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50 anos de realismo – Do fotorrealismo à realidade virtual

Artistas: Vários

Curadoria: Tereza de Arruda

De 7/11 a 14/1

Centro Cultural Banco do Brasil Ver mapa

Endereço: Rua Álvares Penteado, 112 - Centro

Telefone: (11) 3113-3651

O Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo (CCBB-SP) exibe a partir de 7 de novembro a mostra “50 anos de realismo – Do fotorrealismo à realidade virtual”, com curadoria de Tereza de Arruda. Com cerca de 90 obras - entre pinturas, esculturas, vídeos e instalações interativas - de 30 artistas internacionais e brasileiros, a mostra apresenta um acervo inédito e abrangente da realidade e sua representação em diversos segmentos da arte contemporânea nas últimas cinco décadas. Em cartaz até o dia 14 de janeiro de 2019, com entrada livre e gratuita, a mostra ocupa todos os espaços expositivos do centro cultural, localizado no Centro da cidade, e ainda realiza um bate-papo sobre realismo na contemporaneidade com a curadora, artistas e convidados no dia da abertura da exposição.

Craig Wylie. Foto: Divulgação.

“A proposta possui um caráter de ineditismo, pois o fenômeno da representação da realidade nunca foi tratado a partir do fotorrealismo, sendo este aprimorado através do hiper-realismo, seguido da perspectiva de expansão futura através da realidade virtual”, afirma a curadora. Para Arruda, imagem e realidade, assim como a verdade e realidade, parecem ser, à primeira vista, idênticas. “Justamente por essa aproximação, surge um certo estranhamento e desconforto no momento em que nos perguntamos o que é a realidade e qual sua importância na representação artística”, acrescenta.

Conversa com o público
No dia 7 de novembro (quarta-feira), às 19h, o CCBB-SP realiza um bate-papo sobre realismo na contemporaneidade aberto ao público. Participam Tereza de Arruda (curadora), Bianca Kennedy, Fiona Valentine Thomann, Hildebrando de Castro, Rafael Carneiro, Regina Silveira, Ricardo Cinalli, The Swan Collective (artistas) e Maggie Bollaert (consultora). A entrada é franca, mediante retirada de senha a partir de uma hora antes do início do evento e está sujeito à lotação (50 lugares).

Tom Martin, Collateral. Foto: Divulgação.

Percurso sugerido
A primeira etapa da exposição se dá no 4º andar do prédio do CCBB São Paulo, com a pioneira geração de pintores do foto e hiper-realismo, incluindo nomes que participaram da “Documenta” de Kassel em 1972, precursora a dar visibilidade a essa tendência no campo internacional.

Entre eles, está o inglês John Salt (nascido em Birmingham, Inglaterra, 1937, onde vive e trabalha), que se mudou para os Estados Unidos na década de 1960 e retratou em suas pinturas paisagens suburbanas ou parcialmente rural do país, como carros abandonados e trailers dilapidados, contrastando com a natureza imaculada e meticulosa da execução da obra. Também desta fase é o norte-americano Ralph Goings (Califórnia, EUA, 1928 – 2016). Suas obras a óleo e aquarelas frequentemente representam o estilo de vida da classe operária americana, incluindo pinturas de caminhonetes, restaurantes populares e naturezas-mortas de produtos triviais, como embalagens de ketchup e mostarda.

Ben Johnson, Crystal Palace Reconstruction. Foto: Divulgação.

A exposição segue com pintores de vários países e épocas, dedicados às linhas contemporâneas do hiper-realismo. Neste segmento, que se apresenta entre os 3º e 2º andares, as obras são subdivididas em paisagem e paisagem urbana, retrato e natureza-morta.

Na primeira categoria, estão incluídos os britânicos Ben Johnson (nascido no País de Gales, em 1946, vive e trabalha em Londres, Inglaterra), que há mais de 40 anos desenvolve pinturas em grandes dimensões baseadas em espaços arquitetônicos e urbanos, desprovidas da presença humana, e Raphaella Spence (nascida em Londres, Inglaterra, em 1978, vive e trabalha na Úmbria, Itália), que também cria pinturas hiper-realistas de paisagens e paisagens urbanas em grandes dimensões, usando tinta a óleo, e ultimamente tem se concentrado em cenas naturais. Outro exemplo é o brasileiro Hildebrando de Castro (nascido em Olinda, PE, em 1957, vive e trabalha em São Paulo), que desde 2010, se dedica a representações geométricas inspiradas em fachadas de prédios modernistas.

Em retratos, destaque para o africano Craig Wylie (nascido em Masvingo, Zimbábue, em 1973, vive e trabalha em Londres, Inglaterra), conhecido pela presença surpreendente e profundidade psicológica de suas pinturas, e o inglês Simon Hennessey (nascido em Birmingham, Inglaterra, em 1976, onde vive e trabalha), que apresenta em suas pinturas detalhes intricados do rosto humano. Ele registra e descreve mais informações que o próprio olho humano, ao aumentar seu material de referência fotográfica, a ponto de chegar ao pixelado.

Dentro da categoria natureza morta, está o espanhol Javier Banegas (nascido em Madri, Espanha, em 1974, onde vive e trabalha). Ele produz representações no estilo natureza-morta, em close-up e cores brilhantes, de objetos alterados pela presença de seres humanos – geralmente objetos encontrados em seu ateliê, tais como aparas de lápis e potes de tinta.

Já o baiano Fábio Magalhães (nascido em Tanque Novo, BA, em 1982, vive e trabalha em Salvador) mescla, em uma única obra, retrato, natureza-morta e paisagem. Sua representação do corpo humano transmite desconforto, transbordando, sem pudor, os limites entre fotografia e pintura.

Simon Hennessey, Close up and Personal. Foto: Divulgação.

Também nos 3º e 2º andares do espaço cultural, serão exibidas obras tridimensionais de escultores do hiper-realismo de diferentes gerações, que mostram a representação realista do ser humano. Postas lado a lado com o público, essas esculturas criam um diálogo desconfortável entre ser e aparentar.

São três os artistas deste segmento, incluindo Giovani Caramello (nascido em Santo André, SP, em 1990, onde vive e trabalha), o único brasileiro com produção escultural no âmbito do hiper-realismo. Com caráter autobiográfico, sua obra aborda questões relacionadas ao tempo e efemeridade e nos convida a pensar sobre a impermanência e entrar em um processo de desaceleramento.

O norte-americano John De Andrea (nascido em Denver, EUA, em 1941, onde vive e trabalha) foi um dos pioneiros ao criar figuras humanas de um realismo impressionante, usando plástico, poliéster, fibra, vidro e cabelo natural com precisão fiel à natureza. Já o dinamarquês Peter Land (nascido em Aarhus, Dinamarca, em 1966, vive e trabalha em Malmö, Suécia) explora, de maneira humorística e burlesca, padrões humanos de comportamento, com os quais o espectador pode se identificar, notadamente em representações bizarras, onde ele é o único ator.

John Salt, No Parking. Foto: Divulgação.

Na etapa final de “50 anos de realismo”, obras de realidade virtual são expostas no 1º andar e subsolo em monitores, projeções espaciais ou mesmo com o uso de equipamentos especializados, como óculos de realidade virtual. Elas propagam, em sua concepção e existência, elementos e temas semelhantes aos abordados pelas pinturas e esculturas selecionadas pela mostra.

Fazem parte deste segmento artistas como o japonês Akihiko Taniguchi (nascido em Tóquio, Japão, em 1983, onde vive e trabalha), que desenvolve modelos detalhados em 3-D de espaços do cotidiano e os insere na realidade virtual de sua obra, onde ele surge como principal protagonista, a alemã Bianca Kennedy (nascida em Leipzig, Alemanha, em 1989, vive e trabalha em Berlim), que nos últimos dois anos, criou uma série tendo a figura principal imersa em uma banheira, como em um processo de reversão ao útero materno, além da francesa Fiona Valentine Thomann (nascida em 1987, vive e trabalha em Colmar, França, e Berlim, Alemanha), cujas obras da série TRACKER permitem que diferentes dimensões e visões sejam experimentadas através do uso de modelos 3-D de realidade aumentada.

Ainda em realidade virtual, destaque para a brasileira Regina Silveira (nascida em Porto Alegre, RS, em 1939, vive e trabalha em São Paulo). A artista multimídia utiliza desde 1970 mídias distintas em uma mesma obra, sendo precursora em trabalhos com vídeo, fotografia, colagem, xerox e postais. Na exposição, apresenta um vídeo animação digital.

O piso térreo do CCBB São Paulo será ocupado por obras de Craig Wylie, Simon Hennessey e Giovani Caramello.

Sobre a curadora
Nascida em São Paulo, em 1965, Tereza de Arruda é uma historiadora de arte e curadora independente que trabalha junto a instituições, museus e bienais. Estudou história da arte na Freie Universität Berlin, onde mora desde 1989. Entre as exposições com sua curadoria estão: 2018 Ilya und Emilia Kabakov, Two Times, Kunsthalle Rostock; José De Quadros, A Beleza do Inusitado, Sesc Santo André; 2017 Sigmar Polke, Die Editionen, me collectors room Berlin; Chiharu Shiota, Under the Skin, Kunsthalle Rostock; 2016 In your heart | In your city, Køs Denmark; Clemens Krauss, Little Emperors, MOCA – Museu de Arte Contemporânea de Chengdu; Kuba Libre, Kunsthalle Rostock; 2015 Bill Viola, Three Women, Bienal Internacional de Curitiba; InterAktionen Brasilien in Sacrow, Schloss Sacrow / Potsdam; 2014 ChinaArte Brasil, Oca Museu da Cidade, São Paulo; Wang Qingsong: Follow me!, Køs Museum for Kunst, Copenhague; 2013 Bienal de Curitiba; 2012/2011 Índia lado a lado, CCBB Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília; 2010 Se não neste período de tempo – Arte Contemporânea Alemã 1989-2010, Masp – Museu de Arte de São Paulo. Cocuradora e assessora da Bienal de Havana desde 1997. Cocuradora da Bienal Internacional de Curitiba desde 2009.

Pedro Campos, A Hot Day. Foto: Divulgação.

Serviço
Exposição: "50 anos de realismo – Do fotorrealismo à realidade virtual"
Datas e horários: Em cartaz entre os dias 7 de novembro de 2018 e 14 de janeiro de 2019. De quarta a segunda-feira, das 9h às 21h.
Local: CCBB-SP | Rua Álvares Penteado, 112 - Centro, São Paulo.
Entrada livre e gratuita.
Estacionamento conveniado: Estapar Rua Santo Amaro, 272. Traslado gratuito até o CCBB (no trajeto de volta, a van tem parada na estação República do Metrô). R$ 15 pelo período de 5 horas. É necessário validar o ticket na bilheteria do CCBB.
A exposição segue para o CCBB Brasília e CCBB Rio de Janeiro em 2019.