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Caviar é uma ova! | (I)matérico presente

Artistas: Camila Soato | Felipe Seixas

Curadoria: Paula Borghi | Nathalia Lavigne

De 7/3 a 8/4

Zipper Galeria Ver mapa

Endereço: Rua Estados Unidos, 1494 - Jardim América - São Paulo - SP CEP 01427-001

Telefone: 11 4306-4306

Em "Caviar é uma ova!", terceira individual de Camila Soato na Zipper Galeria, a artista volta-se novamente para a discussão sobre gênero e questionamento sobre o status da pintura na era da apropriação de imagens. Com curadoria de Paula Borghi, a mostra mantém o tom de sua última exposição na galeria – “Nobre sem Aristocracia: Projeto Vira-Latas Puros nº 51”, 2014 – e reúne cerca de 30 trabalhos inéditos em distintos formatos. A exposição inaugura terça-feira (7), às 19h.

Vencedor do prêmio de Melhor Exposição Prêmio PIPA Voto Popular (2013),  o trabalho de Soato é agressivo. A pintura é bruta, com pinceladas carregadas de tinta, blocos de cores acumuladas, limpadas de pinceis e dedos. Ao mesmo tempo, representa elementos figurativos – predominantemente a figura humana no caso desta exposição – sofisticados. A artista força a convivência da abstração e da figuração nas telas com o propósito de romper qualquer hierarquia que possa haver entre elas. O mesmo rompimento é perseguido nas questões de gênero.

Caviar é uma ova dona !, óleo sobre tela, 50 x 40 cm, 2017

A artista faz da pintura sua plataforma política. Em um dos trabalhos, uma figura feminina é retratada se depilando, com a mesma naturalidade que um comercial de TV mostra um homem se barbeando. O desconforto ao ver a primeira imagem, portanto, não diz respeito ao trabalho em si, mas ao ambiente que a sociedade relega às mulheres. A artista apenas escancara. “O feminismo foi se cortando consciente no meu trabalho. O universo da mulher é relegado ao ambiente doméstico, à delicadeza. Minha pintura foca no oposto”, a artista comenta. A individual traça um paralelo entre a produção contemporânea e a história da arte, questionando o lugar da mulher neste espaço em busca da liberdade do corpo feminino.

A apropriação de imagens colhidas da internet (fotografias, memes, gifs) passou a ocupar lugar central no processo de Camila. Ela faz da imagem efêmera e de renovação incessante como referência para produzir a pintura, cujo propósito na história da arte é justamente o oposto, o de eternizar cenas e símbolos. Quando a artista não encontra a cena pretendida, ela mesma realiza performances indoor e fotografa as cenas para referenciar a pintura.

Sobre a artista
Camila Soato (Brasília, 1985) vive e trabalha em São Paulo. Com uma pesquisa voltada para a apropriação de imagens encontradas na internet e relacionadas a um cotidiano banal, a artista brasiliense usa a pintura para explorar a conexão entre arte e vida, diluindo a imagem mítica que esta técnica carrega em seu histórico. Em sua série mais recente, Soato faz releituras de quadros célebres da história da arte, discutindo questões de gênero e outros discursos predominantes. A artista é doutoranda na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). Entre suas principais exposições individuais, destacam-se: "Uma diva, uma louca, uma macumbeira, meu deus ela é demais!". Artur Fidalgo Galeria, Rio de Janeiro, 2015; "Fuleragem Polissistêmica Nº 05", Zipper Galeria, São Paulo; "Vira-Latas Tecnológicos: inserções pictóricas no espaço urbano", Galeria Espaço Piloto, Brasília, em 2013; "O Descuido Vira-Latas, Fuleragem e Bundas", Galeria Espaço Piloto, Brasília, 2011; "Situações", Galeria da América Latina, Brasília,  Espaço Cultural UNESC, Criciúma, e Galeria Espaço Piloto, Brasília, em 2011. Participou de exposições coletivas como "Duplo Olhar - Coleção Sérgio Carvalho", Paço das Artes, São Paulo, 2014; "Entre Dois Mundos – Arte Contemporânea Japão-Brasil", Museu Afro Brasil, São Paulo, 2014; "Finalistas do Prêmio Investidores Profissional em Arte (PIPA)", Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, 2013. Tem obras em instituições como Museu de Arte do Rio (MAR) e ganhou o prêmio de Melhor Exposição Prêmio PIPA Voto Popular, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, em 2013.

Sobre a curadora
Paula Borghi é gestora cultural do SARACVRA e idealizadora do Projecto MULTIPLO. Foi assistente curatorial da 12# Bienal de La Havana (2015), curadora da Residência Artística do Red Bull Station (20013/2014), integrante do grupo de crítica do Paço das Artes 2012/2013 e do Centro Cultural São Paulo 2011/2012/2013. Em 2016, foi contemplada com o Projecto MULTIPLO pelo Rumos Itaú Cultural.

 

Exposição Zipper Up: (I)matérico Presente

Em Queda (2017), uma das obras que integram a mostra "(I)matérico presente", de Felipe Seixas na Zipper Galeria, quatro blocos de concreto servem de suporte para um monitor de TV colocado sobre as peças em um ângulo de 45 graus. Na imagem exibida na tela, uma forma semelhante a dos objetos é vista em sequência em um gráfico representado por milhares de pixels. A relação entre a materialidade dos blocos e imaterialidade dos gráficos, presente neste trabalho, é uma das questões que permeiam a exposição. Primeira individual do artista em São Paulo e com curadoria de Nathalia Lavigne, a mostra inaugura o calendário Zip’Up deste ano.

Se em trabalhos anteriores os blocos de concreto moldados apareciam em combinações como carvão e pigmento, explorando a relação entre forma e não-forma desses objetos, sua produção mais recente introduz uma pesquisa sobre o aspecto imaterial das novas tecnologias. Temas como o acúmulo documental e a fragilidade de memórias tecnológicas aparecem ainda em obras como Ascendência (2017), na qual o movimento constante de linhas coloridas criado em um gráfico é visto em um aparelho telefônico através de um saco plástico com água, provocando uma distorção ótica causada pela refração do líquido.


Ascendência, 2017. Saco plástico, água, celular e barbante. 27 x 18 x 12 cm

“Grande parte dos trabalhos partem desse ponto em comum: explorar a relação entre o material e o imaterial na construção da forma. O concreto é muito presente, e gosto de pensar sua composição sólida e bruta em contraposição a outros materiais mais leves. Há também a presença de produtos de tecnologia recente, e me interessa contrapor o uso de uma tecnologia por hora avançada, mas que logo se torna obsoleta, com uma técnica antiga, como a do concreto”, afirma Seixas.

Sobre o artista
Felipe Seixas (São Bernardo do Campo, 1989) vive e trabalha em São Paulo. É bacharel em Comunicação Social com habilitação em Design Digital (2011) pela Universidade Anhanguera, São Paulo. Participou dos cursos "A escultura como objeto artístico do século XXI", com Ângela Bassan (2015), e "Esculturas e Instalações: possibilidades contemporâneas" (2016), com Laura Belém, ambos na FAAP; e integrou o grupo de acompanhamento de projetos do Hermes Artes Visuais, com Nino Cais e Carla Chaim. Entre suas principais exposições estão a 1° Bienal de Arte Contemporânea Sesc DF, Distrito Federal (2016); 44° Salão de Arte Contemporânea Luiz Sacilotto, Santo André -SP (2016); 7° Salão dos Artistas sem Galeria (2016), Galerias Zipper e Sancovsky, São Paulo- SP e Galeria Orlando Lemos, Nova Lima – MG; O Muro, Rever o Rumo, Central Galeria, São Paulo-SP. Em 2015, recebeu o prêmio Menção Especial no 22° Salão de artes Plásticas de Praia Grande.

Sobre a curadora
Nathalia Lavigne (Rio de Janeiro, 1982) é pesquisadora e mestre em Teoria Crítica e Estudos Culturais pela Birkbeck, University of London. Atualmente, realiza uma pesquisa sobre reprodução de obras de arte no Instagram, circulação de imagens e colecionismo digital no programa de pós-graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP). Foi curadora da exposição "Imagem-Movimento", na Zipper Galeria. Como pesquisadora, integrou o projeto “Observatório do Sul”, plataforma de discussões promovida em 2015 pelo Sesc São Paulo, o Goethe-Institut e a Associação Cultural Videobrasil, que reuniu ao longo do ano profissionais de diversas áreas de atuação para discutir a questão do Sul Global no campo da cultura. É colaboradora de veículos como Bamboo, Select, Artforum, entre outros.

Serviço:
Exposição: “Caviar é uma ova!” - Individual de Camila Soato
(I)matérico present - Zip’Up: Felipe Seixas
Abertura: 07 de março de 2017, às 19h
Visitação: até 08 de abril de 2017