AGENDA DAS ARTES

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Dentro, o que existe fora | Deus está solto!

Artistas: Lydia Okumura | Varios

Curadoria: - | Germano Dushá

De 4/2 a 18/3

Galeria Jaqueline Martins Ver mapa

Endereço: Rua Doutor Virgílio de Carvalho Pinto - Pinheiros

Telefone: (11) 2628-1943

Exposição "Dentro, o que existe fora"
De Buffalo, nos Estados Unidos, a exposição abre dia 04 de Fevereiro na Galeria Jaqueline Martins, em São Paulo, segue para Utah a partir de Março, depois Texas, Pasadena e Nova York. A artista teve diversos trabalhos apresentados fora do Brasil, onde fixou residência. Sua sala especial recebeu um dos 10 Prêmios Bienal de São Paulo em 1977, ocupou o Espaço Arena da Pinacoteca, em 1981 e teve sala especial na Bienal em 1983. Em 1984 ocupou simultaneamente o MAM e a Galeria São Paulo. O público poderá agora conferir uma retrospectiva de seus principais trabalhos na mostra dentro, o que existe fora, na Galeria Jaqueline Martins. A exposição irá ocupar todo o segundo andar com instalações e obras em papel, desenhos e projetos originalmente apresentados nas décadas de 1970 e 1980.


Lydia Okumura, PSI 1981

A artista tem site-specific na casa Auroras, confíra.

Exposição "Deus está solto!" 
Deus está solto! Grita Caetano Veloso, no dia 15 de setembro de 1968. Na ocasião, diante de vaias e gritaria, enquanto a banda continuava a tocar como era possível, o artista interrompia a música “É proibido proibir” no Festival Internacional da Canção (FIC) para discursar de forma improvisada em resposta à parte da plateia enfurecida que insistia em lhe interromper. Feito um transe repentino anexo à linearidade de seu discurso, o dito empregava um revestimento esotérico ao tumulto, e se opunha à repressão daqueles comprometidos com um nacionalismo de esquerda e que não toleravam traços estrangeiros ou religiosos.

No ano da Sexta-feira Sangrenta, da Passeata dos Cem Mil, e do AI-5, o caso é emblemático pra se pensar a atmosfera social e importantes aspectos do debate político da época, e de agora. Marca também ponto firme num momento de uma série de experimentações estéticas radicais. E a leitura da frase — de aspiração mística com espessura de dito popular — fatalmente esquecida pela memória comum, pode jogar luz, por vias racionais e esotéricas, sobre nuances do imaginário social do Brasil e dos traumas por quais passou o país em sua história recente. De igual maneira, pode fazer refletir sobre a capacidade de um sujeito transitar por todos os lugares e demandas, e sobre nosso potencial de ação como corpo coletivo.

Concebido para tomar como suporte um dispositivo feito para arquivar telas em 9 páginas frente e verso, o projeto é composto por trabalhos de duas gerações: 1968 ao começo dos anos 80, e de 2013 a 2017. Ao revisitar documentos, rever narrativas e propor novos diálogos, dispara em direção a questões envolvendo liberdade, repressão, êxtase coletivo, transe estético, colapso institucional e gestão de crise. São cruzamentos que traçam um quadro temporal não linear, de idas e vindas, gangorras e emaranhados, para abordar o estado de espírito conturbado do nebuloso cenário atual. Por fim, se inclina sobre as indesejáveis imposições à força e os flagrantes esgotamentos históricos, econômicos e organizacionais diante dos quais nos encontramos para, com sorte, ser possível imaginar e experimentar o que ainda não sabemos, ou aquilo do qual ainda não damos conta.

 
Mario Ishikawa. Torneio Democrático 1980

Artistas participantes:  3nós3 – Arte/Ação – Gabriel Borba Filho – Glauber Rocha – Hélio Oiticica – Marcelo Cidade – Mario Ishikawa – Martha Araújo – Marília Furman – Maurício Ianês – On/Off – Pontogor – Rafael RG – Rogério Sganzerla – Torquato Neto – Traplev

Agradecimentos: Sé Galeria / Galeria Vermelho / Coleção Paulo Renato Almeida / Coleção Ana Letícia Fialho / Coleção Moraes Barbosa / Projeto Hélio Oiticica