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Hiperfoto - Brasil

Artistas: Jean-François Rauzier

Curadoria: Marc Pottier

De 15/3 a 6/5

Centro Cultural São Paulo Ver mapa

Endereço: Rua Vergueiro 1000 - Paraiso

Telefone: 11 3397-4002

O trabalho colorido e rico em detalhes do francês Jean-François Rauzier poderá ser conferido na mostra "Hiperfoto - Brasil", que o Centro Cultural São Paulo (CCSP) exibe entre os dias 15 de março e 6 de maio de 2018, com curadoria de Marc Pottier. As obras expostas causam certas dúvidas no observador: pintura ou fotografia? Real ou virtual? A resposta não é única. Em seu trabalho, o artista mescla fotografia e manipulação digital para criar novas imagens, com tons surrealistas. A exposição tem entrada livre e gratuita.

Jean-François Rauzier, Arte Rua SP 4, São Paulo, 2017. (Divulgação)

Após ter passado pelas cidades do Rio de Janeiro, Brasília e Salvador, o projeto, idealizado por Bertrand Dussauge, chega à capital paulista com cerca de 100 trabalhos, entre hiperfotos e hipervídeos – parte deles ainda inéditos, recriações de uma série de espaços da cidade. A mostra integra a iniciativa que o artista desenvolve em diversas metrópoles do globo desde 2002, quando começou a desenvolver suas primeiras hiperfotos.

Frustrado com as limitações técnicas da fotografia e inspirado por Polaroid, de David Hockney, Rauzier encontrou na digitalização da prática um universo de possibilidades. Com sua máquina sempre em mãos, ele roda o mundo em busca das particularidades do patrimônio mundial, fotografando de monumentos históricos a detalhes que poucos enxergam - chegando a disparar até dez mil cliques em um único dia de trabalho, procurando retratar todos os ângulos possíveis do local.

Jean-François Rauzier, Templo do Salomón, São Paulo, 2017. (Divulgação)

Saindo das ruas e indo para o estúdio, o artista dá início a um exaustivo processo de colagens, combinando as imagens umas às outras. Os trabalhos, que também contam com inserções de efeitos visuais, lembram composições cubistas, com inúmeros fragmentos de paisagens. A técnica foi batizada como hiperfotografia, em referência ao termo hiper-realismo adotado pelo psicanalista francês Jacques Lacan, para quem a realidade humana é constituída pela articulação do real, do simbólico e do imaginário.

“A palavra intensidade se adéqua perfeitamente a seus trabalhos", comenta o curador que destaca o caráter híbrido, quase fantástico, das obras do francês. "Suas fotografias, impressas em formatos enormes, intensificam o mundo sobre o qual ele lança seu olhar, criando uma espécie de casamento entre o macro e o micro, o virtual e o real. Desta maneira, ele nos mostra uma versão original e excepcional das cidades, das paisagens e dos assuntos que aborda”, afirma Marc Pottier.

Jean-François Rauzier, Arte Rua SP 3, São Paulo, 2017. (Divulgação)

As hiperfotografias brasileiras
Nos últimos quatro anos, o artista francês tomou o Brasil como protagonista de seus trabalhos. Neste período, registrou a exuberância do Rio de Janeiro, o sincretismo de Salvador e a arquitetura imponente de Brasília. Na última fase de seu projeto no País, Rauzier decidiu apontar suas lentes para São Paulo, retratando a arquitetura, o cotidiano e as contradições da megalópole.

Em Veduta SP1, por exemplo, o artista reúne centenas de casas clássicas e edifícios modernistas da capital. Em uma única imagem, o espectador tem uma visão panorâmica da arquitetura paulistana, onde a Igreja da Sé, o MASP e o Auditório do Ibirapuera se fundem a casarões dos séculos passados. Já em Veduta SP2, Rauzier apresenta milhares de espigões da cidade, registros do fotógrafo realizados a bordo de um helicóptero. Juntos, os trabalhos revelam “a memória do patrimônio de uma cidade inteira, em um grande formato”, pontua o artista.

Jean-François Rauzier, Veduta SP 2, São Paulo, 2017. (Divulgação)

Em suas caminhadas, o fotógrafo construiu um olhar bastante particular sobre a capital paulista e seus contrastes. “Sem dúvida nenhuma, São Paulo é a metrópole latino-americana que mais se aproxima de Nova York, se dividindo em dois estilos arquitetônicos bastante distintos: se por um lado temos casas e mansões construídas desde o século XIX, do outro, encontramos edifícios monumentais no estilo concretista do pós-guerra”, pontua o francês, chamando atenção para a intensa verticalização que os bairros têm experimentado nos últimos anos.

O fotógrafo recompôs também a Passagem Literária, espaço subterrâneo sob a rua da Consolação que reúne sebos de livros, exposições e, eventualmente, recebe apresentações musicais. O caráter underground do local impressionou o artista, que decidiu retratá-lo em diversos cliques. Os livros e cartazes, representados em perspectivas distintas, formam um grande mosaico colorido.

Jean-François Rauzier, Passagem Literária da Consolação, São Paulo, 2017. (Divulgação)

Grande marca de São Paulo, a arte urbana também chamou a atenção de Rauzier, para quem o grafite é o principal termômetro de uma democracia e da relação da juventude com a própria cidade. A seu ver, a maneira como se expressam sobre os muros diz muito sobre seus sonhos. Em algumas das hiperfotografias, como em Arte Rua SP 3, o público vai identificar grafites que já fazem parte do dia a dia do paulistano e que estão espalhados pelas empenas dos prédios e muros da cidade.

A mostra traz ainda um conjunto de hipervídeos que, em formato audiovisual, reproduzem o mesmo efeito das fotografias. Inúmeros fragmentos do cotidiano de São Paulo são combinados e multiplicados, revelando ao expectador a vitalidade daquela que é tida como a mais influente cidade da América Latina. Em um dos vídeos, por exemplo, o artista imortaliza os grafites da Avenida 23 de Maio, apagados em 2017 pela Prefeitura e recentemente substituídos por jardins verticais.

"Hiperfoto – Brasil" encerra o projeto iniciado por Rauzier em 2015 reunindo não apenas obras inéditas que retratam São Paulo, mas também amostras do trabalho apresentado nas outras três capitais do País por onde o fotógrafo passou. A exposição traz ao público um registro documental do Brasil do século XXI. Mais do que isso, vislumbra a construção de cidades utópicas e oníricas, onde o belo prevalece.

Jean-François Rauzier, Planalto, Brasília, 2015. (Divulgação)

Sobre o artista
Nascido em Sainte-Adresse, na França, Jean-François Rauzier começou a fotografar aos 23 anos de idade. Trabalhou como pintor e escultor ao longo de três décadas. Criou em 2002 a técnica da Hiperfotografia, sob a qual já registrou detalhes de espaços como bibliotecas, castelos e igrejas de 15 cidades do mundo, entre Paris, Barcelona, Istambul, Nova York e Veneza.

O fotógrafo foi vencedor do prêmio Arcimboldo, em 2008, e o prêmio APPPF em 2009. Sua obra já foi exibida em instituições como a Fundação Annenberg de Los Angeles; o Palácio das Belas-Artes, de Lille; e MOMA de Moscou. Tem trabalhos de sua autoria em importantes coleções de arte contemporânea, entre as quais a Louis Vuitton e do Instituto Cultural B. Magrez.

Jean-François Rauzier, Cristo 9, Rio de Janeiro, 2014. (Divulgação)

Serviço
Exposição: "Hiperfoto - Brasil", de Jean-François Rauzier com curadoria de Marc Pottier.
Datas e horários: Abertura dia 15 de março, às 18h. Em cartaz até 6 de maio de 2018. De terça a sexta, das 10h às 20h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h.
Local: Centro Cultural São Paulo | Rua Vergueiro, 1000 - Paraíso, São Paulo.
Entrada livre e gratuita.