AGENDA DAS ARTES

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35° Panorama da Arte Brasileira

Artistas: Vários

Curadoria: Luiz Camillo Osorio

De 26/9 a 17/12

MAM - Museu de Arte Moderna Ver mapa

Endereço: Parque Ibirapuera, Portão 3 - Ibirapuera

Telefone: (11) 5085-1300

Entre 26 de setembro (terça-feira - abertura, às 20h) e 17 de dezembro de 2017, o Museu de Arte Moderna de São Paulo apresenta o 35º Panorama da Arte Brasileira, sua tradicional exposição bienal, que traz uma leitura do estado atual da arte do país. Com o título Brasil por Multiplicação, a curadoria assinada por Luiz Camillo Osorio tem como inspiração um dos textos seminais de Hélio Oiticica, Esquema Geral da Nova Objetividade (1967).  


Cadu - Soy mandala, 2017. Instalação, vídeo fio de algodão, 8 min. Foto: Cadu.

“Apesar de problematizar questões do texto escrito para o catálogo da exposição Nova Objetividade Brasileira (MAM Rio, 1967), este Panorama não é uma remontagem da exposição anterior, nem tem uma preocupação em legitimá-la historicamente. O que se faz aqui é uma homenagem a um texto de artista a partir de questões que foram ali levantadas e continuam pertinentes”, explica o curador. Entre os tópicos presentes no texto e reverberados na mostra, estão:
1 - Vontade Construtiva
2 – Tendência para o objeto
3 - Participação do espectador (tátil, visual, semântica)
4 – Tomada de posição política, ética e social
5 – Tendência para proposições coletivas
6 – Novas formulações do conceito de anti-arte

Sem se fechar num diagnóstico definitivo ou numa resposta final, a mostra propõe uma reflexão sobre essas questões, cruciais para a reflexão sobre a arte e a cultura brasileiras, revelando a atualidade do pensamento de Oiticica em sobreposição à realidade do país e de sua arte ainda hoje. Entre sua origem ameríndia, africana e a referência europeia, o Brasil nunca chega a uma definição clara quanto a sua identidade nacional, seja dentro de suas fronteiras ou inserido no mundo globalizado. Portanto, é oportuna a menção ao segundo texto que inspira o Panorama e seu título, Nacional por Subtração (1986), de Roberto Schwarz.


Karim Aïnouz - Se fosse tudo sempre assim, 2004. Videoinstalação, super 8/digital, cor, 4min (colaboração com Marcelo Gomes). Obra apresentada na 26a Bienal de São Paulo com curadoria de Alfons Hug. Foto: still de vídeo.

Nele, Schwarz reflete sobre como a produção da identidade nacional se dá sempre pela subtração diante do estrangeiro, do que vem de fora, sem se ater à tradição e ao passado do próprio país. Subvertendo a tese schwarziana em favor da ideia de multiplicação de referências, o 35º Panorama compreende a identidade nacional como formada pelo acúmulo de camadas superpostas, aglutinadas, mas nunca alinhavadas harmonicamente.

Nas palavras de Luiz Camillo Osorio, “No caso da cultura brasileira – e isso foi colocado de modo muito original pela geração tropicalista sob a influência da Antropofagia – a singularidade deveria ser vista como construção de um próprio em constante metamorfose, ou seja, como multiplicação identitária e não como subtração originária em busca de uma essência formadora”.  


Mão na Lata- Da minha janela, 2012. Fotografia pinhole. Foto: Jailton Nunes / Mão na Lata.

Assim, é coerente com sua proposta o fato de que a lista de artistas do Panorama inclui, além de nomes conhecidos do circuito das artes, o Coletivo Mão na Lata, do Complexo da Maré (comunidade carioca), e IbãHuniKuin, do povo indígena HuniKuin, do Acre (que fará o Projeto Parede durante o Panorama). “Não queremos contar suas histórias no lugar deles, com um olhar externo, mas queremos que os grupos étnicos considerados minorias estejam contemplados na mostra e possam falar por si”, explica Osorio.

A multiplicidade da lista de artistas extrapola as artes visuais, trazendo nomes também da arquitetura, da dança e do cinema. “A ideia é alargar o campo das artes visuais, incorporando outras manifestações, justamente para explicitar como essa divisão de gêneros artísticos, no momento em que o Hélio Oiticica escrevia, já era limitante, e hoje em dia parece de fato superada.”

Artistas:
Sala de Vidro
João Modé (Rio de Janeiro) - na instalação inédita, o carioca cria um jardim dentro da Sala de Vidro do MAM SP, na tensão entre natureza e cultura.

Sala Paulo Figueiredo Coletivo Mão na Lata e Tatiana Altberg (Rio de Janeiro) - seleção da produção fotográfica dos participantes do coletivo fotográfico da Maré, que, ao retratar seu cotidiano, assume a representação de sua própria identidade com o olhar intrínseco, de quem vive na comunidade carioca.

Dora Longo Bahia (São Paulo) - a paulistana exibe videoinstalação inédita comissionada pela Bolsa de Fotografia ZUM/ IMS 2016. Traçando um paralelo entre as queimadas na Amazônia e o degelo na Patagônia, discute a relação entre vontade construtiva e distopia ambiental.

Lourival Cuquinha e Clarisse Hoffmann (Pernambuco) - Macunaíma Colorau é uma videoinstalação que fala sobre a mestiçagem do povo brasileiro. As pessoas são gravadas descrevendo a cor da própria pele, resultando numa amostragem de narrativas criativas pela imprecisão e variação das tonalidades de pele do brasileiro.

Projeto Parede
IbãHuniKuin - Isaías Sales (Acre) - o artista indígena, do povo HuniKuin, apresenta o Projeto Parede com um desenho baseado nas tradições da vida na floresta.

Grande Sala
Barbara Wagner e Benjamin de Burca (Brasília/ Alemanha)- a dupla pernambucana-alemã exibe trabalho realizado em São Paulo e ainda inédito.

Beto Shwafaty (São Paulo) - trabalho inédito e outro já apresentado anteriormente, com instalações e esculturas em que elementos utilitários são deslocados de sua função original para o campo do trabalho braçal, na clivagem de sentidos.

Cadu (São Paulo) – o artista exibe instalação inédita, uma mandala gigante feita de peças de crochê, e um vídeo.

Fernanda Gomes (Rio de Janeiro) - a artista apresenta instalação inédita que remete a uma síntese do projeto construtivo no Brasil.

Jorge Mario Jáuregui (Rio de Janeiro) - o arquiteto carioca apresenta seu projeto para um espaço comunitário no Morro do Alemão (RJ).

José Rufino (Paraíba) - o artista paraibano apresenta a videoinstalação Almoxarifado, gravada especialmente para o Panorama no interior do almoxarifado da antiga Usina Santa Teresinha, município de Água Preta, fronteira Pernambuco-Alagoas, com a participação de oito ex- funcionários da empresa.

Karin Aïnouz e Marcelo Gomes (Ceará/ Pernambuco) - os cineastas cearense e pernambucano, respectivamente, apresentam videoinstalação e fotografia.

Leandro Nerefuh (São Paulo) - em Uma Breve História da Banana na História da Arte da Banana, inspirado em seu livro homônimo, Nerefuh toma essa fruta como símbolo da brasilidade e a ressalta em obras de diversos períodos.

Marcelo Evelin (Piauí) - na abertura, o coreógrafo piauiense realiza uma performance inédita, concebida especialmente para o Panorama.

Marcelo Silveira (Pernambuco) - traz uma série de esculturas em madeira acompanhadas de textos.

Ricardo Basbaum (São Paulo) - na abertura, faz uma performance – uma leitura coletiva, que resultará em um diagrama desenhado na parede da Grande Sala, exibido durante a mostra.

Romy Pocztaruk (Rio Grande do Sul) - a artista gaúcha apresenta série de fotografias inéditas sobre as usinas nucleares brasileiras com imagens das instalações internas.

RUA Coletivo (Rio de Janeiro) - o coletivo carioca traz para o Panorama o Varanda Products, projeto de objetos funcionais para espaços que são ao mesmo tempo externos e internos e têm sua tradução mais popular nas lajes das periferias. Entre eles estão o ombrelone que protege do sol e ao mesmo tempo capta água, a espreguiçadeira que também tampa a caixa d’água, cadeiras e mesas descartáveis, etc.

Wagner Schwartz (Rio de Janeiro) - na abertura, o coreógrafo apresenta La Bête, performance em que ele se torna um Bicho de Lygia Clark e pode ser manipulado pelo público (o registro será exibido ao longo da mostra.

Sobre o Panorama
O Panorama da Arte Brasileira, ou Panorama, como é mais conhecido, foi criado em 1969 com o propósito de reconstruir o acervo do MAM. Desde então adquiriu inúmeras obras para a coleção do museu, de artistas como Alfredo Volpi, Maria Bonomi, Abraham Palatnik, e Ernesto Neto, entre outros.

O Panorama é realizado a cada dois anos, sendo um espaço de experimentação para curadores e de mapeamento da produção contemporânea em todas as regiões do país. 

Serviço:
35º Panorama da Arte Brasileira - Brasil por Multiplicação
Data e Horário: 26 de setembro (terça-feira), a partir das 20h
Em cartaz: até 17 de dezembro de 2017
Horário de funcionamento: Terça a domingo, das 10h às 17h30 (com permanência até as 18h)
Local: Museu de Arte Moderna de São Paulo- Parque do Ibirapuera (av. Pedro Álvares Cabral, s/nº - Portão 3)
Ingresso: R$ 6
Aos sábados, a entrada é franca para todo o público, durante todo o dia.