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Anico Herskovits: percurso gráfico

Artistas: Anico Herskovits

Curadoria: Angélica de Moraes

De 10/12 a 28/2

Caixa Cultural Ver mapa

Endereço: Praça da Sé, 111 - Centro

Telefone: (11) 3321-4400

Mostra “Anico Herskovits: percurso gráfico” traz uma seleção de 40 anos de atividade da importante produção em xilogravura da gaúcha Anico Herskovits. Com curadoria de Angélica de Moraes, a individual destaca a visualidade urbana e a paisagem natural que caracterizam essa obra singular. Abertura em 10 de dezembro de 2016, às 11 horas. 

Anico Herskovits tem uma longa trajetória, assinalada por muitas premiações de prestígio. A mais recente delas foi o Prêmio Jabuti 2015, concedido em São Paulo pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) para o projeto gráfico do livro “Cidade Imaginária”, uma original publicação feita pela artista em pop up de ilustrações em xilogravura, com textos poéticos de Jorge Rein. O livro e suas imagens recortadas na tridimensionalidade integram a mostra individual “Anico Herskovits: percurso gráfico”, que a Caixa Cultural São Paulo exibe de 10 de dezembro de 2016 a 28 de fevereiro de 2017. 


Subiu na construção como se fosse sólido. 1980. 18 x 24 cm

São 50 gravuras selecionadas e organizadas pela curadora Angélica de Moraes para oferecer ao público paulistano uma visão abrangente e enxuta da extensa e ininterrupta produção de quatro décadas da artista radicada em Porto Alegre e conhecida por atualizar uma técnica tradicional. A xilogravura de Anico remete à tradição da gravura japonesa (Ukyio-e) e mergulha na temática social que vem da produção gráfica nascida no pós-guerra europeu, na metade do século passado.

A exposição é aberta com a série “Pantanal: Terra de Sonhos”, que “recria em detalhes deliciosos a paisagem natural do pantanal mato-grossense, com toda fauna e flora características do lugar”, escreve Angélica. “É um relato visual de irremediável nostalgia do que se perde a cada avanço do suposto progresso feito à custa do equilíbrio ambiental”, assinala ainda a curadora. Nessa obra, em panorâmica de 180 graus expandida em mais de três metros de imagens contínuas, Anico Herskovits revisita um formato praticado pelos artistas viajantes europeus do século 17 ao 19 em visitas ao Novo Mundo.

Na gravura “O Circo”, apresentada em 28 módulos articulados em uma imagem única de um metro de largura que protagoniza a visualidade inicial do espaço expositivo, a artista costura sutilezas de um trabalho que só na aparência é inocente, adverte a curadora. O mesmo vale para a série “Construção”, ácida metáfora que assinala desde o título seu ponto de partida: a poesia “O Operário em Construção” de Vinicius de Moraes e a música “Construção”, de Chico Buarque.

Anotações de cenas urbanas revelam o denominador comum de tudo que a artista produz. “Seja gente ou bicho, paisagem rural ou esquina do centrão da cidade, o tempo todo Anico está tratando de construir uma ode à vida”, escreve a curadora. Assim, o carroceiro, os cachorros vira-latas, os botecos, os gatos nos muros, a vendinha suburbana e a feira ganham grande força simbólica para sublinhar a teimosia do viver mesmo na precariedade.

“Anico Herskovits retrata com compaixão essa humanidade agarrada de unhas e dentes à vida. Miúda e marginal, a população de personagens na madeira e na tinta nos contém e nos define na teimosia do viver. São também eles que podem nos mover para fora de nós e para junto do outro fora de nós. Um movimento cada vez mais vital e urgente”, pontua Angélica de Moraes em texto do catálogo da mostra com lançamento no dia da abertura.

Integra a mostra um mini-documentário sobre a artista, realizado por José Luís Sampaio, enfocando em especial o processo de criação das imagens na xilogravura: a cuidadosa escavação da madeira para executar as matrizes que, depois, são cobertas de tinta e transferem a imagem para o papel. 

Sobre a artista:
Anico Herskovits. Nascida em Montevidéu (Uruguai) em 1948 e naturalizada brasileira, vive e trabalha em Porto Alegre (RS). Formada pelo Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (IA-UFRGS) com graduação em gravura, dedicou uma década (1971-1981) ao exercício de técnicas gráficas no Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre. Integrou o trio de gravadoras que criou o atelier MAM (com Maria Tomaselli e Marta Loguércio) na capital gaúcha (1981-1991). Sua obra está concentrada na xilogravura, gravura em metal, litografia e desenho. Leciona gravura, seja no IA-UFRGS, seja em espaços autônomos. Um de seus mestres foi Danúbio Gonçalves, nome histórico da xilogravura no Brasil. Com trajetória de quatro décadas de consistente e continuada produção, a artista faz sua obra focada na temática social e ambiental, com ressonâncias dos delicados grafismos da gravura japonesa (Ukiyo-e) e das essencialidades figurativas da gravura popular do Nordeste (cordel), entre outras fontes que a ligam a uma sólida genealogia. Expõe individualmente desde 1974, tendo realizado mais de uma dezena de exposições individuais e participado de inúmeras exposições coletivas, no país (diversas capitais) e no exterior (França, Suíça, China, Coréia, Porto Rico, Espanha, EUA, Argentina e Holanda, entre outros países). Recebeu vários prêmios, destacando-se o Prêmio Jabuti 2015 (Câmara Brasileira do Livro, São Paulo,SP) pelo projeto gráfico do livro Cidade Imaginária (Ed. Letra 1, 2014). Além de artista com sala especial na 2ª Bienal Internacional de Gravura (Fortaleza, CE,2006), Anico destacou-se também na curadoria de exposições de gravura e edições de livros de esmerada produção gráfica. Seu livro monográfico “Xilogravura Arte e Técnica” (Ed. Tchê, 1986) tornou-se referência no ensino. Foi curadora da trilogia de mostras “Gráfica Gaúcha: A gravura artística no Rio Grande do Sul”, realizada no Centro Cultural Erico Veríssimo, Porto Alegre (2007, 2008 e 2009), amplo panorama histórico do setor pelo qual recebeu o Prêmio Açorianos de Curadoria (Secretaria de Cultura da Prefeitura de Porto Alegre), em 2009.

Serviço:
Exposição: “Anico Herskovits: percurso gráfico”, com curadoria de Angélica de Moraes
Abertura e visita guiada com a artista: 10 de dezembro de 2016, sábado, às 11h
Temporada: de 10 de dezembro de 2016 a 28 de fevereiro de 2017
Entrada: Franca
Classificação etária: LIVRE
Acesso para pessoas com deficiência
Programação paralela:
• 14 de janeiro de 2017, sábado, às 11horas: lançamento do catálogo e conversa com a artista e curadora
• 14 de janeiro de 2017, sábado, às 14 horas: oficina com a artista