AGENDA DAS ARTES

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Estruturas e Pinturinhas | Um Corpo Impermanente

Artistas: Daniel Feingold | José Pedro Croft

Curadoria: -

De 8/11 a 26/1

Galeria Raquel Arnaud Ver mapa

Endereço: Rua Fidalga, 125 - Vila Madalena

Telefone: (11) 2368-1572

A Galeria Raquel Arnaud encerra as atividades em 2018 com duas exposições simultâneas: "Estruturas e Pinturinhas", exposição de pinturas de Daniel Feingold, comemorando os 25 anos do artista em seu elenco; e "Um Corpo Impermanente", de José Pedro Crof, artista plástico português convidado por Feingold. Ambas as mostras permanecem em cartaz entre os dias 8 de novembro de 2018 e 26 de janeiro de 2019. A entrada é livre e gratuita.

Daniel Feingold, Estrutura #25, 2017. Esmalte sintético sobre Terbrim, 50 x 120 x 5 cm (díptico). Foto: Divulgação.

Em diferentes suportes, escalas e materiais, Daniel Feingold apresenta um conjunto de obras que estabelece narrativas construtivistas entre o espaço e seus desdobramentos, planos cromáticos e suas dobraduras, revelando um jogo pictórico fundamental à compreensão da poética do artista carioca.

No térreo, Feingold exibe uma seleção com cerca de sete obras da série Estrutura. São pinturas em grande formato realizadas com esmalte sintético sobre terbrin. O esmalte sintético, tinta de matéria espessa e de resolução direta e rápida, é utilizada pelo artista desde o início da década de 90, quando ganhou uma bolsa de estudos do governo brasileiro para fazer o mestrado no Pratt Institute, em Nova York. Curiosamente, foi numa exposição na Galeria Raquel Arnaud, em 1998, a primeira vez que Feingold apresentou seus trabalhos com esse material.

O uso do esmalte sintético se opunha à pintura diáfana produzida até então. A ambição pela estética da pureza, segundo o artista, deu lugar à busca por uma unidade pictórica que parte do que o crítico Luiz Camillo Osório chamou de “acaso controlado”. Daniel Feingold não usa pincel. Seu método consiste em escorrer o esmalte sintético do topo das telas através de uma lata com um bico na parte superior. É o gesto de sua mão que vai determinar a quantidade de tinta despejada para tentar conduzir aquilo que é incerto. A pintura ocorre nesse processo original, onde a geometria ao mesmo tempo organiza e confunde o olhar, criando um jogo óptico no qual não se consegue distinguir figura, fundo ou mesmo os limites das linhas criadas pelo escorrimento.

Daniel Feingold, Desenho #002, 2017. Bastão oleoso sobre papel Hannemulle 320 gr, 46 x 60 x 4 cm. Foto: Divulgação.

Segundo Paulo Sergio Duarte, que assina o texto da exposição, “Há toda uma paciência e uma espera. Há um tempo contido em cada linha de cor que se derrama sobre a superfície. Quando o vemos, parece congelado, mas não está; essa queda de cada linha, em direção ao limite do quadro, nos transmite um lento sentir que nos penetra e nos ensina a não aderir aos sôfregos apelos do cotidiano”, afirma o crítico.

Já no piso superior estão trabalhos em pequena escala, a maioria produzida em 2018. São cerca de 12 obras da série Pinturinhas, realizadas em bastão a óleo sobre tela e mais 12 desenhos em bastão a óleo sobre papel. Segundo o artista, essas obras são uma espécie de reação subjetiva ao comportamento sempre objetivo do esmalte industrial. Uma necessidade de criar situações estéticas mais afetivas com uma matéria clássica, a tinta à óleo, que se opõe completamente ao caráter industrial do esmalte sintético. Se nas Pinturinhas o que interessa é a liberdade pictórica e cromática, a convulsão e permissão ao erro no gesto realizado com o bastão, nos desenhos o que se vê é uma continua exploração acerca das formas. São obras de organização mais contida, concretas, que revelam como a formação de arquiteto permite pensar a arte de uma forma não desconectada da arquitetura e do design.

Daniel Feingold, Estrutura #21, 2017. Esmalte sintético sobre Terbrim, 50 x 120 x 5 cm (díptico). Foto: Divulgação.

Em "Um corpo impermanente" o artista plástico português José Pedro Croft (Porto, 1957), um dos maiores expoentes da arte europeia, expõe na Galeria Raquel Arnaud, desenhos, gravuras e duas esculturas inéditas projetadas para a exposição. O espaço da galeria interessa particularmente a Croft, pelas particularidades que traz.

Realizada em parceria com a galeria carioca Mul.ti.plo Espaço Arte, a mostra é, na verdade, constituída de trabalhos de arte que como corpos se medem com a nossa própria escala e usam a arquitetura como mediação. Nesse mergulho, os trabalhos bidimensionais (gravuras e desenhos) tentam fixar uma forma, delimitá-la, trabalho inglório, pois ainda não é, ou que já não é - comenta o artista. Afinal são corpos em construção, compostos por planos e linhas. Vetores que se complementam, e se anulam simultaneamente. A partir da mesma estrutura que se repete e altera,  num caminho que se pretende estreito, para daí ampliar possibilidades do espectador.

José Pedro Croft, Sem título, 2018. Água forte, água tinta, ácido direto, verniz e nanquim, 168 x 125 cm. Foto: Divulgação.

Há também duas obras tridimensionais. Uma escultura que é como uma coluna, cruzamento de dois planos transparentes, ergue-se de forma obliqua a partir do chão, quase tocando o teto da galeria. Elementos em vidro, delimitam o espaço “interior” desta cruz, jogos de falsas simetrias, de obstrução com transparências e reflexos. Esse corpo impermanente, frágil e maior, contido provisoriamente pela arquitetura.

Uma escultura, esta de canto repete uma cruz, que se agarra à arquitetura como uma prótese. O vazio e os espelhos rebatem e multiplicam a estrutura. Ao mesmo tempo são ativadas e deslocadas porções de espaço. Pela altura em que a obra está instalada, o nosso corpo fica diretamente envolvido.

O crítico Luiz Camillo Osório olhando suas obras recentes, vê a presença de um pensamento arquitetônico às avessas, em que a gravidade é enfrentada em nome da leveza e de uma espécie curiosa de fabulação material: no qual os materiais usados parecem contrariar sua vocação original e assumem sempre uma perversão espacial, apostando nos vazios e nos espelhamentos, nos fazendo ver possibilidades do material e do espaço a sua volta, que de inicio pareciam-lhes vedadas, completa o professor.

José Pedro Croft, Sem título, 2017. Água forte, água tinta, ácido direto e ponta seca, 148 x 195 cm. Edição de 15. Foto: Divulgação.

Serviço
Exposições: "Estruturas e Pinturinhas", de Daniel Feingold; "Um Corpo Impermanente", de José Pedro Croft.
Datas e horários: Abertura dia 8 de novembro de 2018, quinta-feira, às 19h. Em cartaz até 26 de janeiro de 2019. De segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 12h às 16h.
Local: Galeria Raquel Arnaud | Rua Fidalga, 125 – Vila Madalena, São Paulo.
Entrada livre e gratuita.