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Alair Gomes e Robert Mapplethorpe

Artistas: Alair Gomes e Robert Mapplethorpe

Curadoria: -

De 3/8 a 7/10

Fortes D'Aloia & Gabriel Ver mapa

Endereço: Rua Fradique Coutinho, 1500 - Vila Madalena

Telefone: (11) 3392-3942

A exposição "Alair Gomes e Robert Mapplethorpe" na Fortes D’Aloia & Gabriel traz uma aproximação inédita entre a obra de Alair Gomes (1921–1992) e de Robert Mapplethorpe (1946–1989). Esta é a terceira exposição de Mapplethorpe na Galeria e a primeira em que o trabalho do célebre fotógrafo americano é visto lado a lado de um artista brasileiro. A mostra fica em cartaz entre os dias 3 de agosto e 16 de setembro de 2017, com entrada gratuita.

O ponto de partida deste diálogo é o desejo –compartilhado por ambos os artistas em textos e entrevistas –de fazer presente em suas obras a experiência de transcendência do sexo. A exposição explora essa relação através do olhar que busca no corpo a perfeição da escultura clássica; na noção de teatralidade presente em Mapplethorpe em oposição ao corpo natural de Gomes; e finalmente na praia como um lugar idealizado do prazer, retratada por ambos os artistas. Dessa forma, os trabalhos são intercalados formando grupos temáticos, sem uma ordem cronológica. Embora as fotografias apresentadas partam de um período próximo, do final da década de 1970 ao início dos anos 1980, essa aproximação é também capaz de marcar algumas diferenças fundamentais entre a produção dos dois. É curioso notar, por exemplo, que enquanto Mapplethorpe nomeia seus personagens, não apenas mostrando seus rostos, mas emprestando-lhes status de celebridade, Gomes opta pelo anonimato total. 


Alair Gomes- Sem título, 1983. Fotografia em emulsão de prata sobre papel de fibra. Políptico de 20 | 24 x 18 cm. Photo: © Alair Gomes / Cortesia Bergamin & Gomide.

Ao longo da maior parede da Galeria, um grupo heterogêneo de imagens de Mapplethorpe trata a praia como um lugar de hedonismo e prazer. O corpo parece integrar-se àpaisagem em poses que imitam relevos, fotografados à luz do sol. Outras fotos menos conhecidas revelam o olhar do artista sobre a paisagem crua. Essas imagens são intercaladas com as Sonatinas, Four Feet (1970–1980) de Alair Gomes, realizadas com uma teleobjetiva da janela de seu apartamento em Ipanema. Embora conceda um alcance maior, ouso dessa lente reduz a nitidez das imagens, de modo que as Sonatinas privilegiam a composição geométrica dos corpos em relação à textura contrastada da areia e aos instrumentos de ginástica. O olhar distante procura na ação espontânea uma estrutura geométrica rígida, ao mesmo tempo em que explicita códigos não falados de damasculinidade, da interação e da intimidade entre dois homens em público.


Alair Gomes- Beach Triptych nº 20, 1970–1980. Fotografia em emulsão de prata. Tríptico | 36 x 28 cm. Photo: © Alair Gomes.

Ao fundo da Galeria, fotos de estúdio de Mapplethorpe retratam partes do corpo em recortes precisos, cuidadosamente posados e iluminados com objetivo de realçar suas qualidades escultóricas–volume, peso e superfície estão em evidência. O corpo da fisiculturista Lisa Lyonse mistura aos nus masculinos dessa sequência, denotando a preocupação do artista nas questões de representação de gênero. Ao lado dessas imagens, aparecem os Beach Triptychs(c. 1980) de Gomes que, apesar de sua natureza espontânea, do momento captado sem pose, traduzem a mesma preocupação com a representação clássica de um corpo-escultura.

Um terceiro grupo une imagens de S&M de Mapplethorpe (como Leather Crotche Frank Diaz, ambas de 1980) com outras onde papéis masculinos e questões de raça são evidenciados por vestimentas. Hooded Man (1980) mostra um homem negro totalmente pelado usando apenas um capuz, numa alusão ao KKK. Esse grupo aparece lado a lado da obra Sonatinas, Four Feet nº 32, talvez a mais explicitamente homoeróticada série. 


Robert Mapplethorpe- Alistair Butler, 1985. Fotografia em emulsão de prata 40 x 50 cm. Edição de 15. Photo: © Robert Mapplethorpe Foundation.

Robert Mapplethorpe (Nova York, EUA, 1946 –Boston, EUA, 1989) éum dos artistas americanos mais importantes do século XX. Sua produção, catalogada e organizada ainda durante sua vida, continuasendo vista e reexaminada à luz das discussões contemporâneasde gênero. Com o apoio da Robert Mapplethorpe Foundation, criada em 1988, sua obra tem sido tema de retrospectivas em diversas instituições. Destacam-se suas exposições
recentes em: Kunsthal Rotterdam (Roterdã, 2017), LACMA (Los Angeles, 2016), Montreal Museum of Fine Arts (Montreal, 2016), Art Gallery of New South Wales (Sydney, 2016); Kiasma Museum (Helsinki, Finlândia, 2015), Bowes Museum (Durham, Reino Unido, 2015), Tate Modern (Londres, 2014), Grand Palais (Paris, 2014). Mapplethorpe está presente em diversas coleções importantes ao redor do mundo, entre as quais: MoMA (Nova York), Solomon R. Guggenheim Museum (Nova York), Metropolitan Museum of Art (Nova York), Whitney Museum of Modern Art (Nova York), SFMoMA (San Francisco), Tate (Londres),National Portrait Gallery (Londres), Centre Georges Pompidou (Paris), Stedelijk Museum (Amsterdã), Museum of Contemporary Art (Tóquio).

Alair Gomes (Valença, Brasil, 1921 –Rio de Janeiro, Brasil, 1992), apesar de celebrad opor um público seleto, permanece pouco conhecido e estudado, tanto no Brasil quanto fora. Sua obra tem sido resgatada aos poucos, especialmente desde o sucesso de sua exposição na Fondation Cartier, Paris, em 2001. Suas exposições recentes incluem: Young Male, Casa Triângulo (São Paulo, 2016), Muito Prazer, Biblioteca Nacional (Rio de Janeiro, 2016), Percursos, Caixa Cultural (São Paulo, 2015), 30. Bienal de São Paulo (2012), A New Sentimental Journey, Maison Européenne dela Photographie (Paris, 2009).

Serviço
Exposição:“Alair Gomes e Robert Mapplethorpe”
Datas e horários: Abertura dia 03 de agosto de 2017, quinta-feira, às 19h.
Em cartaz: até 7 de outubro
Horário de funconamento: De terça a sexta, das 10h às 19h; sábados, das 10h às 18h.
Local: Fortes D’Aloia & Gabriel | R. Fradique Coutinho, 1500 - Vila Madalena, São Paulo.
Entrada gratuita.