AGENDA DAS ARTES

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Aonde vamos?

Artistas: Vários

Curadoria: Paulo Kassab Jr.

De 1/12 a 31/1

Galeria Lume Ver mapa

Endereço: Rua Gumercindo Saraiva, 54 - Jardim Europa

Telefone: (11) 3704-6268

"Aonde vamos?" é a nova exposição coletiva que a Galeria Lume recebe em seu espaço, entre 1º de dezembro e 31 de janeiro de 2019. Com curadoria de Paulo Kassab Jr., a mostra propõe uma pausa em meio às intempéries sociais e políticas que tomam conta do País no momento presente. Uma lacuna com indagações para quem busca respostas. Como enxergamos os períodos de transição do passado e do presente? Essas são algumas das questões que conduzem a coletiva que conta com obras de artistas do corpo representado e também de convidados. A entrada é livre e gratuita.

Ole Ukena, Trust. Foto: Divulgação.

A mostra reúne trabalhos de Adolfo Montejo Navas, Ana Vitória Mussi, Clara Ianni, Ile Sartuzi, Kilian Glasner, Nazareth Pacheco, Ole Ukena e Tiago Tebet. Direta ou indiretamente, as obras dialogam com o momento que o Brasil atravessa e, sem apresentar respostas, propõem uma série de indagações sobre a relação de uma intolerância crescente cultivada em nossa sociedade com hábitos de consumo fugazes e a imponência das redes sociais em nossas vidas.

"Enquanto nos adaptamos e reinventamos formas mais sustentáveis de conviver e compartilhar, o consumo e as redes sociais continuam a crescer como uma fonte de prazer quase orgástica. Tudo se vende, tudo se compra, tudo se expõe, tudo se posta. As eleições tornaram-se concursos de popularidade em vez de serem um debate racional de propostas. Enquanto isso, insuspeitos eleitores se deleitam com falsas notícias (fake news), posts revoltos e engajados, uma sucessão infinita de likes e deslikes", afirma Paulo Kassab Jr. "Vivemos um momento de reticência: a transição incerta entre dois governos temerários insinua uma sociedade que se instala entre a euforia e tristeza", completa.

Ana Vitória Mussi, Bang [frame], 2018. Videoinstalação. Foto: Divulgação.

Cenas de violência do passado e do presente se fundem nas projeções de Bang, videoinstalação de Ana Vitória Mussi, artista catarinense e radicada no Rio de Janeiro, precursora no uso da fotografia vinculada à linguagem audiovisual. Neste trabalho, ela une a ficção à realidade ao intercalar cenas de filmes que retratam a Segunda Guerra Mundial, registros fotojornalísticos da guerrilha urbana que tem sobrevida nas favelas cariocas e ainda frames aleatórios e nem por isso menos significativos: o voo do avião de combate e o salto de um atleta olímpico do documentário de Leni Riefenstahl, cineasta alemã que ganhou notoriedade por seus filmes propagandas do governo de Adolf Hitler.

Em War II, a paulistana Clara Ianni faz uma referência ao jogo de tabuleiro que divide jogadores entre continentes e seus respectivos exércitos. Nos seis painéis que compõem o trabalho, a identificação mais do que clara de um inimigo a ser, literalmente, destruído.

Nazareth Pacheco, Sem Título, 1993. Receita e frascos, 24x29cm. Foto: Divulgação / Galeria Lume.

Nazareth Pacheco integra a exposição com duas das peças de Objetos Aprisionados, série de caixas que reúnem objetos e documentos de caráter autobiográfico, frutos de tratamentos médicos e estéticos a que a artista foi submetida durante a infância e adolescência. Aqui, os trabalhos chamam atenção justamente para a violência latente na busca incessante por um padrão de beleza socialmente estabelecido - dinâmica hoje reforçada pelas redes sociais. "O modo de vida dedicado ao externo, à aparência, impõe padrões massacrantes e, de certo modo, inatingíveis. E uma vez que o mundo real não nos permite as correções de aplicativos como Facetune ou Airbrush, recorremos a cirurgias plásticas, tratamentos e remédios que se vendem como milagrosos."

Tiago Tebet surge na mesma toada. O artista paulistano traz AssimComoEuOuAssimComoVocê e Canalhada, trabalhos que apresentou em 2017, na coletiva "Fábula, frisson, melancolia", no Instituto Tomie Ohtake. Tomando sua cidade como território, faz uso de uma arquitetura que diverge daquela que é ensinada nas universidades, reforçando um descompasso sem fim com um mundo que se especializou em consumir sonhos. Ao artista, interessa o fazer passado de geração em geração. No primeiro dos trabalhos, por exemplo, sobre uma tela branca, padrões típicos de pinturas de casa. E sobre o painel que se diz parede, alguns rabiscos, que evocam aqueles que o cercam.

Kilian Glasner, Candle 2, 2018. Pastel s papel, 50 x 65 cm. Foto: Divulgação / Galeria Lume.

Serviço
Exposição: "Aonde vamos?", coletiva com Ana Vitória Mussi, Adolfo Montejo Navas, Clara Ianni, Tiago Tebet, Ile Sartuzi, Nazareth Pacheco, Ole Ukena e Kilian Glasner.
Datas e horários: Abertura no dia 1º de dezembro de 2018, sábado, das 13h às 18h. Em cartaz até 31 de janeiro de 2019. De segunda a sexta-feira, das 10h às 19h; sábados, das 11h às 15h.
Local: Galeria Lume | Rua Gumercindo Saraiva, 54 - Jardim Europa, São Paulo.
Entrada livre e gratuita.