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Adornos do Brasil Indígena: Resistências Contemporâneas

Artistas: Varios

Curadoria: MAE/USP e Moacir dos Anjos

De 7/9 a 8/1

SESC Pinheiros Ver mapa

Endereço: Rua Paes Leme, 195 - Pinheiros

Telefone: (11) 3095-9400

De 7 de setembro de 2016 a 8 de janeiro de 2017, o Sesc Pinheiros recebe a exposição “Adornos do Brasil Indígena: resistências contemporâneas”. A iniciativa inaugura o programa de cooperação entre o Sesc São Paulo e a Universidade de São Paulo, por meio do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, em torno da formalização de projetos expositivos e de ação educativo-cultural.

A exposição – que ocupará cerca de 780m² (750m² de espaço expositivo mais 30m² da fachada) da unidade Pinheiros do Sesc  São Paulo – exibirá um conjunto de 201 peças entre objetos e documentos indígenas preservados no MAE-USP,  além das obras de arte contemporânea que foram selecionadas para este projeto, divididos em três módulos: Adornos: o corpo como suporte de resistência; Adornos: os testemunhos de resistência; Adornos: as celebrações indígenas como resistência.

O conceito curatorial, elaborado pelo Museu de Arqueologia e Etnologia da USP e Moacir dos Anjos – este último convidado pelo Sesc para a proposição da interlocução com a arte contemporânea – , volta-se para a divulgação de artefatos indígenas de diferentes etnias e proposição de interlocuções entre esses artefatos e obras de arte contemporânea, inspiradas nas vivências indígenas e preocupadas com as questões que envolvem as respectivas sobrevivências. A mostra terá ainda uma programação com atividades educativas e de formação para professores.


Adornos do Brasil Indígena- Resistências Contemporâneas

“Em consonância com a ação socioeducativa do Sesc, esta iniciativa visa à discussão sobre as identidades na luta por direitos coletivos, possíveis por meio do respeito às diferenças e aos processos de diferenciação que, em última análise, nos fazem essencialmente humanos”, explica Danilo Santos de Miranda, diretor regional do Sesc São Paulo.

“Colocarmo-nos lado a lado pareceu-nos um gesto natural”, diz Marco Antonio Zago, reitor da Universidade de São Paulo, “uma vez que temos interesses em comum e responsabilidades semelhantes, priorizamos o atendimento de amplas camadas da sociedade cujo acesso à cultura e à boa formação é muitíssimo limitado e somos reconhecidos como instituições engajadas em oferecer oportunidades para reflexão sobre as questões que afligem a sociedade contemporânea”.

Artistas - Exibindo obras já existentes – entre icônicas e pouco vistas – e outras inéditas, a exposição conta com a participação de artistas visuais brasileiros como Ailton Krenak, Anna Bella Geiger, Bené Fonteles, Carlos Vergara, Claudia Andujar, Delson Uchôa, Fred Jordão, Lygia Pape, Nunca, Paulo Nazareth e Thiago Martins de Melo.

Essa seleção de arte contemporânea apresenta obras que, valendo-se de estratégias e meios diversos, tomam adornos indígenas como tema ou como elementos de construção simbólica. Alguns dão a ver o lugar privilegiado do adorno na afirmação de diferenças dos povos indígenas e na reclamação de direitos que lhe são negados, tanto no passado quanto no tempo corrente. Outros fazem confluir a tradição do adorno na tradição artística de povos não indígenas e os usos que deles são feitos nas culturas nativas do Brasil, criando aproximações e atritos entre formas e significados distintos.

Etnias – Estão representadas na exposição expressões culturais indígenas contemporâneas (objetos etnográficos) de distintas regiões do território brasileiro, tais como: Waurá (MT), Suyá (MT), Krahô (TO), Rikbaktsa (MT), Bororo (MT), Guarani (SP), Kayapó-Xikrin (PA), Kaxinauá (AC), Karajá (GO), como também vestígios arqueológicos da Amazônia e São Paulo, evidenciando a longa duração dessas expressões culturais.


Adornos do Brasil Indígena- Resistências Contemporâneas

A partir de um conjunto de artefatos, fotos e filmes representativos destas diferentes etnias indígenas que constituem o acervo do MAE-USP, a exposição pretende apresentar o “adorno” como um elemento singular nas múltiplas formas e expressões de resistências dessas sociedades. 

“Partimos da ideia de que o adorno pode estabelecer rotas de interlocução com os não indígenas e, em função dos múltiplos sentidos e significados, possibilita a abordagem sobre a resistência de acordo com diferentes perspectivas. Optamos, neste projeto, por dar protagonismo ao corpo adornado como suporte de resistência; às celebrações como contextos de grande visibilidade dos adornos e, ao mesmo tempo, de reforço à coesão identitária, implicando em momentos de resistência comunitária; aos testemunhos de longa duração, evidenciados pelos vestígios arqueológicos, documentando que os adornos sempre pautaram a trajetória das sociedades indígenas deste território”, explica Maria Cristina Oliveira Bruno, museóloga do MAE-USP.

Segmentos – O primeiro dos três módulos da exposição, “Adornos: o corpo como suporte deresistência”, ressalta a questão das sociedades indígenas terem no corpo o princípio e o fim de muitas formas de defesa, proteção e extermínio.O corpo também estabelece interlocuções com o universo sobrenatural e tem protagonismo nas paisagens culturais das diferentes regiões do país.

Reúne obras dos artistas contemporâneos Claudia Andujar, Thiago Martins de Melo, Ailton Krenak, Paulo Nazareth e Delson Uchôa, com peças das etnias Waurá, Xikrin, Kaxinauá, Krahô, Kisêdjê e Rikbaktsá.

Já o módulo “Adornos: as celebrações como resistência” apresenta as múltiplas funções e significados das celebrações nos contextos das sociedades indígenas. Os adornos assumem o protagonismo nas diversas etapas que compõem a organização e realização das cerimônias e rituais, desempenhando importante papel na transmissão cultural entre gerações e configurando marcos de resistência do Brasil Indígena.

Este segmento da mostra traz conjuntos de peças das etnias Bororo, Guarani, Xikrin, Kaxinawá e Karajá; filmes históricos e trabalhos dos artistas Lygia Pape, Paulo Nazareth,Fred Jordão, Carlos Vergara e Claudia Andujar.

O terceiro e último módulo da exposição, “Adornos: os testemunhos de resistência”, apresenta manifestações indígenas do presente, mas também contando com vestígios e testemunhos de ocupações anteriores, como possibilidade de estabelecer conexões inéditas e elaborar novas narrativas de resistência. 

Nichos etnográficos da etnia Karajá e peças arqueológicas como Muiraquitãs dividem espaço com trabalhos contemporâneos de Claudia Andujar, Anna Bella Geiger e BenéFonteles e com um filmesobre a resistência indígena ao longo do tempo. 

Por fim, a curadoria ressalta que “não há pretensão ou intenção, nesse avizinhamento entre adornos indígenas e produção artística contemporânea, de criar hierarquias ou de propor paralelismos de qualquer tipo entre uns e outra. Busca-se, em vez disso, sugerir situações em que a copresença de um e de outros em um mesmo espaço de exposição dê evidências do poder de resistência contido nos adornos do Brasil indígena, bem como da potência crítica que a arte brasileira que se aproxima deles pode possuir”, acrescenta Moacir dos Anjos. 

Sobre os curadores
Curadoria Museológica: MAE/USP - Maria Cristina Oliveira Bruno, Carla Gibertoni Carneiro, Ana Carolina Delgado Vieira e Francisca Figols. O MAE/USP conta com um acervo multifacetado do ponto de vista das expressões culturais, provenientes das sociedades ao longo do tempo e do espaço geográfico, articulando distintas dimensões da diversidade cultural e diferentes formas de artefatos que exigem múltiplas formas de abordagens museológicas e museográficas. Possui aproximadamente 1.500.000 itens, incluindo objetos arqueológicos e etnográficos produzidos em diferentes continentes e em épocas diversas, desde a Europa Paleolítica, com dezenas de milhares de anos de antiguidade, até a produção recente de artefatos dos povos indígenas do Brasil. Resulta de diferentes olhares de coletas, de doações, de escavações, de compras, cujos resultados passaram a fazer parte do universo museológico de acordo com conjunturas distintas. 

Curadoria de Arte Contemporânea: Moacir dos Anjos (Recife, Brasil, 1963) é pesquisador e curador de arte contemporânea da Fundação Joaquim Nabuco, no Recife. Foi diretor do Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães – MAMAM (2001-2006) e pesquisador visitante no centro de pesquisa TrAIN – Transnational Art, Identityand Nation, em Londres (2008­2009). Foi curador da Bienal de São Paulo (2010) e das mostras Cães sem Plumas (MAMAM, 2014) e A Queda do Céu (Paço das Artes, 2015). É autor dos livros Local/global – arte em trânsito (Zahar, 2005) e Arte Bra Crítica (WMF Martins Fontes, 2010), além de editor de Pertença, Caderno Videobrasil8 (São Paulo, 2013).

Sinopse
A partir de um conjunto de artefatos, fotos e filmes representativos de diferentes etnias indígenas que constituem o acervo do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, a mostra pretende apresentar o “adorno” como um elemento singular e representativo de múltiplas formas e expressões de resistências das comunidades indígenas, por meio de interlocuções entre as expressões culturais destas sociedades e a produção de arte contemporânea, no contexto dos embates da sociedade nacional. Estão representadas na exposição expressões culturais indígenas contemporâneas de várias regiões do território brasileiro, tais como: Waurá (MT), Suyá (MT), Krahô (TO), Rikbaktsa (MT), Bororo (MT), Guarani (SP), Kayapó-Xikrin (PA), Kaxinauá (AC) eKarajá (GO), como também vestígios arqueológicos da Amazônia e São Paulo. Exibindo obras já existentes – entre icônicas e pouco vistas – e outras inéditas, a exposição conta com a participação de Ailton Krenak, Anna Bella Geiger, Bené Fonteles, Carlos Vergara, Claudia Andujar, Delson Uchôa, Fred Jordão, Lygia Pape, Nunca, Paulo Nazareth e Thiago Martins de Melo. Curadoria do MAE/USP e Moacir dos Anjos.

Programação Integrada
•Contação de histórias“Poéticas das Aldeias”
Dias 7 e 18/9. Quarta e domingo, 17h. Livre. Grátis
Encontros em roda diante da exposição “Adornos do Brasil Indígena: resistências contemporâneas”, com contação de histórias com recursos musicais e corporais em torno dos povos indígenas do país. Com Cristino Wapichana, músico, compositor, cineasta, contador de histórias e escritor. Participações:em 7/9, com Daniel Munduruku(Povo Munduruku - PA), escritor, doutor em Educação pela USP, pós-doutor em Literatura pela UFSCar e diretor presidente do Instituto UKA - Casa dos Saberes Ancestrais; em 18/9, com Tiago Hakiy(Povo Saterê Maué - AM), poeta, escritor e contador de histórias tradicionais indígenas. Graduado em Biblioteconomia pela UFAM. Vencedor do Concurso Tamoios para escritores indígenas em 2012. 

•Palestra “Povos Indígenas na Contemporaneidade: Histórias, Imaginários e Cosmopolíticas”
Dia 10/9. Sábado, 14h às 18h. Livre. Grátis
Voltado para a formação de professores e educadores, o encontro abordará os diferentes imaginários sobre os povos indígenas no Brasil e os fundamentos cosmológicos das culturas indígenas que continuam resistentes apesar da modernidade. Com Gersem Baniwa, professor adjunto da Faculdade de Educação e Diretor de Políticas Afirmativas da Universidade Federal do Amazonas- UFAM. Doutor em Antropologia Social pela UnB, é representante indígena no Conselho de Educação. 

•Palestra “Temáticas Indígenas nas Escolas em Contexto Urbano”
Dia 24/9. Sábado, 14h às 18h. Livre. Grátis (inscrições 1h antes)
Por meio da  troca de experiências de ensino, o encontro voltado à formação de professores e educadores discute a promoção da diversidade cultural e étnica para uma melhor compreensão sobre a cultura brasileira e os povos indígenas no contexto urbano. Com Marcos Aguiar, coordenador do Projeto “Índios na Cidade”, pelo qual há mais de 12 anos trabalha com indígenas, em especial os que vivem fora de suas aldeias

Serviço:
8 de setembro de 2016 a 8 de janeiro de 2017
Terças a sábados, das 10h30 às 21h30. Domingos e feriados, das 10h30 às 18h30
Locais: Fachadae espaço expositivo (2º andar) do Sesc Pinheiros
Entrada gratuita
Livre para todos os públicos