AGENDA DAS ARTES

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Além do Visível, Aquém do Intangível

Artistas: Fábio Magalhães

Curadoria: Alejandra Muñoz

De 29/7 a 24/9

Caixa Cultural Ver mapa

Endereço: Praça da Sé, 111 - Centro

Telefone: (11) 3321-4400

As obras do artista baiano são marcadas por distorções da realidade e contornos perturbadores, apresentados em metáforas visuais.

A Caixa Cultural São Paulo inaugura, no dia 29 de julho (sábado, às 11 horas), a exposição Além do Visível, Aquém do Intangível, que reúne a produção artística mais significativa de Fábio Magalhães, desenvolvida entre 2007 e 2017.

A mostra, que tem curadoria de Alejandra Muñoz, é patrocinada pela Caixa Econômica Federal. O evento de abertura conta ainda com lançamento de um livro que reúne obras do artista, produzidas ao longo de 10 anos, e uma visita guiada pelo próprio Magalhães, seguida pela mesa redonda As Matrizes Tradicionais da Arte e a Pintura Contemporâneacom participação da curadora e do crítico de arte Jorge Coli.


Fábio Magalhães- A certeza é a prova da dúvida (Série Latências Atrozes). Óleo sobre tela 190x230cm, 2015. Foto: acervo do artista. 

Além do Visível, Aquém do Intangível apresenta 25 trabalhos de óleo sobre tela em grandes formatos, distribuídos em cinco séries: O Grande Corpo, Retratos Íntimos, Superfícies do Intangível, Latências Atrozes e Limites do Introspecto.

As obras de Fábio Magalhães surgem de metáforas criadas a partir de pulsões, das condições psíquicas e substratos de um imaginário pessoal, até chegar a um estado de imagem/corpo. Os resultados são obtidos por meio de artifícios que nascem de um modus operandi que parte de um ato fotográfico e materializa-se em pintura. O artista apresenta encenações meticulosamente planejadas, capazes de borrar os limites da percepção, configuradas em distorções da realidade e contornos perturbadores. 


Fábio Magalhães- Afago (Série Superfícies do Intangível). Óleo sobre tela 190x210cm, 2014. Foto: acervo do artista.

A produção artística contemporânea vem enfrentando desafios numa época em que o excesso de imagens nos faz pensar: para que mais uma? Contudo, Magalhães questiona aquilo que se encontra na superfície da tela, a imagem. Para ele, trata-se de uma superfície permeável, onde poderíamos atravessar e encontrar outros lugares, outras imagens que só existem em nossa imaginação, podendo ser entendidas como portais que nos conduzem a outras realidades e nos faz pensar a condição de alteridade. Assim, o artista convida o espectador a “ver” o que está além das imagens produzidas por ele, nas quais figuram cenas realistas que colocam em xeque a própria realidade. Um convite para “além do visível”.

A escolha da pintura é uma atitude afirmativa e política que Magalhães defende em sua obra, pois se trata de uma produção que questiona o Ser e a condição do humano. Para tanto, escolhe construir metáforas visuais que buscam discutir o Eu e o Outro. Com isso, a alteridade é uma das premissas que se instaura em seu modo de fazer arte. Vivências e memórias funcionam como ativadores criativos, reunindo imaginário, fabulações e subjetividades. Usando a técnica de óleo sobre tela, ele estabelece relações e interações entre a tradição e a contemporaneidade, presentes no seu modo de fazer e pensar a arte hoje. “A pintura de Fábio Magalhães se constitui nesse lugar inquietante entre o visível, reconhecível e familiar e o inefável e intangível”, comenta a curadora Alejandra Muñoz.



Fábio Magalhães- Em tempos de incertezas, o devaneio é a via de fuga (Série Latências Atrozes). Óleo sobre Tela 170x220cm, 2015. Foto: acervo do artista.

Além do Visível, Aquém do Intangível traz uma proposta de desterritorialização das diretrizes que definiam a produção artística do passado e coloca a pintura em outro lugar de potência, onde o artista estabelece suas próprias regras, construídas para dar visibilidade aos substratos de um imaginário pessoal, atravessados por procedimentos fotográficos, simulações de cenas e o próprio ato de pintar. O deslocamento aqui é entendido em múltiplos aspectos, seja pela presença da pintura na atualidade, seja pela escolha de temas que se encontram transitando ente condições psíquicas, devaneios e relações humanas possíveis.

Segundo a curadora, a importância dessa mostra é dar visibilidade à produção de um jovem artista baiano, que vem se destacando no cenário nacional com uma pintura contemporânea. O projeto tem valor significativo na carreira de Fábio Magalhães, pois, em 2017, ele completa 10 anos de intensa atividade, tendo a pintura como principal plataforma de atuação artística.


Fábio Magalhães- Encontro (Série Superfícies do Intangível). Óleo sobre Tela 190x315cm, 2014. Foto: acervo do artista.

Sobre o artista
Fábio Magalhães (Tanque Novo, BA, 1982) vive e trabalha em Salvador. Ao longo da carreira, realizou exposições individuais, a primeira em 2008, na Galeria de Arte da Aliança Francesa, em Salvador. Na sequência, Jogos de Significados(2009), na Galeria do Conselho, O Grande Corpo (2011), Prêmio Matilde Mattos/FUNCEB, na Galeria do Conselho, ambas em Salvador; e Retratos Íntimos (2013), na Galeria Laura Marsiaj, no Rio de Janeiro. Foi selecionado para o projeto Rumos Itaú Cultural 2011/2013. Entre as mostras coletivas estão: Convite à Viagem - Rumos Artes Visuais, com curadoria do Agnaldo Farias, no Itaú Cultural, em São Paulo; O Fio do Abismo – Rumos Artes Visuais, com curadoria de Gabriela Motta, em Belém/PA; Territórios, com curadoria do Bitu Cassundé, na Sala Funarte, em Recife/PE; Espelho Refletido, com curadoria do Marcus Lontra, no Centro Cultural Hélio Oiticica, no Rio de Janeiro/RJ; Paraconsistente, com curadoria de Alejandra Muñoz, no ICBA, em Salvador/BA; 60º Salão de Abril, em Fortaleza/CE; 63º Salão Paranaense, em Curitiba/PR;XV Salão da Bahia, em Salvador; e I Bienal do Triângulo, em Uberlândia/MG, entre outras. Entre os prêmios que recebeu destaque para Prêmio FUNARTE Arte Contemporânea - Sala Nordeste; Prêmio Aquisição e Prêmio Júri Popular no I Salão Semear de Arte Contemporânea em Aracaju/SE; Prêmio Fundação Cultural do Estado, em Vitória da Conquista/BA, e Menção Especial em Jequié/BA.

Sobre a curadora
Alejandra Hernández Muñoz (Montevideu/Uruguai, 1966), reside em Salvador, desde 1992. É arquiteta, mestre em Desenho Urbano e doutora em Urbanismo pela Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia (FAU/UFBA). Professora permanente de História da Arte da Escola de Belas Artes (EBA/UFBA), ela desenvolve trabalhos de crítica das Artes e Arquitetura e participa de júris e comitês de seleção artística. Foi curadora de diversas mostras como Saccharum-BA (ICBA e MAM-BA, Salvador), Genaro de Carvalho (MAB, Salvador), Mestres da Tapeçaria Moderna (Galeria Passado Composto Século XX, São Paulo), Circuito das Artes (quatro edições, Salvador), Triangulações (três edições, Salvador, Recife, Brasília, Maceió e Belém) e Boju-Boju (Galeria Cañizares, Salvador). Integrou as equipes curatoriais do Programa Rumos Artes Visuais 2011-2013 do Instituto Itaú Cultural (São Paulo) e da 3ª Bienal da Bahia 2014 (Salvador).

Serviço:
Exposição: Além do Visível, Aquém do Intangível
Artista: Fábio Magalhães
Curadoria: Alejandra Muñoz
Abertura: 29 de julho de 2017. Sábado, às 11h
Visita guiada na abertura com o artista Fábio Magalhães.

Mesa redonda (29/6) - Das 13h às 14h30
Participantes: Alejandra Muñoz e Jorge Coli
Tema: As Matrizes Tradicionais da Arte e a Pintura Contemporânea
Vagas limitadas. Inscrições pelo telefone: (11) 3321-4400
Público alvo: público juvenil e adulto, estudantes e apreciadores de arte.
Local: Auditório - 6º andar
Período: de 29 de julho a 24 de setembro
Local: Caixa Cultural São Paulo