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Gerty Saruê e Antonio Lizárraga

Artistas: Gerty Saruê e Antonio Lizárraga

Curadoria: -

De 7/10 a 14/11

Galeria Marcelo Guarnieri Ver mapa

Endereço: Alameda Lorena, 1966 - Jardim Paulista

Telefone: (11) 3063-5410

Pertencentes à mesma geração, as produções de Gerty Saruê e Antonio Lizárraga expostas na galeria, se desdobram entre desenhos, esculturas em metal, pinturas, monotipias, fotografias e colagens. Em cartaz até 14 de novembro, a mostra sintetiza signos da vida moderna, numa relação entre a plástica e o visual das contradições de uma metrópole.


Gerty Saruê-  Espacial, 1970. Monotipia impressa em tinta tipográfica e nanquim.

O processo de industrialização da segunda metade do século XX no Brasil, a promessa do futuro redentor, aliado aos lemas da ordem e do progresso, as contradições entre o indivíduo e a sociedade, verbalizadas por códigos e linguagens visuais e gráficas, que desestabilizam o estado atual das coisas; assim, podemos definir brevemente as aproximações entre os trabalhos dos artistas Gerty Saruê e Antonio Lizárraga, que podem ser conferidos a partir do dia 07 de outubro, sábado, 14h, na Galeria Marcelo Guarnieri, unidade Jardins. Aberta ao público até 14 de novembro, a mostra destaca obras dos anos 60 aos anos 2000, com técnicas como desenho, escultura em metal, pintura, monotipia, fotografia e colagem.

Gerty Saruê 
Nascida na Áustria, criada na Bolívia, e com residência a partir de 1954 na cidade de São Paulo, Gerty Saruê, desde cedo percebeu a necessidade em aprender outras línguas. Deste deslocamento geográfico e da linguagem, o encontro com uma cidade em vias de expansão e industrialização – a SP da década de 50 – nasce o olhar para os aspectos materiais e visuais dessa nova dinâmica que se desenhava, entre o frenesi do ritmo da cidade, e o estranhamento por parte de seus habitantes. As engrenagens das máquinas, as ferramentas dos trabalhadores, as planilhas e os diagramas, as plantas urbanísticas, os materiais de escritório, os números e os letreiros infinitos, aparecem em sua produção transfigurados pelo desejo incessante de uma linguagem própria, que encontra sua formalidade em técnicas como colagens, desenhos, gravuras ou fotografias. 


Gerty Saruê- Nebulosa, 2015. Impressão em papel de algodão, 91 x 78,5 cm.

Superposições e sobreposições, a utilização de materiais descartados e a utilização de signos inexpressivos e impessoais da vida cotidiana, criam uma “gramática” visual própria no trabalho da artista, num diálogo com o seu tempo histórico, e sua figuração em formas, texturas, materiais, e novos arranjos.

Algumas obras destacam a multiplicidade de interesses formais desta “nova língua”, como Sem Título, de 1967, uma assemblage em madeira, com peças enferrujadas, que sofreram processo de oxidação, e que, agora, questionam o movimento inerente das coisas e da vida, mas, também, a lógica do consumo produtivista. Burocráticas, de 1980, traz a desordem gráfica, para contestar a aparente ordem desejada, após 30 anos do início da industrialização no país. Síntese, sem fechar a discussão, dos signos e emblemas do momento vigente à época, com crise econômica na América Latina, queda do PIB e inflação, Burocráticas, como em outras obras, é o decalque invertido de uma sociedade. Como se tudo estivesse fora da ordem, e os objetos produzidos pela artista fossem “registros fósseis invertidos de uma sociedade tão preocupada em ordenar e progredir”, sua linguagem se distende como como arqueologia do nosso passado, e cartografia como leitura do presente no instante do acontecimento da obra. 


Gerty Saruê- Imã, 1968. Monotipia.

Antonio Lizárraga
Argentino de origem, naturalizado brasileiro desde fins da década de 50, Antonio Lizárraga foi um dos artistas mais proeminentes e múltiplos da sua geração. Designer, programador visual, ilustrador, pintor, escultor e um dos primeiros a realizar intervenções no espaço público, na cidade de SP, colaborou até 1967, como ilustrador para o Suplemento Literário do jornal O Estado de São Paulo. 


Antonio Lizárraga - Série Itaim Bibi - Vila Olímpia - Margem Sul, 1994. Nanquim sobre papel, 60 x 60 cm.

Para a mostra da Galeria Marcelo Guarnieri, o fascínio pelo maquinário moderno de escalas monumentais, como escavadeiras e guindastes, projetos urbanísticos de grandes avenidas, aparece acompanhado do interesse pelo acidental, pelo erro, pela ruína, articulando, em suas obras, o orgânico e o mecânico. Em Cubos/Sem Título, de 1990, ao cortar as superfícies, novos planos e estruturas surgem, num objeto tridimensional.

Apontado pela crítica de arte como uma das referências da pintura brasileira contemporânea, seja pelo seu particular método de trabalho e processo criativo desenvolvido após um acidente vascular cerebral (AVC), ou a resistência à arte concreta da década de 60, e a necessidade em se manter fora de grupos e escolas, caracterizando assim uma produção crítica e autônoma. 


Antonio Lizárraga - Infâmia Infância, 1985. Colagem, 50 x 36 cm.

Após o AVC, o artista perdeu parcialmente os movimentos das pernas e dos braços, produzindo, a partir daí, os desenhos ditados, série de trabalhos que se materializavam por meio da ação de outras pessoas que operavam a partir das orientações e comandos que Lizárraga emitia por meio da voz. Antes dos desenhos ditados, porém, vieram os poemas ditados, e talvez, a melhor ilustração sobre como se relacionava Lizárraga com a definição – ou expansão – da ideia de limite, seja mesmo dada por um deles: “existe um homem que constrói mirantes para os peixes começarem a gostar do mar”.

Serviço:
Exposição: Gerty Saruê e Antonio Lizárraga
Data e Horário: 07 de outubro às 14h
Em cartaz: até 14 de novembro
Horário de funcionamento: De segunda a sexta das 10h às 19h; sábado das 10h às 17h
Local: Galeria Marcelo Guarnieri-  Alameda Lorena, 1966 – Jardins
Entrada livre e gratuita.