, um ar de leveza. Suas marcas, rugas, veios e buracos, cuidadosamente mantidos pelo artista, levam a uma linha do tempo que culmina na perpetuação.  

A resiliência do pequi, que resiste às queimadas e à investida dos insetos, o torna uma matéria-prima fora do comum. A madeira que seria descartada ganha vida com o trabalho de Hugo França que ressignifica o conceito da motosserra, símbolo de destruição das florestas, mas que nas suas mãos vira uma arma de preservação, levando a natureza de volta ao convívio humano de maneira harmoniosa.

 

“Pela primeira vez, tenho a oportunidade de mostrar a monumentalidade de uma raiz milenar, com o brutalismo que lhe é peculiar, estabelecendo um diálogo poético como o arquétipo de Exu na mitologia afro-baiana”, completou o artista.

Com curadoria de Diógenes Moura e Adriana Rede, Hugo França – Um tronco para Exu tem abertura no dia 8 de abril, sábado, às 11h, e terá visitação de 9 de abril e 13 de agosto de 2017 - terça das 10 às 21, quarta a domingo das 10 às 18 horas. Segundas fechado. Entrada gratuita.

Sobre Hugo França
Hugo França nasceu em Porto Alegre, em 1954. Em busca de uma vida mais próxima da natureza, mudou-se para Trancoso, onde viveu por 15 anos. Lá, percebeu o grau de desperdício na extração e uso da madeira, vivência que pautou seu trabalho. Desde o final dos anos 1980, desenvolve “esculturas mobiliárias”, expressão usada primeiramente pela crítica Ethel Leon e adotada pelo designer por sua precisão em descrever a produção que ele executa a partir de resíduos florestais e urbanos – árvores condenadas naturalmente, por ação das intempéries ou pela ação do homem.
www.hugofranca.com.br 

Trabalho
Foi em Trancoso, onde viveu por 15 anos, que Hugo começou a perceber o desperdício da madeira vítima de extração ou das intempéries. A convivência com os índios Pataxó, na confecção de artefatos utilitários – principalmente canoas –, despertou ainda mais seu interesse. Foi assim que, no final da década de 1980, quando sustentabilidade ainda não era um termo muito utilizado, Hugo França já fazia ecodesign, sofisticando o trabalho da natureza com a sensibilidade de um artista preocupado com o meio ambiente. Seu design orgânico está presente em lugares como o Instituto Cultural Inhotim, onde se encontra a maior coleção de peças do artista: são mais de 100 esculturas mobiliárias, a maioria de dimensões gigantescas. Também fazem parte do acervo permanente do Museu do Açude e do Centro Cultural Correios, no Rio de Janeiro, e do Museu Casa Brasileira, em São Paulo, além de integrar coleções particulares no Brasil e no exterior.

Serviço
MAC USP
Título da exposição: "Hugo França - Um tronco para Exu".
Abertura: 8/4/17, às 11h.
Entrada gratuita