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A Ausência é um Estar em Mim

Artistas: Mauricio Parra

Curadoria: Claudinei Roberto e Mariana Coggiola

De 14/6 a 23/7

Galeria Mezanino Ver mapa

Endereço: Rua Cunha Gago, 208 - Pinheiros

Telefone: 11 3436-6306

Ossos, pedras, ferramentas, caixas de remédios, retratos e objetos do ateliê. Valendo-se destes elementos, o artista paulista Mauricio Parra vem refletindo através de sua obra, desde 2013, sobre o corpo e suas limitações. Na exposição que abre em 14 de junho na Galeria Mezanino, intitulada "A Ausência é um Estar em Mim", apresenta sua poética a respeito de organismos vivos atravessados pelo tempo em 100 obras de pequenas dimensões realizadas em diferentes técnicas: serão 59 pinturas, 30 aquarelas e 13 gravuras em metal. A galeira realiza uma abertura para convidados no dia 9 de junho, às 16h; e a mostra segue em cartaz até o dia 23 de julho de 2016, com entrada gratuita.

Mauricio Parra, Composição N8, 2014 - bolo armênio e óleo sobre madeira, 18 x 29 cm (Divulgação)

“A pintura, gravura ou o desenho são para mim formas mais concretas de gravar na memória, de me localizar. Vejo o conjunto dessas obras quase como um autorretrato. É nele, no trabalho, que me encontro e tento buscar sentido”, diz o artista. O título da mostra é um verso do poema Ausência, de Carlos Drummond de Andrade, no qual o poeta fala de uma falta como parte integrante do ser humano. Para Mariana Coggiola, co-curadora da exposição ao lado de Claudinei Roberto, “o homem não é livre por possuir um corpo. A perspectiva de falência do corpo do artista sugere aqui um caminho de emancipação. As imagens de Mauricio são seus pontos de contato consigo, o inventário de sua estância, sua memória envernizada. A consciência da finitude é pulsão de vida.”

A técnica de Parra faz reverência à história da pintura: ele utiliza a técnica do bolo armênio - argila diluída em cola de pele de coelho - na preparação do suporte que vai receber a pintura; isto faz com que suas telas adquiram um fundo cor-de-terra, emprestando tons quentes para o trabalho. As peças de madeira que usa como suporte, muitas vezes encontradas em caçambas nas ruas, não se anulam com a pintura – se fazem presentes, como objetos vivos, alterando o resultado final.

Os trabalhos em exibição começaram a ser produzidos há três anos, quando o pintor voltou ao Brasil logo após uma residência na cidade de Gludsted, na Dinamarca. Era sua primeira viagem para o exterior. Ao chegar no destino e descarregar sua bagagem, percebeu que metade de uma das malas estava tomada por caixas de remédio – arrumadas lado a lado, as embalagens formavam uma composição tonal que ativou a sensibilidade de Parra. “O que eu vi, abrindo aquela mala, não foram caixas de remédios, mas, sim, uma experiência cromática”, afirma o artista.

Três anos mais tarde, o que o público verá na galeria é um conjunto significativo do corpo de sua obra.

Mauricio Parra, Para os nervos e formigamentos, 2016 - bolo armênio e óleo sobre madeira, 15,5 x 18,5 cm (Divulgação)

Sobre o artista
Maurício Parra (Pindamonhangaba, SP / 1976) é formado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de Taubaté. Frequentou os ateliês de Rubens Matuck, Roberto Grassmann e o ateliê de gravura do Museu Lasar Segall. Como múltiplos vetores, cada qual indicando um direcionamento variado, o ateliê de Maurício Parra se desmembra em possibilidades, algumas aprofundadas até a exaustão, outras suspensas à espera de uma continuidade futura. Dentro desta lógica de pesquisa múltipla e simultânea o artista cria, quase sempre de observação, pinturas, desenhos, e gravuras que dialogam entre si, sem necessariamente apresentarem uma unidade óbvia de linguagem. Técnicas como o bolo armênio e gravura em metal convivem com pintura a óleo sobre tela ou papel. Temas distintos como referências a ícones russos, caixas de remédios ou paisagens dinamarquesas são retratados com igual interesse, colocando o foco da produção não no quê mas no como se vê. Recebeu Prêmio Especial na 3º Bienal Nacional de Gravura de Atibaia (2007) o prêmio de Jovens Artistas do Espaço Cultural Citi Bank (2009) e menção Honrosa na Internacional Small Engraving Salon (Romênia / 2009). Participou da Bienal Internacional de Gravura de Alijó (PT / 2012). Já realizou três individuais na galeria Mezanino, a última, resultado de residência no International Art Workshop 2013, em Gludsted na Dinamarca. Em 2015, participou da Bienal Internacional de Gravura em Guanlan, China. Em julho do mesmo ano participou da residência International Workshop of Visual Art, em Marianowo, Polônia, e em novembro exibiu estes trabalhos na exposição “Um Verão em Marianowo”, juntamente com a artista Danielle Noronha, na Galeria Mezanino.

Mauricio Parra, A pedra de Portugal e o ouro da lua, 2016 - bolo armênio, folha de ouro (22k) e óleo sobre madeira, 9 x 12 cm (Divulgação)

serviço
Exposição: "A Ausência é um Estar em Mim", de Mauricio Parra com curadoria de Claudinei Roberto e Mariana Coggiola.
Datas e horários: Preview para convidados dia 7 de junho, das 16h às 21h.
Abertura dia 14 de junho das 16h as 22h.
Em cartaz entre os dias 15 de junho e 23 de julho de 2016. De terça a sábado, das 11h às 19h.
Local: Galeria Mezanino | Rua Cunha Gago, 208 - Pinheiros.
Entrada gratuita.