AGENDA DAS ARTES

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Dan Graham

Artistas: Dan Graham

Curadoria: -

De 12/8 a 12/11

Galeria Nara Roesler Ver mapa

Endereço: Avenida Europa, 655 - Jardins

Telefone: (11) 3063-2344

No dia 12 de agosto a Galeria Nara Roesler em São Paulo inaugura, ao lado da exposição “Tomie Ohtake: nas pontas dos dedos”, a primeira individual de Dan Graham (Urbana, IL, EUA, 1942) em seu espaço. A mostra do americano permanece em cartaz até 12 de novembro de 2017, com entrada gratuita.

A mostra exibirá “Pavillion” (2016), obra criada especialmente para a ocasião, além de seis maquetes sem título (2011-2016) e o vídeo “Death by Chocolate: West Edmonton Shopping Mall” (1986-2005). A exposição contribui para elucidar a obra do artista, que desde a década de 1960 realiza experimentos multimídia envolvendo performances, vídeos e arquitetura, no sentido de refletir não apenas sobre as instituições de arte e seu contexto comercial, como também sobre as implicações sociais das estruturas de consumo, representação e comunicação.

Paralelamente à mostra, em uma parceria da Galeria Nara Roesler com o MIS, será exibido no museu, dia 13 de agosto, às 16h, dois vídeos emblemáticos de Dan Graham: “Rock My Religion” (1983-1984) e “Don’t Trust Anyone Over 30” (2004). Após as sessões haverá mesa-redonda sobre a obra, com Marta Bogéa, Agnaldo Farias e Solange Farkas. 


Dan Graham, Sem Nome, 2016. Divulgação.

A série “Pavillions” consagra o envolvimento crítico do artista com os parâmetros visuais e cognitivos da linguagem arquitetônica dentro e fora das instituições de arte. Na inédita “Pavillion” (2016), apresentada na Galeria Nara Roesler, a inspiração é o arquiteto russo Konstantin Melnikov, cujas estruturas de vanguarda refletem a aspiração a uma nova sociedade coletivizada dos primeiros anos da antiga URSS. A arquitetura de Melnikov está em consonância com o pensamento sobre as formas do espaço numa sociedade de massa: seu trabalho não só exemplifica o surgimento de desenhos inéditos em projetos para espaços públicos como apresenta uma estética construtivista que mais tarde seria adotada por cenógrafos para criar uma nova forma de espaço no teatro.

Desde 1976, o artista produz Pavilhões de vidro e espelhos que aliam a materialidade objetiva da arte ao seu significado conotativo. “De início, o espectador poderá enxergar a estrutura e os materiais em termos puramente estéticos; após passar algum tempo naquele espaço … os aspectos psicológicos e sociais dos materiais e da estrutura se tornarão evidentes”, descreve o artista. Graham cria uma experiência subjetiva para o espectador, que é levado a participar de um jogo de exclusão e inclusão psicológica no qual, ao invés de observar obras de arte ou produtos, torna-se ele próprio o objeto do olhar do outro. A utilização de vidro e espelhos para modificar a experiência dos espectadores encontra um corolário em espaços públicos, como certas áreas de aeroportos internacionais e alas de maternidade, onde esses materiais são usados como divisórias e delimitadores. Como afirma o artista, “nos contextos artísticos, muitas vezes somente os efeitos estéticos do vidro e dos espelhos são notados; ao passo que, fora do contexto expositivo, esses mesmos materiais são empregados para controlar a
realidade social de uma pessoa ou grupo de pessoas”. 


Dan Graham, Sem Nome, 2016. Divulgação.

Já em “Death by Chocolate: West Edmonton Shopping Mall” (1986-2005), que também integra a exposição, o título faz referência à placa do nome de uma loja no shopping center retratado no vídeo. Produzida por Graham no Banff Center, Canadá, a compilação de 8 minutos registra atividades cotidianas filmadas no shopping center ao longo de quase 20 anos. O curta mostra grama sintética, filhotes de onça domesticados, um chafariz decorativo numa praça de alimentação e garotos brincando em piscinas. A obra chama a atenção para a abundância de símbolos de consumo, lazer e entretenimento colocados na paisagem construída do shopping, em grande medida composto de vidro e paredes espelhadas, superfícies e divisórias. O vídeo ecoa os textos de Graham sobre espaços públicos, numa crítica ao ecossistema comercial capitalista criado pela linguagem visual e estrutural do shopping center, uma estrutura corporativa capitalista. “Death by Chocolate: West Edmonton Shopping Mall” (1986-2005) aborda a pergunta que, segundo Graham, está implícita em toda obra arquitetônica: “qual é a relação da arte e da arquitetura e seu efeito sociopolítico em seu ambiente imediato?”

Já o documentário “Rock My Religion”, que será apresentado no MIS, trata-se de uma colagem de música, textos e imagens em vídeo que relaciona a história de grupos religiosos dos Estados Unidos ao desenvolvimento do rock’n’roll. A obra cria uma genealogia cultural que começa com os Shakers, um antigo grupo religioso que pregava o celibato e o trabalho e que se reunia uma vez por semana para realizar rituais religiosos nos quais os fiéis giravam e dançavam até entrar num estado hipnótico. As coincidências entre o movimento do rock e os Shakers vão além do fato de ambos incorporarem o transe a suas práticas. 


Dan Graham, Sem Nome, 2016. Divulgação.

Como escreve Graham, “Na década de 1950, surgiu uma nova classe, uma geração cujo dever não era produzir, e sim consumir; eram os ‘adolescentes’. Libertos da ética do trabalho, para não fazerem aumentar o desemprego no pós-guerra, e da ética puritana do trabalho, sua filosofia era a diversão. Sua religião era o rock’n’roll. O rock inverteu os valores da religião americana tradicional. O vídeo destaca o surgimento da cultura do rock como um marco no desenvolvimento de uma cultura adolescente guiada pelo mercado e surgida no contexto do pós-guerra.

Serviço
Exposição: Individual de Dan Graham.
Datas e horários: Abertura dia 12 de agosto, sábado, das 11h às 15h. Em cartaz até 12 de novembro de 2017. De terça a sexta-feira, das 10h às 19h; sábado, das 11h às 18h.
Local: Galeria Nara Roesler | Av. Europa, 655 - Jardins, São Paulo.
Entrada livre e gratuita.