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Azul Maia | Jardim do Ócio

Artistas: Clarissa Tossin e Pedro Motta

Curadoria: -

De 8/11 a 21/12

Galeria Luisa Strina Ver mapa

Endereço: Rua Padre João Manuel, 755 - Jardins

Telefone: (11) 3088-2471

Entre os dias 8 de novembro e 21 de dezembro de 2018, a Galeria Luisa Strina recebe duas exposições simultâneas em seu espaço nos Jardins, em São Paulo: "Azul Maia", de Clarissa Tossin, e "Jardim do Ócio", de Pedro Motta. Motta apresenta a série inédita Jardim do Ócio, composta por cerca de 70 fotografias produzidas entre 2012 e 2018 em São João del-Rei, Minas Gerais. Já Tossin apresenta trabalhos inéditos das séries Os Maias e Encontro das Águas, além do vídeo Ch’u Mayaa [Azul Maia]. A entrada em ambas as exposições é livre e gratuita.

Clarissa Tossin, Ch’u Mayaa, 2017. Vídeo digital de um canal, cor, som, 17:56 min.

Na mostra "Azul Maia", Os Maias explora (re)apropriação, (má)representação e (má)tradução em uma série de esculturas baseadas no The Mayan Theatre em Los Angeles – exemplo prototípico do estilo arquitetônico moderno conhecido como Mayan Revival dos anos 1920 e 1930 nas Américas, que co-optou arquitetura e iconografia das culturas mesoamericanas pré-colombianas. Impressões em silicone das paredes e portas do interior do cinema são combinadas com gestos figurativos emprestados de outras imagens maias, particularmente a de performers que adornam vasos de cerâmica e murais. Usando materiais sintéticos que fazem referência a cosmologia maia, como imitação de pelo de jaguar, pena de quetzal, pele de cobra e gesso tingido no lugar de cerâmica, a série de esculturas explora a qualidade performática das antigas construções maia realçando o conteúdo falso das imagens impressas no silicone.

Já os trabalhos da série Encontro das Águas tomam seu nome da confluência dos rios Negro e Solimões no porto da cidade de Manaus – por quase seis quilômetros as águas pretas e bege correm paralelas umas às outras, mas não se misturam. O Porto de Manaus serve como outro tipo de ponto de confluência: o de capital estrangeiro e tradições locais. Centro do boom da borracha no Brasil no século XIX, a cidade tornou-se uma zona de comércio livre em 1957 como alternativa para combater a estagnação econômica sofrida após o declínio da economia extrativista da borracha. Hoje, Manaus abriga um parque industrial com fábricas de empresas como Apple, Coca-Cola e Honda. Tossin explora o impacto da industrialização e da cultura material dos grupos indígenas da região criando réplicas em cerâmica de objetos manufaturados na região como garrafas de Coca-Cola, pneus de motocicletas, iPhones, e outros artigos eletrônicos. A artista também usa tiras de caixas da Amazon.com para fazer cestas que referem ao patrimônio da tecelagem Baniwa. Ao combinar materiais e usos de objetos tradicionais e modernos, Tossin nos convida a pensar no impacto da globalização. A indústria estrangeira revitalizou a região, mas somente depois de fali-la no passado; a indústria traz dinheiro, mas também polui a paisagem e desconsidera a cultura local, transformando Manaus em um dos milhares de centros de produção em todo o mundo que alimentam nosso crescente apetite por mais.

Finalmente, o vídeo Ch’u Mayaa responde à influência negligenciada da arquitetura maia na Hollyhock House de Frank Lloyd Wright. A construção é tomada como um templo e impregnada com uma coreografia baseada em gestos e posturas encontradas em objetos arqueológicos maia. Através dos movimentos da performer, a casa é reivindicada como pertencente à linhagem arquitetônica mesoamericana pré-colombiana.

Pedro Motta, imagem da série Jardim do Ócio.

Em "Jardim do Ócio", ao explorar as redundâncias arquitetônicas pelo interior de Minas Gerais, Pedro Motta combina o cunho documental, evidenciando as semelhanças e recorrências entre as construções, com o registro da inventividade de soluções informais (por vezes em consonância com o descaso em relação às ruínas recentes), que conferem individualidade a cada uma. O jardim que Motta nos apresenta não é um jardim ameno, prazenteiro. Ele não se presta necessariamente ao deleite, uma vez que concentra-se na aridez de uma paisagem modelada pelo sujeito que a habita. Assim, essa espécie de arqueologia do tempo presente opera paradoxalmente: tanto como estímulo à imaginação, espaço da fruição e liberdade, quanto ao lugar da impossibilidade.

Na ocasião da abertura da exposição, haverá o lançamento do livro Natureza das coisas, editado pela UBU e organizado por Rodrigo Moura, com design de Elaine Ramos, ensaios e textos críticos de Rodrigo Moura, Ricardo Sardenberg, Eduardo de Jesus, Agnaldo Farias, Ana Luisa Lima, Luisa Duarte, Nuno Ramos, Kátia Lombardi, Cauê Alves e José Roca.

Pedro Motta, imagem da série Jardim do Ócio.

Serviço
Exposições: "Azul Maia", de Clarissa Tossin; "Jardim do Ócio", de Pedro Motta.
Datas e horários: Abertura dia 8 de novembro de 2018. Em cartaz até 21 de dezembro de 2018. De segunda a sexta, das 10h às 19h; sábados, das 10h às 17h.
Local: Galeria Luisa Strina | Rua Padre João Manuel, 755 - Cerqueira César, São Paulo.
Entrada livre e gratuita.