AGENDA DAS ARTES

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Acordo de Confiança

Artistas: Varios

Curadoria: Jacopo Visconti

De 27/4 A 9/7

Biblioteca Mário de Andrade Ver mapa

Endereço: Rua da Consolação, 94 - Centro

Telefone: (11) 3775-0002

Exposição de arte conceitual estreia no dia 27 de abril e propõe reflexão sobre a montagem de exposições

Provocativa e questionadora, a arte conceitual abriu um amplo campo de discussão sobre o papel do artista, o status da obra de arte e o funcionamento do mercado e das instituições. Apesar das mudanças do sistema das artes dos anos 1960 até hoje, essa reflexão continua se desdobrando em trabalhos de artistas atuais e segue sendo de extrema relevância, principalmente no contexto de uma exposição em um espaço público como a Biblioteca Mário de Andrade. 

Essas são algumas questões que balizam a mostra “Acordo de confiança”, que inaugura no dia 27 de abril, na Biblioteca Mário de Andrade, e que traz um conjunto representativo de obras de arte conceitual, mas também de artistas mais recentes, a exposição propõe uma discussão sobre as diferentes relações que se estabelecem entre artista, público, instituição, curador, colecionador, e de que maneira elas se articulam no momento de fazer uma exposição, constituir um acervo público ou privado, pensar a programação de um museu, entre outros.

Com curadoria do italiano Jacopo Visconti, responsável pela mostra Repertório na SP-Arte/2017, e co-curadoria da belga-brasileira Olivia Ardui, Acordo de Confiança reúne 30 peças, entre obras e documentos, e 21 artistas, como o brasileiro Nelson Leirner, o americano Robert Barry (conhecido por seu trabalho com mídias invisíveis e não materiais), o mexicano Mario García Torres e o sul-africano Ian Wilson. Peças do acervo histórico da Biblioteca e contribuições dos próprios artistas fazem parte da exposição.


Sandra Gamarra

A arte conceitual já havia merecido uma homenagem da Mário de Andrade em março, quando uma réplica da célebre obra Fonte – o urinol de Marcel Duchamp – foi instalada no saguão da biblioteca

Com a instalação de seus ready-mades, Duchamp foi precursor de uma arte que transpunha sua materialidade para questionar os valores da própria arte. Nela, o importante é o conceito da obra, a ideia por trás dela, sendo secundárias as técnicas e materiais utilizados.

Na exposição que ocupa agora a Biblioteca Mário de Andrade, os idealizadores exploram o tema do “acordo”, seja ele estabelecido entre artista e obra, entre curador e artista, entre o público e as instituições.

Acordo de Confiança trabalha uma espécie de metalinguagem das artes, brincando com a subversão dos métodos artísticos e questionando o pertencimento das obras, o direito do artista e o sistema da arte contemporânea.

Parte da exposição consiste em um conjunto de obras, em sua maioria cedidas de acervos particulares, que revela essas dinâmicas entre os agentes da exposição, incitando uma reflexão sobre a relação público-privado em um espaço aberto e interdisciplinar, como se transformou a BMA.

Uma série de documentos, cartas ou publicações de artistas, entre eles Maria Eichhorn e Alexander Calder, ou de curadores, como Lucy Lippard e Seth Siegelaub, também serão apresentadas em vitrines. A seleção desse material raro, geralmente pouco acessível ao público, foi resultado de pesquisa em acervos privados e na própria Biblioteca Mário de Andrade. Ele complementa e complexifica a reflexão já levantada pelas obras.


Maria Loboda

Um material fundamental será uma série de convites, fotografias, artigos de jornal ou publicações de Nelson Leirner, um dos grandes representantes do vanguardismo brasileiro dos anos 1960 e um grande questionador das instâncias de legitimação da arte. A mostra trás, entre outros, documentação sobre a mostra Exposição não-exposição, happening de encerramento na Rex Gallery & Sons. em 1967, na qual Leirner convidou o público a retirar e levar gratuitamente as suas obras expostas na galeria. 

Que acordos são estabelecidos no contexto de uma exposição? Que dispositivos e regras de conduta balizam a experiência e apreciação da arte? Quais são as instâncias de legitimação da arte e que tipo de influência elas podem exercer sobre a produção artística? Por sua vez, que parâmetros externos (de ordem economica, política ou diplomática) permeiam as instituições ou o mercado de arte? Com “Acordo de confiança”, a Biblioteca Mário de Andrade, sob a direção de Charles Cosac, inaugura seu calendário de exposições em 2017, abrindo as portas para essa discussão.

Serviço: 
Exposição: Acordo de Confiança
Abertura: 27/04 às 19h.
Funcionamento ao público: de 28/04 até 09/07 das 8h às 20h
Local: Biblioteca Mário de Andrade
GRÁTIS