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Crônicas Urgentes

Artistas: Maxwell Alexandre, Marcela Cantuária e Victor Mattina

Curadoria: -

De 16/10 a 21/12

Fortes D'Aloia & Gabriel Ver mapa

Endereço: Rua Fradique Coutinho, 1500 - Vila Madalena

Telefone: (11) 3392-3942

A mostra "Crônicas urgentes", em cartaz na Fortes D'Aloia & Gabriel, reúne trabalhos de três pintores cariocas – Marcela Cantuária, Maxwell Alexandre e Victor Mattina –, que têm em comum a escolha da narrativa como eixo central de suas obras. A urgência, presente no título, desvela uma relação paradoxal na composição dessas pinturas: em uma era de saturação e produção constante de imagens, seus traços eternizam na tela enredos atrelados ao calor do momento. Em conjunto, deixam emergir histórias e personagens antes marginalizados ou de presença pouco frequente na esfera da arte contemporânea, em um momento politico de urgente rearticulação de vozes e narrativas. A mostra fica em exibição entre os dias 16 de outubro e 21 de dezembro de 2018, com entrada livre e gratuita.

Marcela Cantuária, Tudo que é sólido desmancha no ar, 2018. Óleo sobre tela, 180 x 281 cm. © Marcela Cantuária. Foto: Eduardo Ortega / Cortesia Fortes D’Aloia & Gabriel, São Paulo/Rio de Janeiro.

Marcela Cantuária apropria-se de imagens de backgrounds diversos – registros pessoais, fotografias de cunho político, frames de documentários – para tecer estórias que encadeiam e imaginam figuras femininas. São mulheres poderosas e empoderadas, que transitam desde episódios históricos como a 1a Guerra Mundial, na pintura Tudo que é sólido desmancha no ar, até os cenários intimistas das pinturas da série Noite Vermelha, realizada a partir de fotografias da Vila Mimosa. Famosa área de prostituição feminina no Rio de Janeiro desde a década de 1920, a região nasce justamente a partir do encontro entre mulheres brasileiras e as "polacas", mulheres do Leste Europeu que desembarcaram na capital carioca sem seus maridos, em fuga da 1a Guerra.

Maxwell Alexandre realiza crônicas pictóricas a partir de sua vivência cotidiana no Rio de Janeiro e na favela da Rocinha, onde nasceu e trabalha. Seu vocabulário visual vibrante dá contorno a cenas e personagens usualmente invisibilizados, em uma época de disputa de discursos e revisões historiográficas. Além de sua produção em pintura, o artista exibe, na antessala do espaço expositivo, um trabalho composto por treze edições de um jornal popular carioca abertas na página do anúncio de uma loja de pneus. Maxwell, responsável pela diagramação e design destes anúncios entre os meses de março e abril deste ano, realiza uma interferência midiática ao alterar a cor da pele do mascote do anúncio, gradualmente, de branca para negra.

Maxwell Alexandre, Sem título, da série Caravelas de Hoje, 2018. Látex, graxa, betume, carvão e acrílica sobre tela, 125 x 192 cm. © Maxwell Alexandre. Foto: Eduardo Ortega / Cortesia Fortes D’Aloia & Gabriel, São Paulo/Rio de Janeiro.

Victor Mattina aborda a pintura de maneira análoga à de um ficcionista. O artista utiliza como ponto de partida imagens apanhadas da internet, de softwares, livros e revistas antigas. Com este conjunto, forma uma espécie de atlas imagético de personagens de origens diversas, de contextos que vão do S&M até a etnografia. Suas pinturas recentes investigam relações entre autoridade e alteridade, parafilias e rituais, jogando luz sobre personagens que transitam entre o desvio e o dissenso.

Sobre os artistas
Marcela Cantuária (Rio de Janeiro, 1991) é formada em Pintura pela Escola de Belas Artes da UFRJ e já participou de exposições coletivas como "Que safra é essa?", no Centro de Artes Calouste Gulbenkian (Rio de Janeiro, 2014); e "Junho de 2013 – cinco anos depois", Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica (Rio de Janeiro, 2018). Em 2018, realizou a individual "Castelos no Ar", na Galeria Alfinete (Brasília); e em 2019, participará da coletiva "Pintura Contemporânea Brasileira", no Instituto de América em Granada (Espanha).

Victor Mattina, Muraenidae, 2018. Óleo sobre tela, 54.5 x 36 cm. © Victor Mattina. Foto: Eduardo Ortega / Cortesia Fortes D’Aloia & Gabriel, São Paulo/Rio de Janeiro.

Formado em Design pela PUC- RJ, Maxwell Alexandre (Rio de Janeiro, 1990) despontou no circuito após sua participação no projeto "Carpintaria Para Todos" (2017), convocatória aberta proposta pela Carpintaria, espaço multidisciplinar da Fortes D’Aloia & Gabriel no Rio de Janeiro. Desde então, realizou individual na galeria A Gentil Carioca (Rio de Janeiro), intitulada "O Batismo de Maxwell Alexandre", em 2018; e está incluído na coletiva "Histórias Afro-Atlânticas", atualmente em cartaz no MASP (São Paulo). Sua obra integra os acervos da Pinacoteca de São Paulo, do MAR e do MASP.

Victor Mattina (Rio de Janeiro, 1985) já realizou individuais na Fundação Joaquim Nabuco (Recife, 2017) e no Paço Imperial (Rio de Janeiro, 2017). Formado em Design pela ESPM-RJ, o artista destaca-se ainda sua participação no programa Bolsa Pampulha do MAP (Belo Horizonte, 2017) e em coletivas como "A luz que vela o corpo é a mesma que revela a tela" na Caixa Cultural (Rio de Janeiro, 2017) e "Mais Pintura", no EAV Parque Lage (Rio de Janeiro, 2014).

Marcela Cantuária, Enquadradas, 2016. Óleo sobre tela, 40 x 54.5 cm. © Marcela Cantuária. Foto: Eduardo Ortega / Cortesia Fortes D’Aloia & Gabriel, São Paulo/Rio de Janeiro.

Serviço
Exposição: "Crônicas urgentes", coletiva com obras de Marcela Cantuária, Maxwell Alexandre, Victor Mattina.
Datas e horários: Abertura dia 16 de outubro, terça-feira, das 19h às 22h. Em cartaz até 21 de dezembro de 2018. De terça a sexta, das 10h às 19h; sábados, das 10h às 18h.
Local: Fortes D’Aloia & Gabriel (Galeria) | Rua Fradique Coutinho, 1500 - Vila Madalena, São Paulo.
Entrada livre e gratuita.