AGENDA CULTURAL

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Hexacordo | Um ensaio sobre o desenho

Artistas: Tuneu

Curadoria: - | Claudio Mubarac

De 2/2 a 25/3

Galeria Raquel Arnaud Ver mapa

Endereço: Rua Fidalga, 125 - Vila Madalena

Telefone: (11) 2368-1572

Para abrir o calendário de 2017, a Galeria Raquel Arnaud apresenta uma grande exposição dedicada ao professor, pintor e desenhista Tuneu (Antonio Carlos Rodrigues – São Paulo, 1948). Intitulada Hexacordo, termo que vem da música e define uma série diatônica de seis tons consecutivos da escala fundamental, a mostra conta com 19 desenhos em papel, quatro telas e quatro objetos ou esculturas, suporte com o qual o artista não trabalhava desde o início da década de 70. Todos os trabalhos são inspirados na figura do hexágono e podem ser compreendidos como um desdobramento do que Tuneu vinha produzindo ao longo dos últimos anos. 

No caso dos desenhos, o artista optou por usar a tinta acrílica aplicada sobre o papel Fabriano. As figuras hexagonais são fechadas na cor, sem os brancos inseridos no meio, como nos desenhos apresentados em sua última exposição na galeria, em 2013, quando optou pela aquarela aplicada sobre o papel Arches, criando espaços internos vazios, sobrepondo finas camadas aguadas de cores. A quebra aqui só acontece quando surgem linhas brancas inseridas nos blocos de cor, que ora seguem o desenho, ora quebram o padrão hexagonal. Segundo o artista, essa nova série se aproxima mais da pintura do que do desenho, principalmente pela potência cromática imposta pela tinta acrílica. 


Tuneu. Sem Título, 2016. Acrílica sobre tela. 105 x 120 cm

Para os objetos produzidos em aço corten, na sua cor original, Tuneu usa um recurso que vem da tradição construtiva dos anos 50, o corte e dobra, que tem Luiz Sacilotto e Amilcar de Castro como mestres.  O artista realizou inúmeros estudos dessa técnica com o hexágono até alcançar as quatro esculturas agora apresentadas. 

Sobre Tuneu
Professor, pintor e desenhista, Tuneu (Antonio Carlos Rodrigues – São Paulo, 1948) estudou com Tarsila do Amaral entre 1960 e 1966 e recebeu influência de Wesley Duke Lee. Foi assistente de Willys de Castro e Hércules Barsotti durante vários anos. Entre as exposições de que participou, destacam-se: Salão de Arte Contemporânea de Campinas (várias edições entre 1966 e 1974, Prêmio Viagem à Europa, 1970, e Prêmio Aquisição, 1974); 16º e 17º Salão Paulista de Arte Moderna (São Paulo, 1967 e 1968); Bienal Internacional de São Paulo (várias edições entre 1967 e 1975), Prêmio Aquisição Itamaraty, 1971 e 1975; Panorama da Arte Atual Brasileira, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (várias edições entre 1971 e 1989); 3º e 6º Salão Paulista de Arte Contemporânea, no Museu de Arte de São Paulo (1971 e 1975); Arte na Rua 2 (São Paulo, 1984); Off Bienal, no Museu Brasileiro de Escultura (São Paulo, 1996). Apresentou uma exposição individual na Galeria Raquel Arnaud, em 2008, e em 2010 na Casa de Cultura de Paraty (Rio de Janeiro). A editora BEI organiza um amplo catálogo sobre a trajetória e a obra do artista. A Galeria Raquel Arnaud o representa desde 2008.

Já no segundo andar, em Um ensaio sobre o desenho, o professor e gravador Claudio Mubarac realiza a curadoria de uma pequena mostra de desenhos do acervo da galeria. Para Mubarac, que viu a exposição Goeldi/Jardim, a gravura e o compasso, da qual também foi curador, figurar entre as 10 melhores do mundo pelo Hyperallergic em 2016, foram dois os desafios para organizar esta coletiva: “a seleção propriamente dita, pela qualidade excepcional dos trabalhos, e o da fatura e sentidos diversificados que o desenho passa a ter para artistas com projetos tão distintos”. Diante disso, Mubarac selecionou trabalhos de artistas das mais variadas gerações, mostrando a abrangência temporal do acervo de RaquelArnaud.


Lasar Segall. Retrato de Margareth, 1920.

Estão lá, por exemplo o “Retrato de Margarette” (1920), de Lasar Segall, além de uma obra da coleção de desenhos antigos de Arthur Luiz Piza, de 1949, até trabalhos mais recentes como um desenho sem título de Waltercio Caldas (1990) e um trabalho produzido por Ester Grinspum em 2016. “A intenção foi criar um gabinete de desenhos aonde o silêncio dos trabalhos abrigue, a um só tempo, a multiplicidade dos horizontes e as várias oficinas dos desenhistas”, explica Mubarac.  

Sobre o curador
Nascido em Rio Claro, SP, em 1959, Claudio Mubarac vive e trabalha em São Paulo. Desde 2005 tem feito curadorias para diversas instituições no Brasil, dentre as quais se destacam “O desenho estampado: a obra gráfica de Evandro Carlos Jardim”(2005), que recebeu o Prêmio Bravo de melhor exposição do ano, “Valongo: xilogravuras de Fabrício Lopez” (2009), “Quatro Ensaios Gráficos” (2012/2013) e Imagem(gráfica) 2014/2015, em parceria com Carlos Martins, todas para a Pinacoteca do Estado de São Paulo; “Das dez mil faces: a gravura de Madalena Hashimoto” (2008), para o Instituto Moreira Salles; “Gilvan Samico: primeiras estórias” (2014), Centro Universitário Maria Antônia (USP), com Priscila Sacchettin, e “Goeldi/Jardim: a gravura e o compasso” (2015/2016), para o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo.

Serviço: 
Tuneu – Hexacordo
Um ensaio sobre o desenho – Curadoria de Claudio Mubarac
Abertura: 02 de fevereiro, das 19h às 22h
Até 25 de março de 2017