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Emblema da Cultura Brasileira – Retrospectiva da Obra Gráfica

Artistas: Claudio Tozzi

Curadoria: Manuel Neves

De 13/3 a 20/5

Caixa Cultural Ver mapa

Endereço: Praça da Sé, 111 - Centro

Telefone: (11) 3321-4400

CAIXA Cultural São Paulo apresenta, entre os dias 13 de março e 20 de maio, a exposição "Emblema da Cultura Brasileira – Retrospectiva da Obra Gráfica", com uma visão panorâmica do trabalho de Claudio Tozzi nos últimos 50 anos - artista fundamental na cena contemporânea brasileira. Com curadoria de Manuel Neves, a mostra reúne 93 obras produzidas entre 1968 e 2018, sendo a mais completa exposição já realizada sobre a produção gráfica do artista. A entrada é livre e gratuita.

Claudio Tozzi, O olhar, 1967. Serigrafia sobre papel, 68 cm x 95 cm. (Divulgação)

A mostra é resultado de uma pesquisa realizada pelo curador na École des Hautes Études en Sciences Sociales, em Paris, onde investigou a produção da arte brasileira na segunda metade da década de 1960 - período no qual a obra de Claudio Tozzi ocupa lugar de destaque. As imagens reunidas na exposição englobam toda a produção de Tozzi, em suas diversas fases: multidões, bandido da luz vermelha, astronautas, parafusos, cor pigmento luz, recortes e territórios – esta última, a fase mais recente.

Na exposição pode-se perceber que o artista apresenta soluções técnicas coerentes com cada fase de sua produção pictórica, com utilização de variados processos de reprodução gráfica: serigrafia, xerox, litografia, gravura em metal, zinc offset e digitografia. Fica evidente também a absoluta coerência de linguagem entre a pintura e o meio de reprodução utilizado em cada fase da produção do artista. Assim, as cores chapadas dos astronautas e multidões da década de 60 são reproduzidas pelo processo de serigrafia. Os parafusos, mais simbólicos e contidos, exigem técnica mais intimista, a gravura em metal. Já a produção mais recente de Tozzi exige técnicas e superposições de retículas gráficas, que permitem ao espectador uma percepção mais ampla da forma e da cor através da somatória ótica de retículas com variações de seus matizes.

Claudio Tozzi, Multidão, 1972. Serigrafia sobre papel, 61 cm x 84,5 cm. (Divulgação)

"Este corpus de obras não só demonstra a coerência formal e discursiva desenvolvida por Claudio Tozzi durante mais de cinquenta anos de labor na gráfica. Demonstra também como a edição gráfica foi uma ferramenta fundamental de investigação e experimentação formal e, ao mesmo tempo, uma reflexão política sobre o espaço da arte na sociedade atual e seus mecanismos de distribuição, dentro de uma consciência permanente do artista da importância da popularização da arte, como da ampliação constante de seu público", comenta o curador em trecho do texto presente no catálogo da exposição.

Claudio Tozzi, Sem título, 1986. Serigrafia sobre papel, 50 cm x 72 cm. (Divulgação)

Sobre o artista
Nascido em 1944, o paulistano Claudio Tozzi estudou no Colégio de Aplicação da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (1956 a 1962) e na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (1964 a 1969), onde trabalha como professor. Iniciou seu percurso de artista no começo da década de 60, através da apropriação de objetos, imagens de jornais, história em quadrinhos e fotografias associadas a conotações simbólicas de conteúdo social. Em 1967, seu painel Guevara, Vivo ou morto..., exposto no Salão Nacional de Arte Contemporânea, é destruído a machadadas por um grupo radical de extrema direita, sendo posteriormente restaurado pelo artista. Tozzi viaja a estudos para a Europa em 1969. A partir dessa data, seus trabalhos revelam uma maior preocupação com a elaboração formal.

Na década dos 70 cria em sua pintura uma sintaxe através da construção de uma trama de retículas e granulações cromáticas, que resultam em estruturas e espaços de intensos significados simbólicos. É um processo mais cerebral e perceptivo do que emocional e expressivo, do qual a essência é o conceito, a estrutura e a construção do espaço da pintura.

A partir da década de 80, até as obras mais recentes, intensifica sua preocupação formal e passa a trabalhar com elementos estruturais básicos: linhas, planos, cores, formas orgânicas, matérias; que criam analogias formais com imagens preexistentes e ampliam seu caráter construtivo. Em seu processo metódico e objetivo, Tozzi utiliza ícones visuais – parafusos, escadas, fragmentos de objetos, símbolos tropicais, espaços urbanos etc. – e os desconstrói, captando seus aspectos essenciais, revelando-se, desta forma, artista de elevado rigor formal, cuja obra transita por vertentes construtivas e conceituais.

Claudio Tozzi, Sem título, década 2000. Serigrafia sobre papel, 72 cm x 101 cm. (Divulgação)

Serviço
Exposição: "Emblema da Cultura Brasileira – Retrospectiva da obra gráfica", de Claudio Tozzi com curadoria de Manuel Neves.
Datas e horários: Abertura dia 13 de março, das 19h às 21h. Em cartaz até 20 de maio de 2018. De terça a domingo, das 9h às 19h.
Local: CAIXA Cultural São Paulo | Praça da Sé, 111 - Centro, São Paulo (próxima à estação Sé do Metrô)
Entrada livre e gratuita.