AGENDA DAS ARTES

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Avenida Paulista

Artistas: Varios

Curadoria: Adriano Pedrosa, Tomás Toledo, Amilton Mattos, Camila Bechelany, Fernando Oliva e Luiza Proença

De 17/2 a 28/5

MASP - Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand Ver mapa

Endereço: Avenida Paulista, 1578

Telefone: 11 3251-5644

No dia 16 de fevereiro, o MASP inaugura Avenida Paulista, exposição coletiva que tomará a avenida como eixo central, abordando suas dimensões históricas, sociais, econômicas, culturais e antropológicas. Integram a mostra 17 artistas contemporâneos, que realizaram novos projetos, específicos para a exposição, sobre a avenida e seu entorno, e outros 40 artistas que já pensaram e retrataram a avenida em trabalhos passados, participando assim do núcleo iconográfico. No total, constituem a exposição cerca de 150 obras.

Compreendida no contexto do aniversário de 70 anos do MASP, que o Museu celebra em outubro deste ano, Avenida Paulista apresentará um núcleo de obras comissionadas especialmente para a exposição, e um núcleo iconográfico da Paulista, com obras existentes, que já trouxeram reflexões acerca desse espaço. Muitos desses debates permearam as discussões do seminário homônimo, realizado em 25 de junho de 2016, como parte do processo de pesquisa da mostra. Dos projetos comissionados, derivam o tom e os principais temas da exposição, que irá abordar não apenas as histórias, a paisagem e a arquitetura da avenida, mas também o seu cotidiano, como as manifestações políticas; o direito à cidade; a população em situação de rua; a gentrificação; e as questões de gênero e a sexualidade (do Parque Trianon à Parada do Orgulho LGBT). A mostra marca, assim, um desejo do MASP de se abrir para o seu entorno – a avenida Paulista, local onde está localizado desde 1968 –potencializando a transparência e a permeabilidade da arquitetura do museu, características marcantes de seu edifício.


Sérgio Bertoni - Núcleo Iconográfico

Com mais de 120 anos e 2.800 metros de extensão, a avenida Paulista tornou-se um dos principais símbolos da cidade de São Paulo. Marcada pela pluralidade de suas ocupações e de seus públicos e pelas transformações urbanas que sofreu desde sua inauguração, a avenida é composta por múltiplas facetas. Inicialmente uma região residencial, tornou-se um importante centro comercial e financeiro, bem como um polo cultural e turístico. É palco, ainda, de diversas comemorações significativas para a cidade e o país, como a Parada do Orgulho LGBT, a corrida de São Silvestre, as festividades de títulos de futebol, os protestos e as manifestações políticas, entre outras. Atualmente, é um ponto de encontro de culturas urbanas e um local de passagem e conexão entre a periferia e o centro expandido da cidade, em que o MASP, de algum modo, é seu epicentro. Nesse contexto, pensar o MASP na avenida Paulista é refletir não somente sobre a cidade e o local em que o Museu está inserido, mas também sobre a complexidade desse lugar que carrega tantos símbolos e histórias.


3Nós3, Internvensão VI, São Paulo, 1980 (arquivo Mario Ramiro/3Nós3)

Avenida Paulista acontece de 17 de fevereiro a 28 de maio de 2017, nos 1º e 2º andares, no mezanino do 1º subsolo e na sala de vídeo no 2º subsolo do MASP. Assinam a curadoria Adriano Pedrosa, diretor artístico do MASP, e Tomás Toledo, curador; com Amilton Mattos, etnomusicólogo; Camila Bechelany, Fernando Oliva e Luiza Proença, curadores do Museu. Um catálogo será publicado por ocasião da exposição, com imagens das obras e entrevistas com os artistas que tiveram trabalhos comissionados pelo Museu.

Artistas Participantes.
O núcleo iconográfico conta com trabalhos dos seguintes artistas: 3NÓS3, Agostinho Batista de Freitas, Antônio Moraes, autores desconhecidos, Carlos Fadon, CIA de Foto, Cildo Meireles, Cláudia Andujar, Cristiano Mascaro, Dulcinéia Aparecida Rocha, Edu Garcia, Eduardo Castanho, Enzo Ferrara, Ferreira Gullar, Guilherme Gaensly, Hans Gunter Flieg, Ivan Grilo, Ivo Justino, Juan Pérez Agirregoikoa, Juca Martins, Jules Martin, Kleide Teixeira, Lina Bo Bardi, Luis Carlos Santos, Luiz Hossaka, Luiz Paulo Baravelli, Márcia Alves, Maria Luiza Martinelli, Maurício Simonetti, Maximiliano Scola, Mick Carnicelli, Milton Cruz, Nair Benedicto, Nicolau Leite, Roberto Winter, Sérgio Bertoni, Sonia Guggisberg, Thomaz Farkas, Werner Haberkorn, William Zadig.

Os artistas com projetos comissionados pelo museu são Ana Dias Batista, André Komatsu, Cinthia Marcelle, Daniel de Paula, Dora Longo Bahia, Graziela Kunsch, Ibã Huni Kuin com Bane e Mana Huni Kuin, Lais Myrrha, Luiz Roque, Marcelo Cidade, Marcius Galan, Mauro Restiffe, Renata Lucas e Rochelle Costi com Renato Firmino. 

Ana Luiza Dias Batista (São Paulo, 1978. Vive e trabalha em São Paulo)
Ana Luiza Dias Batista realiza uma ação performática com cinco helicópteros que aterrissam, pairam e decolam, de diferentes helipontos localizados na avenida Paulista. A ação, que dura cerca de 40 minutos, será filmada por câmeras de diferentes lugares e posteriormente exibida em monitores instalados no 1º andar do Museu. O trabalho de Dias Batista chama a atenção para o fato de que, na Paulista, tanto o espaço terrestre quanto o aéreo são intensamente ocupados, permitindo um certo espelhamento entre o que está em cima – o poder, o capital e a classe empresária – e o que está embaixo – as manifestações e as demonstrações populares.

André Komatsu (São Paulo, 1978. Vive e trabalha em São Paulo)
André Komatsu apresenta uma série de blocos de concreto, cuja textura reproduz alguns dos diferentes pisos da avenida Paulista, no tamanho proporcional ao de uma bandeira. No centro da composição, está escrita a palavra obsolescência, aludindo a equipamentos urbanos, como os ladrilhos portugueses, por exemplo, que se tornam obsoletos ou perdem sua utilidade. Localizada na entrada da sala do 1º andar, a obra instiga o público a caminhar sobre ela, o que leva, consequentemente, a sua transformação no decorrer da exposição. O artista paulista costuma trabalhar com a noção de inventários e desconstrução dos objetos, atribuindo novas funções e usos a dejetos e ruínas. Na obra para o MASP, o artista procura trazer a rua – e a calçada – para dentro do Museu.

Cinthia Marcelle (Belo Horizonte, 1974. Vive e trabalha em São Paulo)
O trabalho de Cinthia Marcelle  é composto por detritos que são encontrados nas calçadas e nos lixos da avenida Paulista. Para apresenta-los no MASP, a artista transpôs os objetos do ambiente desorganizado da rua para dentro do Museu, colocando os detritos nos sulcos de uma réplica do revestimento de borracha preto, característico do piso do MASP, criando uma grade geométrica. A artista mineira, radicada em São Paulo, conhecida por utilizar materiais da vida cotidiana em suas obras, configura seus trabalhos a partir de suportes variados, em esculturas, fotografias, instalações e vídeos.

Daniel de Paula (Boston, EUA, 1987. Vive e trabalha em São Paulo)
A obra de Daniel de Paula é a única que ficará exposta no 1º subsolo do Museu. Após uma intensa pesquisa sobre a iluminação da Paulista, o artista descobriu, entre outros fatos, que a avenida é a via que mais consome energia no Brasil. Seu trabalho trará para dentro do MASP os bojos – ou pétalas – dos antigos postes de luz que iluminavam a avenida de 1974 até 2011, quando foram trocados por postes de menor altura e de coloração branca. Já transformadas pelo tempo, as luminárias estarão dispostas pela sala como uma instalação. Utilizando muitas vezes as estruturas urbanas como conteúdo para seus projetos, De Paula trabalha com as apropriações dos equipamentos públicos e seus diálogos com as esferas privadas.

Dora Longo Bahia (São Paulo, 1961. Vive e trabalha em São Paulo)
Dora Longo Bahia se apropria de fricções existentes na avenida Paulista e explora o contraste entre esse espaço que é endereço de museus e centros culturais e, ao mesmo tempo, palco de manifestações, conflitos de poder e repressão policial. Para isso, apresenta cinco pinturas, exibidas nos cavaletes de cristal de Lina Bo Bardi, no 2º andar do MASP, que retratam cenas de combate e violência da polícia com manifestantes. No verso, a artista apresenta telas em branco, com o nome de cinco instituições culturais que se encontram na avenida Paulista, uma delas, o MASP.

Graziela Kunsch (São Paulo, 1979. Vive e trabalha em São Paulo)
Graziela Kunsch apresenta um vídeo que tem como locação principal o túnel que conecta as avenidas Paulista e Dr. Arnaldo. Em um plano geral estático do subterrâneo, observa-se carros fazendo o retorno irregular na via, dentro do túnel. A causa da manobra é desvendada a seguir, com a aparição de uma manifestação – entre as muitas que ocorreram em 2013 contra o aumento da tarifa do transporte público – no sentindo oposto, no lado esquerdo da avenida. Além do vídeo, a artista expõe também uma estrutura de concreto, similar a um banco, que faz referência às rampas instaladas pela prefeitura de São Paulo em 2005 para evitar a ocupação de moradores de rua embaixo do viaduto. As rampas servirão como espaço para o público assistir ao vídeo.

Ibã Huni Kuin (Jordão, 1964. Vive e trabalha entre Cruzeiro do Sul e Jordão, Acre) com Bane Huni Kuin (Jordão, Acre, 1983. Vive e trabalha em Jordão) e Mana Huni Kuin (Jordão, Acre, 1996. Vive e trabalha em Jordão)
Natural do Acre, da comunidade indígena Aldeia Jordão, Ibã Huni Kuin convidou Bane Huni Kuin e Mana Huni Kuin para a criação do trabalho, composto de desenhos e pinturas sobre suas impressões da avenida e da cidade. Essas primeiras vivências da Paulista aconteceram à ocasião da oficina de desenho que ministraram no MASP, em junho de 2016, como parte das atividades da exposição Histórias da infância. O convite aos artistas inverte a lógica dos pintores viajantes, que saíam da metrópole para desbravar e retratar terras nativas. Inversamente, em Avenida Paulista, os índios Huni Kuin lançam seu próprio olhar sobre uma avenida ainda pouco familiar a eles. São os únicos artistas a não residirem em São Paulo.  

Lais Myrrha (Belo Horizonte, 1974. Vive e trabalha em São Paulo)
Lais Myrrha apresenta um vídeo em que pensa a avenida como um microcosmo, a partir de seus diversos significados, entre entres o de poder e negócios. A artista realiza um caleidoscópio de planos fechados gravadas no prédio do MASP e do anexo ao Museu, o prédio Dumont Adams. Em sequências desnorteadoras de lajes, degraus e outros elementos, Myrrha discorre sobre os meandros da arquitetura moderna e suas históricas falências. 

Luiz Roque (Cachoeira do Sul, Rio Grande do Sul, 1979. Vive e trabalha em São Paulo)
Gravado na linha 2 Verde do Metrô de São Paulo, que passa embaixo da avenida Paulista, S é o título do filme apresentado por Luiz Roque. Exposto na sala de vídeo no 2º subsolo do Museu, o filme, com cinco minutos e gravado em preto e branco, fala de uma sociedade fictícia, em um tempo distópico, que habita o subterrâneo da avenida. O artista investiga as tensões, a linguagem corporal e os códigos velados entre grupos rivais, expondo o que está escondido e foge da superfície.

Marcelo Cidade (São Paulo, 1978. Vive e trabalha em São Paulo)
Marcelo Cidade apresenta uma instalação que reproduz as estruturas utilizadas pelo comércio formal e informal na avenida Paulista. Com caixas de vidro e estruturas construídas umas dentro das outras, que aludem a displays de mercadorias, o artista cria vitrines inacessíveis, colocando em evidência a ilusão da prática do consumo e a falsa promessa de aquisição de um status social inatingível. No centro da estrutura, em destaque, estará um ovo vazio, que representa o desejo de Cidade em refletir sobre os espaços brancos criados pelas galerias de arte.

Marcius Galan (Indianápolis, EUA, 1972. Vive e trabalha em São Paulo)
Marcius Galan apresenta um trabalho que desafia noções de cartografia e representação. Interessado no aspecto político que existe na delimitação dos espaços, o artista submete elementos gráficos de mapas, como pontos e linhas, à escala real, no mundo físico. Em Avenida Paulista, atuará no Vão Livre do MASP, para onde transferirá a representação do ponto onde o MASP está localizado no mapa, para sua escala verdadeira. O resultado é um grande círculo preto que será pintado no chão do Vão.

Mauro Restiffe (São José do Rio Pardo, 1970. Vive e trabalha em São Paulo)
Mauro Restiffe apresenta uma série fotográfica das residências na avenida Paulista, com cenas internas dos apartamentos, suas vistas e os moradores que lá habitam. Logo na entrada da sala do 1º andar, as fotos impressas em pequeno formato lado a lado criam uma composição geométrica na parede. Natural de São Paulo, Restiffe costuma trabalhar com os usos variados que os cidadãos fazem da cidade e como a construção do patrimônio arquitetônico consegue narrar a experiência da vida urbana.

Rochelle Costi (Caxias do Sul, Rio Grande do Sul, 1961. Vive e trabalha em São Paulo) com Renato Firmino
Rochelle Costi assina seu trabalho junto com Renato Firmino, artista que vende seus trabalhos na rua e que Costi encontrou ao acaso, em uma de suas caminhadas pela avenida Paulista. Dividido em duas partes, o trabalho é composto por um carrinho que Firmino construiu e onde vive e trabalha há alguns anos na região da Paulista, e por um vídeo, exibido dentro do carrinho. O veículo de Firmino, exposto na entrada da sala expositiva do 1º andar, mostra as pinturas que ele realiza sobre pedaços de madeira coletados nas ruas. O vídeo da artista exibe sua pesquisa sobre aristas e moradores de rua, comércio informal e arte de rua.

Programas Públicos
Parte das atividades da mostra inclui uma série de oficinas e uma programação de filmes sobre a avenida e seu entorno. Filmes: Avenida Paulista, proposto por Dora Longo Bahia e o coletivo Depois do Fim da Arte, conta com oito longas que serão exibidos entre 10 de março e 19 de maio, sempre às sextas-feiras, às 19 horas. Após a projeção, serão realizadas uma conversa sobre o filme exibido e uma projeção de filmes-comentários produzidos pelo grupo de pesquisa.

A série de 13 oficinas gratuitas acontece de 4 de março a 28 de maio de 2017, ao sábados e domingos, das 14h às 17h. O programa propõe-se a trabalhar com abordagens e modos de atuação plurais, a fim de repercutir não só temas que discutem a memória da avenida – como as transformações de sua paisagem, arquitetura e iconografia –, mas também seus problemas cotidianos, tais quais a mobilidade urbana, as manifestações e protestos, pessoas em situação de rua, gentrificação e os diferentes usos de seus espaços.

Seis coletivos e companhias trabalharão diretamente com a linguagem teatral e corporal, com o intuito de provocar novas situações, diferentes qualidades de gesto, tempo e espaço, criando, assim, fricções entre o corpo e os ambientes que o circundam. As oficinas contemplarão ações performativas, desfiles, intervenções efêmeras, jogos teatrais de improvisação e derivas, utilizando-se da avenida como palco e espaço criativo.

Também participarão do ciclo cinco artistas presentes na exposição: Ana Luiza Dias Batista, André Komatsu, Daniel de Paula, Marcelo Cidade e Mauro Restiffe. A ideia é que as proposições tragam um pouco da pesquisa desenvolvida para a realização dos trabalhos de arte e possibilitem o diálogo direto entre o público, o Museu e os artistas. Espera-se, dessa maneira, oferecer um contexto fértil para que novas dinâmicas de trabalho e diferentes dimensões de suas pesquisas emerjam.

Outros dois grupos, o estúdiofitacrepeSP e o Grupo Estéticas da Memória do séc XXI, irão explorar novas tecnologias e ferramentas audiovisuais a fim de mapear as manifestações plásticas e sonoras no entorno do museu. O programa prevê ainda uma caminhada mediada por um arquiteto a confirmar, que irá tratar de certos aspectos da avenida, como sua ocupação urbana, as mudanças sofridas em sua arquitetura e as noções de espaço público e privado.

Datas e participantes:
1ª oficina - 4 e 5 de março – A confirmar
2ª oficina - 11 e 12 de março - Cordão da Mentira
3ª oficina - 18 e 19 de março  - Cia. do Miolo
4ª oficina - 25 e 26 de março - Trupe Olho da Rua
5ª oficina - 1 e 2 de abril - Cia. do Latão
6ª oficina - 8 e 9 de abril - Mauro Restiffe
7ª oficina - 15 e 16 de abril - Daniel de Paula
8ª oficina - 22 e 23 de abril - Teatro Oficina
9ª oficina - 29 e 30 de abril - estúdiofitacrepeSP
10ª oficina - 6 e 7 de maio - Grupo Estéticas da Memória do séc XXI
11ª oficina - 13 e 14 de maio - Marcelo Cidade e André Komatsu
12ª oficina - 20 e 21 de maio - Ana Luiza Dias Batista
13ª oficina - 27 e 28 de maio - Revolta da Lâmpada

Serviço:
Avenida Paulista.
Abertura: 16 de fevereiro, 20h
Data: 17 de fevereiro a 28 de maio de 2017
Local: 1º andar, 1º subsolo, sala de vídeo no 2º subsolo e áreas externas do MASP
Ingressos: R$30,00 (entrada); R$15,00 (meia-entrada)
O MASP tem entrada gratuita às terças-feiras, durante o dia todo.
Acessível a deficientes físicos, ar condicionado, classificação livre.